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Unifor é pioneira em produção de animais clonados

 A Universidade de Fortaleza segue expandindo seus projetos na área da clonagem. Um ano depois de clonar o primeiro caprino transgênico da América Latina, pesquisadores da Universidade acabam de clonar bovinos da raça guzerá.

 

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Equipe da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio) e Agropecuária Esperança, com os três bezerros clonados. A raça guzerá tem, entre suas características, resistência ao clima semiárido e alta produtividade de leite.

 

Na busca de inovação e aplicação de novas tecnologias, a Unifor é considerada pioneira no trabalho de clonagem no Norte e Nordeste realizando, atualmente, dois grandes projetos na área. Com objetivos distintos, os dois acabam tendo um impacto em comum: o econômico. O primeiro é realizado com caprinos e o segundo com bovinos. Ambos atestam a vocação da Universidade para o desenvolvimento pesquisas de ponta que impactam positivamente a sociedade.

 

No último dia 27 de março, pesquisadores da Universidade comemoraram o aniversário de um ano da cabrinha Gluca, a primeira cabra transgênica já clonada na América Latina. Mais cedo, em janeiro deste ano, nasceu seu primeiro clone, a Beta. O objetivo é que elas produzam leite que contém a proteína glucocerebrosidase humana, capaz de tratar a doença de Gaucher, diminuindo os custos do tratamento dessa doença rara.

 

Segundo um dos coordenadores do projeto, Marcelo Bertolini, professor do programa de doutorado da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), “a clonagem é um dos métodos mais eficientes para que o animal que nasce seja positivo para o gene que a gente quer. Pegamos a célula de um indivíduo, colocamos dentro da célula o gene de interesse, humano nesse caso, selecionamos a célula que nos interessa, caracterizamos essa célula e certificamos que ela é de fato produzida. Daí usamos essa célula para produzir a clonagem. O animal que nascer vai ser o clone derivado daquela célula que você modificou geneticamente”, explica.

 

A pesquisa com os caprinos, intitulada “Biofármacos transgênicos: produção de Glucocerebrosidase (GBA) em leite de caprinos no Nordeste Brasileiro (colaboração Nordeste-Sul)”, teve início em 2001. Realizada por pesquisadores da Universidade de Fortaleza, o estudo tem a colaboração da empresa Quatro G Ltda., instalada no Parque Tecnológico (TECNOPUC-RS) da PUC-RS. O projeto conta com recursos de Subvenção Econômica da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia (Finep/MCT) e foi contratado em maio de 2010, juntamente com a Quatro G Pesquisa e Desenvolvimento Ltda., e a Esperança Agropecuária Ltda., do Grupo Edson Queiroz. Conta ainda com a participação de alunos de pós- -graduação do programa de doutorado da Renorbio e de alunos de iniciação científica dos cursos de Farmácia, Fisioterapia e Medicina da Unifor. Ao todo, são cerca de vinte cientistas e pesquisadores envolvidos diretamente.

 

De acordo com o professor Leonardo Tondello Martins, que fez seu doutorado a partir do projeto, os caprinos têm o propósito de produzir um biofármaco, ou seja, um medicamento obtido a partir de uma fonte ou processo biológico. O estudo se baseia na produção da proteína glucoceberosidase humana através da glândula mamária da cabra que, como mamífero, se aproxima mais do ser humano para que seja possível desenvolver a enzima que será utilizada no tratamento. Uma vez produzida, essa enzima será purificada do leite do animal para que possa ser iniciado o processo de testes em animais.

 

A expectativa de início de produção farmacêutica do remédio a nível nacional é de 5 a 10 anos. “Nunca se produziu nenhum biofármaco no Brasil, a gente ainda trabalha muito na teoria, nos baseamos pelo que acontece nos Estados Unidos e na Europa. Como o que nós trabalhamos é um biossimilar, o tempo de aprovação é mais curto, mas estamos sendo bem otimistas quando falamos que ainda vai demorar 5 anos. O processo pode levar entre 10 a 15 anos”, conta a professora e uma das coordenadoras do projeto, Luciana Bertolini.

 

Estudos feitos por pesquisadores da equipe mostram que serão necessárias pelo menos mais quatro cabras para que se possa para combater toda a doença de Gaucher no Brasil, que atinge cerca de 700 pessoas. Mesmo com o número de pessoas atingidas sendo baixo, o tratamento custa cerca de 200 milhões de reais por ano ao Governo Federal e a grande esperança de diminuição deste custo está sendo desenvolvida nesse projeto. O trabalho dos cientistas é fazer com que as cabras clonadas possam produzir em seu leite a enzima que é atacada pela doença de Gaucher e assim, diminuir os custos do caro tratamento fornecido pelo SUS.

 

“A ideia é produzir bem mais que quatro cabras, até para exportação, mas de início, quatro cabras resolveriam a doença no Brasil. O processo de clonagem leva em média um ano, mas como já estamos dominando a técnica, pode ser mais rápido. Como é um ser biológico, a produção de enzima é variável de animal para animal, mas esperamos que a Beta, sendo clone da Gluca, também possa produzir o leite”, aponta o pesquisador Igor Sá.

