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ARTIGO | A influência tecnológica na educação e suas resistências

* Por Lana Paula Crivelaro

 

As novas tecnologias vêm adquirindo cada vez mais relevância no cenário educacional, assim como sua ação no meio social vem aumentando de forma muito rápida.

 

Com tanta evolução, o professor passa a se deparar com uma variedade de demandas digitais incorporadas ao universo educacional e “se vê diante mudanças culturais que alteram comportamentos, mudam valores e desencadeiam necessidades que desconhecem e para as quais não foram preparados” (MALDANER, 2007).

 

Entende-se que a tecnologia por si só não garante a qualidade e dinamismo do processo de ensino-aprendizagem, mas faz parte do cotidiano de nossos alunos e fornecem uma oportunidade de rever as novas formas de pensar, sentir, agir e interagir com o mundo, podendo servir como instrumento de integração do sujeito com a sociedade, lhe proporcionando uma ampla visão e estímulos transformando o seu interlocutor de sujeito passivo a um sujeito interativo. (FARIA et al, 2007).

 

Resgatando um pouco das teorias de aprendizagem descritas por Piaget, Vygotsky, dentre outros teóricos, algumas abordagens institucionais, embora não tenham de modo algum perdido sua validade, em alguns pontos, é possível perceber que estas teorias nem sempre dão conta de descrever os jovens atualmente, diante tanta complexidade tecnológica e de estímulos em que estão inseridos. Com a rapidez do avanço tecnológico as gerações adultas nem sempre conseguem acompanhar e perceber com clareza a naturalidade com que jovens costumam entrar em contato com as TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação). Quando nos referimos as tecnologias nos dias atuais, não podemos pensar apenas nos computadores, na lousa digital, nos vídeos, etc. Temos que incluir neste contexto tecnológico as redes sociais, as quais vêm crescendo muito ultimamente.

 

Partindo do princípio que ainda há instituições educacionais que apresentam uma dificuldade estrutural em inovar, experimentar, reinventar modelos pedagógicos inovadores, participativos, tanto presenciais quanto virtuais, é possível entender que o estímulo aos professores para que eles se tornem colaborativos e inovadores também deixem de existir.

 

As instituições educacionais precisam estimular seus professores a se interessarem por modalidades inovadoras e, por outro lado, o professor também precisa de vontade, motivação e coragem para mudar suas práticas educacionais tradicionais, desta forma, também é possível entender que estes professores precisam ser sensibilizado para aderir à inovação tecnológica.

 

Segundo Crivelaro (2014), em alguns relatos de várias pesquisas já publicadas sobre o assunto, é possível identificar através de depoimentos docentes, os reais motivos para tanta resistência tecnológica ou colaborativa: falta de tempo para trocas entre os colegas; medo de ficar exposto na internet devido aos riscos de segurança e invasores de perfis; não há afinidade com o meio virtual; dificuldade de acesso à internet na região do país onde vivem e exercem a função docente.

 

Apesar das dificuldades relacionadas não dependerem apenas da vontade docente para busca de inovação, é possível observar que uma vez estimulandoo professor ao trabalho de colaboração, surge a curiosidade para participar ou ao menos conhecer, de forma espontânea, os espaços virtuais e ferramentas para modificar, modernizar e acompanhar o processo ensino aprendizagem de uma maneira mais atual voltada a linguagem dos jovens inseridos no contexto educacional do mundo contemporâneo.

 

* Lana Paula Crivelaro é doutora e mestre em Educação (Unicamp) Espec. em Design Instrucional (Unifei); Espec. em Formação de Professores (Grupo IBMEC-SP); Espec. em Educação e Saúde pela Metodologia PBL (UNIFESP/SP). Coordena o Núcleo de Ensino a Distância (NEaD), da Unifor.

 

REFERÊNCIAS:

 

CRIVELARO, L. P. Indicadores que levam um professor a torna-se colaborativo. TESE DE DOUTORADO. Instituto de Educação – da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Departamento de Educação Inovação e Tecnologia – junho - 2014.

 

FARIA, M. A. de; SILVA, R. C. da S. e. EaD: o professor e a inovação tecnológica. Revista Brasileira de aprendizagem Aberta e a Distância, São Paulo, Dez. 2007 – p.1-8.

 

MALDANER, O. A. Princípios e práticas de formação de professor para educação básica. In: SOUZA, J.V.A. (org) formação de professores para Educação básica: dez anos da LDB. Belo Horizonte: Autentica, 2007 – p.211-233.

 

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

 


 
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