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A alegria de ser voluntário

Criado em 2001, o projeto Jovem Voluntário proporciona momentos de descontração através de atividades lúdicas voltadas para pacientes de cinco instituições.

 

un249-14Levar alegria e alívio para quem passa por momentos de dor e sofrimento. Com esse objetivo, a Universidade de Fortaleza criou, em 2001, o projeto Jovem Voluntário. Ligado a vice-reitoria de Extensão, através da Divisão de Responsabilidade Social, o projeto consiste em promover atividades lúdicas voltadas para pessoas internadas em hospitais e associações.

 

Coordenado pela professora Renata Carneiro, o trabalho conta com 202 voluntários e 46 monitores, num total de 240 colaboradores, todos alunos de diferentes cursos da Universidade. Atualmente, na Associação Peter Pan, Lar Torres de Melo, Instituto do Câncer, Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI) e nos hospitais São José e Albert Sabin.

 

De acordo com o chefe da Divisão de Responsabilidade Social da Unifor, prof. Carlos Eufrásio, o projeto tem a preocupação de sensibilizar e contribuir para a formação não só acadêmica do aluno voluntário, mas também pessoal, tornando-o mais solidário através da possibilidade de exercer a alteridade. “Ao mesmo tempo em que possibilita ao aluno levar alegria às pessoas, o voluntariado favorece de forma direta o processo de humanização da sua formação. Esperamos que, ao entrar em contato com essa realidade, o aluno possa adquirir uma visão de mundo diferente, levando em conta o lado humano do seu futuro trabalho”, acredita.

 

Estudante de Psicologia, Lilian Anastácio é uma das alunas que resolveu dedicar parte de seu tempo para ajudar. “Sempre quis muito estar em hospitais, mas nunca tive essa oportunidade até conhecer o projeto. É um momento de interagir e aprender. Ao mesmo tempo em que fazemos os pacientes sorrir, eles também nos fazem”, conta.

 

Conhecidos como “amarelinhos”, devido a cor das camisas do projeto, os 46 monitores junto de seus voluntários se dividem nas cinco instituições beneficiadas de segunda a sexta, com exceção do Hospital Albert Sabin, que recebe a visita também nos fins de semana. São 4 horas por semana de dedicação para os voluntários e 6 horas para os monitores.

 

“Trabalhei com crianças e foi um crescimento pra mim, uma forma de ver melhor as coisas. A gente sempre busca levar dinâmicas diferentes, planejamos atividades especiais no dia das crianças, no dia das mães, tentamos reunir toda a família também. Você acaba revendo seus conceitos. Tem gente que brinca com a gente um dia, mas que pode não estar mais ali na próxima visita”, conta Shamila Vieira, também estudante de Psicologia.

 

Na Cidade da Criança, localizada em um anexo do Hospital Albert Sabin, as crianças internadas participam diariamente das atividades propostas pelo grupo de voluntários, que busca incentivar a brincadeira em grupo, juntando crianças mais tímidas com as mais extrovertidas. De acordo com a coordenadora do local, Izabel Chagas, os amarelinhos causam euforia quando chegam ao hospital. “Quando os voluntários chegam, as crianças se entusiasmam. Só em ver a cor da camisa deles já é uma alegria. Vejo uma melhora significativa no estado das crianças. Os voluntários vêm para somar ao nosso trabalho, cuja demanda é muito grande. A parceria que temos com a Unifor já dura 11 anos e nós só temos a agradecer”.

 

A equipe que trabalha esse semestre na Cidade da Criança tem alunos de Odontologia, Nutrição, Psicologia e Enfermagem. A monitora Patricia Giselle, estudante de Enfermagem, é uma delas. “Eu era voluntária do NAMI e o projeto me incentivou a entrar no programa. Quando vi que podia ser monitora, aproveitei pra continuar mais. Procuro me colocar no lugar do outro. Se uma criança está passando por aqui e percebo que a mãe está mais fechada, vou la conversar. Levamos desenhos para as crianças que não podem sair de seus leitos. Enfim, buscamos sempre melhorar”.