 

Além das cabras já clonadas, desde 2012 o laboratório conta com outra linhagem de caprinos transgênicos, como conta o pesquisador Kaio César Simiano Tavares: “Temos duas linhagens de caprinos transgênicos produzidos aqui na Unifor, a Lisa, que expressa lisozima humana que visa ao combate à desnutrição e à diarreia infantil, e a Gluca. Então, a Lisa tem uma proteína que combate e protege as crianças. Visamos produzir esse leite para prevenir e tratar a desnutrição”.

 

Atingindo pessoas em diferentes modos, o projeto também tem dado a oportunidade para que alunos de graduação e pós-graduação da Unifor tenham uma oportunidade de experiência única trabalhando em laboratórios com instalações de última geração. É o caso do aluno do curso de Farmácia, Xavier Girão. “Entrei no laboratório há 4 anos e para minha formação é extremamente importante. Estou lidando com profissionais capacitados e vou sair daqui com uma bagagem excelente para entrar em um mestrado e um doutorado”.

 


CLONAGEM BOVINA

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 O pioneirismo da Unifor aparece mais uma vez quando se trata da clonagem de bovinos, sendo o primeiro laboratório do Nordeste a trabalhar com esse tipo de clonagem. Em parceria com a Agropecuária Esperança, do Grupo Edson Queiroz, a Universidade acaba de clonar bois de uma raça rara, a guzerá, cujas matrizes de excelência genética reúnem características como resistência ao clima semiárido e alta produtividade de leite. Três bezerrinhos nasceram no mês passado e são um grande passo para a produção de rebanhos de alta qualidade.

 

“O objetivo é a multiplicação do animal transgênico. O outro propósito que temos para a clonagem é o reprodutivo de animais que podem ser geneticamente importantes ou animais que podem ser relevantes para o resgate genético, de preservação genética. Isso já foi feito com animais que estão em vias de extinção por outros grupos. Então temos dois propósitos na fazenda, um que atende ao interesse da fazenda e o propósito que nos atende com interesse no futuro”, explica o professor Marcelo Bertolini. A longo prazo e economicamente falando, os clones bovinos têm grande potencial.

 

O processo de clonagem é longo, como explica o pesquisador Saul Gaudêncio Neto, que também fez seu doutorado a partir do projeto. A rotina da clonagem envolve muitas etapas, desde a parte da biologia molecular, produção e seleção das células transgênicas, embriologia, acompanhamento de gestação e parto. Enfim, são necessários muitos cuidados”. O procedimento se divide em seis passos: preparação da célula, coleta e preparação dos ovócitos, remoção do DNA do ovócito e inserção da célula junto ao ovócito enucleado, fusão de membranas a partir de uma descarga elétrica utilizando um aparelho chamado eletrofusor, ativação embrionária e cultivo dos embriões.

“Tudo começa com a coleta da célula do animal que vai ser clonado. A gente vai à fazenda, escolhe os melhores animais e coleta um pedaço da orelha de todos os que a fazenda tem interesse em clonar. A gente higieniza, tira a pele, corta em pedacinhos e submete a um sistema de cultivo. Dentro de dois, três dias começam a se soltar células(fibroblastos) dos pedaços de orelha e vão se dividindo, multiplicando. Dentro de semanas você tem milhões de fibroblastos e a um determinado momento começamos a congelá-los e fazemos o implante deles nos animais que vão ser clonados. Tudo partindo do pedaço da orelha”, conta o pesquisador Leonardo T. Martins.

 

A gestação do animal dura nove meses e tem o acompanhamento feito mensalmente por toda a equipe envolvida no processo. A coordenação é dos professores Marcelo e Luciana Bertolini.

 

ENTENDA A DOENÇA DE GAUCHER  

Relacionada com o metabolismo dos lipídios, a doença de Gaucher é uma doença genética causada pela deficiência de uma enzima que tem a função de fazer a digestão do lipídio dentro da célula.

 

Descrita em 1882 por Philippe Ernest Gaucher, os sintomas da doença são diversos e variam de acordo com cada paciente. A principal característica da doença é o aumento dos órgãos como fígado e baço, ocasionando um grande inchaço na região. Também pode ocorrer a diminuição de plaquetas e doenças ósseas. O erro do matabolismo é considerado uma doença hereditária, ou seja, só pode ser transmitida de pai para filho.

 

 

 

DEPOIMENTOS

 

 

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“Estamos trabalhando em um medicamento para o tratamento de uma doença denética rara. São cerca de 700 pacientes no Brasil. Não são muitaspessoas, mas elas precisam ser tratadas para ter uma expectativa de vida normal. Sem tratamento adequado, podem morrer ainda na infância. Como não existem muitos pacientes, poucas pessoas se preocupam, mas nós procuramos uma maneira de baixar os custos do tratamento”.

 

Luciana Bertolini, professora da Rede Nordeste de Biotecnologia.

 

 

 

 

 

 

 

 

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“A Unifor marcou território dentro desse campo com a clonagem dos caprinos e agora dos bezerros, porque é pró eficiente. Somos únicos no Nordeste”.

 

 Saul Gaudêncio, do doutorado em Biotecnologia do programa Renorbio na Unifor.

 
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