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Raridades da literatura mundial na Biblioteca de Acervos Especiais da Unifor

Composto por 7 mil volumes, divididos por assuntos como Literatura, Artes, Biografias, História do Ceará e Direito, a biblioteca reúne obras consideradas raríssimas.

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Nacionalmente reconhecida como uma das maiores fomentadoras da apreciação da arte, a Universidade de Fortaleza, ao longo dos anos, trilhou um sólido caminho de estímulo às manifestações artísticas e à cultura. Seguindo esse caminho, a Fundação Edson Queiroz colocou à disposição do público em geral a Biblioteca de Acervos Especiais. Localizada no primeiro piso da Reitoria da Unifor, a biblioteca abriga um acervo composto por cerca de 7 mil volumes, divididos por assuntos como Literatura, Artes, História do Ceará, Biografias, Direito, entre outros.


De acordo com a curadora responsável pela biblioteca, Cecília Bedê, o local é dividido em dois espaços. O primeiro recebe exclusivamente os livros correspondentes à parte da biblioteca particular de Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo Matarazzo, um dos principais mecenas da história do Brasil e fundador do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) e criador da Bienal Internacional de São Paulo. Ao todo, são mais de 3 mil exemplares. Já a segunda sala abriga demais livros adquiridos pela Fundação Edson Queiroz, além de doações. “Eles são considerados especiais, pois se diferenciam de alguma forma. São raros, pela encadernação, pela data, pelo autor ou mesmo pelo histórico da coleção, quem era o colecionador ou o organizador, por exemplo”, explica Cecília.


Dentro da rara coleção de livros que pertenceu a Ciccillo Matarazzo é possível encontrar a primeira edição, datada de 1750, da “Opere Varie di Architettura”, de Giovanni-Batista Piranesi, considerado o maior gravador do século 18. A obra traz a série completa de gravuras dos cárceres de Roma. Também presente está a primeira edição, de 1835, da “Malerische Reise in Brasilien”, do ilustrador alemão Moritz Rugendas. O volume é composto por 100 litografias que retratam características físicas, hábitos e costumes da população brasileira. Edições assinadas por modernistas como Marc Chagall e Max Ernst também compõem a coleção. Também merecem destaque “Menino de Engenho”, de José Lins do Rego, com ilustrações originais de Cândido Portinari. O álbum “Miserere”, do artista Georges Rouault, com 58 litografias de grandes dimensões e “As Vidas dos Pintores, Escultores e Arquitetos”, de Giorgio Vasari, pintor e arquiteto italiano conhecido principalmente por suas biografias de artistas italianos. Outra presença importante para a composição é a coleção da Sociedade dos Cem Bibliófilos, formada pelos 23 volumes realizados na época, o que a torna completa.

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“Estes livros contêm algo de artístico, como uma ilustração ou uma encadernação mais antiga e trabalhada com iluminuras. Há livros de história em que as ilustrações são feitas com pigmento de ouro. Livros com aquarela feita à mão, com gravuras originais. Isto é, todo o acervo está voltado para a arte”, conta Cecília Bedê.


Já no restante da biblioteca estão presentes livros raros como Dante con L’espositioni di Christoforo Landino (1578); Geschichte in Brasilien (Maurício de Nassau), de Gaspar Barleus (1659); Castrioto Lusitano, de Raphael de Jesus (1679), além de livros especiais de Direito. Outros destaques são as publicações do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro de 1840 a 1964; o Arquivo da História do Ceará organizado por Thomaz Pompeu Gomes de Matos; e o acervo de Francisco Pati, escritor, advogado e conselheiro da Bienal Internacional de São Paulo.


“Visitar a Biblioteca de Acervos Especiais e se debruçar sobre seu acervo é como descobrir tesouros sucessivamente, um após o outro. A diferença é que esses tesouros não estão escondidos, tudo está ao alcance de quem se dispuser a explorá-los. O valor artístico e histórico das obras aqui reunidas se deve não só ao talento de seus autores ou editores, nem apenas ao período em foram produzidas, mas principalmente à beleza e riqueza de conteúdo que apresentam. Uma dica: quando visitarem, peçam para ver o livro de Dom Quixote ilustrado por Salvador Dalí; é divino”, sugere o chefe da Divisão de Arte, Cultura e Eventos da Unifor, prof. Thiago Braga.


