Banner

I Simpósio LGBT Unifor: Uma universidade para a diversidade

Diretório Central do Estudantes organiza evento para discutir questões de gênero e diversidade sexual. O objetivo foi aproximar a comunidade acadêmica da temática e engajá-la no combate ao preconceito.

 

un249-02Uma universidade para a diversidade. Esse foi o tema do I Simpósio LGBT Unifor, promovido pela gestão Podemos Mais, do Diretório Central dos Estudantes (DCE), da Universidade. O evento, que ocorreu nos dias 15 e 16 de abril, trouxe à tona discussões acerca da temática LGBT. A luta contra o preconceito deu a tônica dos debates, que tiveram como finalidade ainda esclarecer conceitos.

 

E o que é LGBT? Trata-se de uma sigla que designa lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. No Brasil, o movimento LGBT teve início nos anos 70 e, ao longo de sua história, milhares de pessoas lutaram por aceitação, respeito, reconhecimento e pela garantia de direitos. Pensando em dar maior visibilidade à temática LGBT e convidar mais pessoas para entender e aderir aos seus direitos, o DCE, com apoio da Unifor, organizou uma programação com mesa redonda, palestras, performance, teatro. Entre os participantes estavam grandes referências que foram fundamentais para construir e fortalecer o debate acerca do tema em Fortaleza.

 

Entre as discussões estavam “Cidadania Sexual”; “Filh@s Del@s: Novas Configurações Parentais”; “Micropolíticas das Diferenças: A Inscrição Queer Como Saber Científico-Político”; “Educação para Quem? Problematizando Gênero nos Espaços de Educação”; e “Política Nacional de Saúde Integral da População LGBT”.

 

Segundo o presidente do DCE Unifor, Rafael Magalhães, o simpósio vem sendo construído desde 2013. “Naquele ano fomos para a Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Recife, em que ocorreram discussões sobre a temática do direito LGBT, além de outros movimentos sociais. Chegamos à conclusão de que era preciso trazer para dentro da Universidade essas questões”, explica.

 

“Infelizmente, ainda existe preconceito, homofobia. É necessário conversar sobre direitos LGBTs, identidade de gênero, sexualidade, garantir a utilização do nome social. O evento foi aberto, não só para a Universidade, mas para toda a comunidade, os movimentos que constroem a luta diária pelos direitos humanos. Por isso convidamos pessoas que estão na linha de frente pelos direitos LGBTs. Como representantes dos estudantes, precisamos defender essa parcela na Universidade”, continua Rafael Magalhães.

 

Professor do curso de Psicologia, Álvaro Rebouças acredita que a Universidade é ambiente imprescindível de debates ligados à diversidade sexual. “A Universidade é um espaço de discussão e essa é uma maneira de os alunos se organizarem e trazerem para dentro da Unifor um movimento que é mundial”.

 

Para o coordenador de Políticas Públicas para a Diversidade Sexual da Prefeitura de Fortaleza, Jorge Pinheiro, é de suma importância que a Universidade se preocupe em desenvolver ações voltadas às questões de gênero. “Gênero envolve várias questões, é um universo amplo. Mais especificamente, esse simpósio trabalhou as questões da diversidade sexual. Debater fortalece cada vez mais o movimento dentro da Universidade, o movimento social como um todo e também as políticas públicas desenvolvidas pelos governos municipal, estadual e federal. A Unifor está de parabéns pela iniciativa, que eu espero que continue por outros anos”.

 

Diretora da UNE, Germana Amaral, esteve presente na primeira mesa do simpósio. Na sua opinião, é preciso dar passos a frente no combate às opressões e à homofobia dentro das universidades. É fundamental que a academia estude e debata questões de gênero, por se tratar um espaço formador de opinião. “A gente espera que isso influencie outras universidades, outras organizações estudantis e que mais estudantes e mais espaços possam debater como é tratada a homofobia dentro das universidades, como são tratadas as transexuais, as lésbicas em outros milhares de ambientes universitários”.

 

“É vital a gente discutir diversidade sexual, principalmente no ambiente universitário. Espero que o simpósio sirva para abrir os olhos dos estudantes, tanto LGBTs quanto os heterossexuais, de que a diversidade existe, é uma realidade que não podemos fingir que não existe. Estamos passando por um processo político difícil, em que podemos observar comentários homofóbicos, racistas, tanto nas redes sociais quanto em jornais online. Eu fico preocupada com o futuro dos LGBTs aqui no Brasil, mas espero que iniciativas como essa sirvam justamente pra isso e que tenham mais eventos relacionados a comunidade LGBT aqui”, opina Clara Magalhães, aluna do 7º semestre do curso de Jornalismo da Unifor.