 

Mãe do pequeno Matheus, 5 anos, Mônica Evangelista, 27 anos, teve que se deslocar com seu marido e filho de Jaguaribe em uma ambulância para que Matheus pudesse ter o atendimento médico necessário. Chegando aqui, ficou feliz de encontrar, na Cidade da Criança, voluntários a disposição do filho para que esses dias fossem menos dolorosos para ele. “É bem estressante o tratamento e gostei muito quando soube que tinha a Cidade da Criança e os amarelinhos. Agora, ele só quer saber de vir para cá. Acho o trabalho faz com que as crianças esqueçam um pouco do que passam. Os voluntários são supersimpáticos e atendem bem o que os meninos precisam”, diz.

 

Em constante crescimento, o Jovem Voluntário precisa se adaptar às necessidades de cada local acolhido. “No Lar Torres de Melo, por exemplo, temos a Semana do Idoso, em que os voluntários fazem atividades lúdicas com eles. Temos a semana da pintura, do teatro, da dança, toda semana é um cronograma diferente. Já no Instituto Albert Sabin temos a semana do fantoche, semana da fantasia, semana do livro”, pontua.

 

A união é a chave para o sucesso do projeto. O clima de família entre os envolvidos permite que a harmonia chegue até os beneficiados, como conta a monitora responsável pelo grupo que atua no Albert Sabin, Patricia Giselle. “Comecei como monitora neste semestre e para mim é muito bom, pois ganhei mais responsabilidade. Minha equipe é muito unida, a gente se ajuda, tiramos dúvidas, somos uma família mesmo. A gente acaba se afeiçoando, cria vínculos e passa para os pacientes”, diz.

 

A coordenadora Renata Carneiro explica que, com o reconhecimento do projeto, cada vez mais instituições buscam o trabalho. O aumento da demanda por voluntários teve como reflexo o aumento do número de vagas de estagiários, além da constante melhoria do material que é utilizado dentro das instituições. “Estamos selecionando mais um estagiário e melhorando kits de arte específicos para trabalhar com os pacientes, seja crianças ou idosos. Além disso, estamos negociando com mais um hospital para que ele seja a sexta instituição beneficiada pelo projeto”, revela.

 

Em um mundo de relações pessoais cada vez mais fragilizadas, distribuir e receber calor humano e poder perceber o quanto cada pessoa precisa de outra é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e, consequentemente, menos violenta e indiferente. Quem tiver interesse em participar, deve se comprometer por um período de seis meses, totalizando 80 horas ao final do semestre. Caso haja interesse em continuar envolvido, o aluno pode se inscrever para novamente ser voluntário ou, se for de seu desejo, para monitor do projeto. Para ser monitor, é necessário já ter sido voluntário. Vale lembrar que todo participante que concluir seu período como voluntário recebe certificado válido em todo o Brasil. Funcionários da Universidade também podem participar.

 

“A gente pensa que leva algo para os assistidos, mas você traz muito mais do que leva em termos de afetividade, humanização, crescimento pessoal, maturidade. Que bom se tivéssemos, em outros locais, médicos, advogados, engenheiros e psicólogos com a formação humanista que buscamos aqui na Unifor”, finaliza o prof. Carlos Eufrásio.

 

DEPOIMENTOS

 

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“Nesse semestre estou no Lar Torres de Melo. Lá tem idosos com muitos problemas, seja por abandono ou por não saberem seus direitos. É um aprendizado semanal, você cresce como pessoa, tenta passar um pouco de amor. Muitas vezes não é possível preencher esse vazio, esse abandono. No entanto, elas sentem falta de alguém ao lado delas para dizer ‘estou contigo’. Poder fazer isso é gratificante, uma experiência muito boa, que vai me fazer crescer como profissional e como pessoa”.

 

Alexandre Silva, aluno de Direito e voluntário no Lar Torres de Melo.

 

 

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“Eu já trabalho com voluntariado e acho a iniciativa do Jovem Voluntário muito legal porque iniciou muitas pessoas que quase não tinham contato nessa área. Comecei a ver a realidade hospitalar, mais especificamente das crianças, e a perceber que minha presença podia mudar alguma coisa na qualidade de vida ou na assistência deles. Foi muito gratificante pra mim saber quanto eu podia fazer diferença na vida de alguém. Para o profissional é bom porque a gente aprende a olhar para o outro, para de fazer tudo no automático e passa a prestar atenção”.

 

Angel Alice de Sousa, aluna de Enfermagem e voluntária no Hospital Infantil Albert Sabin.

 
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