RESTAURO E CONSERVAÇÃO

 

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No Setor de Conservação e Restauro, as obras passam por
um processo de higienização. Caso necessitem, são realizados
procedimentos como reestruturação, encadernação,costura,
entre outros.

De acordo com a curadora Cecília Bedê, muitos dos livros da biblioteca precisaram passar por um processo de restauração. “Em um acervo tão rico, a manutenção nunca para”, conta. Por esse motivo, a Universidade criou o Setor de Conservação e Restauro. O local trabalha com a conservação preventiva e a conservação reparadora ou restauro. “Tudo vai depender do diagnóstico que fazemos da obra”, explica o restaurador Luis Gerônimo.


De acordo com Luis Gerônimo, inicialmente as obras passam por um processo de higienização, em uma mesa específica para este fim. Depois, é feita uma ficha técnica com todas as características físicas do livro e o que deve ser feito, caso ele necessite de maiores intervenções. “Quando identificamos insetos, por exemplo, precisamos desmontar o livro caderno por caderno. Em alguns casos, é preciso um banho químico para recuperar a fibra”, fala Francisco Gomes, também restaurador.


Entre os procedimentos destinado ao tratamento, resgate estrutural e recuperação do livro estão a realização de remendos, aplicação de lombadas, remoção de fungos e ferrugens, reestruturação de suportes, remontagem, costura, reforços, velaturas e encadernação. A restauração artística é um trabalho meticuloso, que exige habilidade e paciência. “Temos livros de 500 anos. Imagine só pelo que ele já passou!”, observa Francisco Gomes.


“Existem bibliotecas que não restauram. Isso vai depender do objetivo de cada uma. A nossa biblioteca é acessível ao público, então precisamos prezar pela conservação das obras, para que elas possam ser manuseadas”, finaliza Cecília Bedê.


Vale ressaltar que a biblioteca é mantida em condições especiais para evitar a degradação dos livros. Climatização constante, ambientação e mobiliário adequados, limpeza com procedimentos e materiais especiais, inspeção contra presença de insetos, confecção de caixas para guardar obras mais sensíveis, entre outras medidas.


“O trabalho de restauro dos livros da Biblioteca de Acervos Especiais é contínuo e não se esgota, dado o grande volume de obras do acervo. A curadora Cecilia e sua equipe vêm desempenhando um trabalho muito bem-sucedido nesse sentido, haja vista que o ambiente é visitado tranquilamente por pessoas alérgicas, as quais não costumam sentir qualquer desconforto. Ou seja, o restauro é importante para a memória aqui preservada e também para a saúde dos visitantes”, aponta o prof. Thiago Braga.


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Coleção: Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil

Em 1943, o empresário Ottoni de Castro Maya decide criar uma sociedade de bibliófilos na cidade do Rio de Janeiro. A Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil tinha como objetivo realizar edições de livros com alta qualidade gráfica. Cada edição tinha uma tiragem de 120 exemplares dos quais cem eram distribuídos entre os membros da sociedade e os outros vinte eram enviados para as principais bibliotecas do país e do exterior. Faziam parte da comissão executiva da sociedade D. Pedro de Orleans e Bragança, Afrânio Peixoto e Ottoni de Castro Maya. Entre os membros estavam Carlos Lacerda, Walter Moreira Salles, José Midlin, Francisco Matarazzo Sobrinho, Yolanda Este livro é composto por trechos escolhidos de Dom Quixote, de Cervantes, e 12 litografias originais, somadas a técnicas como aquarela e colagem, do artista Salvador Dalí. Com uma tiragem de 197 volumes, este foi o primeiro livro ilustrado por Dali. Editado por J. Foret. Penteado, Roberto Marinho, Israel Klabin, entre outros. Podemos considerar os livros publicados pela Sociedade como livros de arte. Suas principais qualidades são: edições de tiragem limitada, numeradas, cujos ilustradores são artistas convidados de renome nacional. As edições possuem beleza tipográfica e são realizadas em papéis de alta qualidade, selecionados especialmente para a impressão. Entre os autores estão Jorge Amado, Euclydes da Cunha, Manuel Bandeira, Lima Barreto, Olavo Bilac, Machado de Assis, Mario de Andrade. Entre os ilustradores, Candido Portinari, Djanira, Poty, Di Cavalcanti, Iberê Camargo e Maciej Babinski.