 

“Quando eu conheci o movimento feminista eu era a Claudinha. Mas fui me reconhecendo: eu sou um homem. Mas ai tem os seios, a fala e vão dizer: ‘ah, mas é uma mulher’. Aí a minha identidade é desrespeitada, a minha individualidade, o meu direito de ser aquilo que eu determino ser. Não é a sociedade que diz o que eu devo ser. Hoje ainda é enorme o número de crimes sofridos pela comunidade LGBT. Ainda percebemos muita intolerância. A escola, a universidade têm um papel determinante. Elas podem sim construir uma sociedade de paz e tolerância a partir do momento em que se preocupa em pautar essas questões”, acredita Rodrigues Cláudio Lima, transsexual. Antes Cláudia Rodrigues Lima, ele conseguiu mudar o nome juridicamente. Vale lembrar que o Escritório de Práticas Jurídicas (EPJ) da Unifor atende a esse tipo de demanda. Atualmente, Rodrigues busca a cirurgia de mudança de sexo junto ao Sistema Único de Saúde (SUS).

 

MILK – Movimento pela Identidade, Liberdade e Cultura LGBT da Unifor

 

Harvey Milk foi um líder visionário na luta dos direitos humanos, tornando-se um dos primeiros candidatos abertamente homossexuais eleitos nos Estados Unidos, quando ganhou um assento na Comissão de Supervisão de São Francisco, em 1977. Sua luta corajosa marcou o governo americano e trouxe esperança para a comunidade LGBT em uma época ainda mais opressora. Sua carreira foi curta, finalizada por um assassinato um ano após ser eleito, ato que só provou que sua luta era, além de justa, necessária.

 

Em sua homenagem, os alunos da Unifor tiveram a percepção e a sensibilidade de trazer para dentro da Universidade a discussão sobre a temática LGBT não só por meio do simpósio, mas criando um movimento a favor da causa.

 

De acordo com Rafael Magalhães, presidente do DCE, a partir do I Simpósio LGBT Unifor será construído dentro da Universidade o Movimento de Identidade e Liberdade e Cultura LGBT, o MILK. A ideia é realizar intervenções, palestras, formar grupos de estudos e pesquisa, entre utras atividades. “A construção do simpósio não é recente, mas resultado de um processo de amadurecimento teórico e prático, dentro da Unifor. A curiosidade e a inquietação com esses temas surgiram do cotidiano, das disciplinas, do engajamento nas pesquisas e laboratórios. Queremos que o MILK seja a extensão disso tudo e do simpósio. Vamos lutar pelos direitos LGBTs dentro da Universidade. Temos um compromisso com alunos, independente de cor, religião, estado civil, condição social”.

 

DEPOIMENTOS

 

un249-04

 

 

“Esse evento tem uma grande importância tanto para a instituição, para que ela tenha reconhecimento no mercado como uma universidade que valoriza e resguarda os direitos da população LGBT, e também para a própria população LGBT, que acaba sendo melhor aceita no mercado, na educação. A tendência é eliminar o racismo institucional. Eu acredito que a iniciativa do simpósio seja bem importante, também pela repercussão. Os participantes vão levar o que aconteceu para aqueles que não participaram e agora que as portas estão sendo abertas, outras iniciativas assim possam acontecer”.

 

Antônio Carlos Rodrigues, aluno do Mestrado em Saúde Coletiva da Unifor

 

 

 

un249-05

 

 

“Venho acompanhando a luta de muitas meninas travestis e transsexuais que tentam entrar na faculdade e que exigem o direito de utilizar o nome social. Então, trazer uma discussão sobre cultura LGBT para a Universidade tem a ver com acessibilidade, visibilidade. Vim falar um pouco sobre como a arte está colaborando para que a cultura LGBT também tenha espaço, seja no teatro, na dança, música, cinema, fotografia, publicidade”.

 

Silvero Pereira, ator, diretor e dramaturgo.

 

 

 

 

 

un249-03

 

 

“Trazer essas discussões para a Universidade é importante para esclarecer, abrir a mente de muita gente. Vim falar sobre minha experiência como a Raimundinha, do processo de aceitação da personagem dentro de lugares héteros. Eu comecei em 1986 e Fortaleza era uma cidade ainda mais preconceituosa do que é hoje. Quando criei a Raimundinha eu não fui para o público LGBT, pois queria quebrar barreiras, ultrapassar o gueto e divulgar o trabalho de um transformista para outros públicos. No começo tive problemas, mas depois as pessoas passaram a aceitar e admirar. Não se força ninguém a aceitar nosso trabalho, mas se a gente se impor, dá certo. Sabe quem é a Raimundinha? É um homem vestido de mulher”.

 

Paulo Diógenes,  humorista, transformista e vereador de Fortaleza.

 
Banner
Banner

Unifor Notícias | Portal Unifor | Fundação Edson Queiroz
Estude na Unifor | Central de Atendimento | Twitter
Fundação Edson Queiroz todos os direitos reservados