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Dante con L’espositioni di Christoforo Landino, et D’Alessandro Vellvtello, 1578


Esta edição reúne os dois comentários mais importantes do Renascimento, sobre a Divina Comédia, de Dante: o de Christoforo Landino, celebrando a redescoberta de Dante pelos florentinos após dois séculos de esquecimento e o comentário de Alessando Vellutello, que ilustra a passagem da tradição florentina para interpretação moderna. O livro é composto por 96 figuras gravadas em madeira, reproduzidas na edição de 1544. O retrato do título é atribuído a Vasari ou foi copiado de uma pintura por Vasari.


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Don Quichotte de la Manche: lithographies originales par Salvador Dalí, 1957


Este livro é composto por trechos escolhidos de Dom Quixote, de Cervantes, e 12 litografias originais, somadas a técnicas como aquarela e colagem, do artista Salvador Dalí. Com uma tiragem de 197 volumes, este foi o primeiro livro ilustrado por Dali. Editado por J. Foret.


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Miserere, Georges Rouault, 1948


A série de gravuras foi encomendada ao artista Georges Rouault originalmente como um dos inúmeros projetos de livros ilustrados, concebidos pelo negociante parisiense Ambrose Vollard. A obra deveria ter sido constituída por 100 pranchas. Acabou sendo formada por 58. Miserere transmite o legado espiritual de Georges Rouault. O tema sofrimento humano, que conecta cada imagem, se relaciona intimamente com a visão espiritual do artista. É, simultaneamente, uma acusação da crise espiritual de Rouault na França, que encontrou sua criação em uma época marcada pelo niilismo de Nietzsche e culminou em um governo republicano anticlerical.


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Geschichte in Brasilien, Gaspar Barleus, 1659


A obra é uma das mais significativas do chamado Brasil Holandês, constituindo uma das três versões existentes do texto de Gaspar Barleus, famoso humanista holandês do século XVII, sobre o governo de Maurício de Nassau. Esta tradução alemã é mais rara do que a segunda edição, em latim, publicada pelo mesmo impressor. Contém um relato da vida de Nassau após sua partida do Brasil, inexistente em outras edições.


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Arquivo Thomaz Pompeu e a História do Ceará, a partir do século XIX


O jornalista e fotógrafo Thomaz Pompeu Gomes de Matos reuniu livros e pastas fotográficas que contam a história do Ceará em aspectos especiais como retratos das cidades, famílias tradicionais, acontecimentos marcantes e figuras como coronéis e cangaceiros.


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Coleção do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro


Criado em 1838, o Instituto é considerado a mais antiga e tradicional entidade de fomento da pesquisa e preservação histórico-geográfica, cultural e de ciências sociais do Brasil. As revistas trazem memórias, documentos e artigos. Entre as publicações estão os Anais dos Congressos de História Nacional do IHGB (1914, 1931, 1938, 1939); Biografia de D. Pedro II, 1925; Primeiro Centenário da Imprensa no Brasil, 1908; e Ano da Independência, 1922.


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Opere Varie di Architettura, Giovanni Battista Piranesi, 1750


Piranesi foi um artista italiano famoso pelas suas gravuras da cidade de Roma e pelas imaginativas e atmosféricas gravuras de prisões. As “Prisões” consistem numa série de 16 gravuras onde figuram enormes subterrâneos, escadarias, monumentais e máquinas de grandes dimensões. São estruturas labirínticas de dimensões épicas, mas aparentemente vazias de propósito e função. As “Prisões” de Piranesi são visões originais e pessoais que se encontravam, em termos de expressão artística, à frente de seu tempo. Constituíram uma importante influência no aparecimento posterior dos movimentos Romântico e Surrealista.


SERVIÇO

Biblioteca de Acervos Especiais
Prédio da Reitoria – 1º andar
As visitas devem ser agendadas.
Horário: 9h às 11h30 e 14h às 17h30 (de terça a sexta-feira) e 9h às 13h (sábado)
Telefone: (85) 3477-3823

 



 

 

 

 




 
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