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Nami é referência em reabilitação no Norte e Nordeste

O setor de reabilitação do Núcleo de Assistência Médica Integrada (Nami) serve de campo de prática para alunos, oferecendo atendimento pelo SUS para pacientes de Fortaleza e do interior.

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Em 2014, o Nami tornou-se Centro Especializado de Reabilitação tipo 2,
que trata pacientes em dois tipos de deficiência. No caso do Nami,
auditiva e física.


O cotidiano é construído com o fazer singular de cada indivíduo em diferentes contextos. A saúde se caracteriza pela possibilidade de um viver criativo, mesmo e apesar da presença de alguma doença ou deficiência. Eventos ou problemas de saúde que interrompem a continuidade do desenvolvimento podem dificultar a construção de uma vida com qualidade ou levar ao rompimento do reconhecimento mútuo entre a pessoa e o contexto ao seu redor, o que ocasiona situações de dificuldades de inserção social. Quando um acidente, doença ou deficiência levam a uma quebra da construção contínua do cotidiano, a retomada desse processo exige a assistência de um profissional. Referência regional no processo de reabilitação, o Núcleo de Assistência Médica Integrada (Nami), da Unifor, recebe crianças ou adultos que buscam suprir eventuais problemas da fala, do andar e de movimentos em determinadas partes do corpo.


O Nami atende, anualmente, cerca de 44.000 pacientes. São realizados cerca de 182.000 procedimentos, desde de consultas médicas, exames laboratoriais, vacinas, serviços especializados de diagnóstico e imagem, nutrição, enfermagem, psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Em 2014, tornou-se Centro Especializado de Reabilitação (CER II), onde destacamos a equipe de reabilitação que é composta por 25 profissionais de saúde distribuídos nas áreas de Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia e Psicologia. São cerca de 425 pacientes ao mês nas reabilitações motora e auditiva.


De acordo com a terapeuta ocupacional Clênia Sabóia, desde sua criação, em 1977, o Nami tem como objetivo estar inserido no cenário social. “O Nami surgiu para atender a população do Dendê, que na época era uma população pequena, e também para suprir a demanda dos cursos da área da Saúde da Unifor, servindo de campo de prática para os alunos. Ainda não existia o Programa Saúde da Família e o Nami já trabalhava dentro da comunidade, fazendo visitas domiciliares. A visão da reabilitação sempre foi muito forte dentro desse contexto. No início contávamos com Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Depois sentiu-se a necessidade do profissional de Psicologia. Assim, o Nami torna-se uma referência em reabilitação. Saímos da população do Dendê e passamos a atender toda a região metropolitana de Fortaleza, inclusive do interior, e passar a ser referência no Norte e Nordeste”.


Segundo Rodrigo Escalante, diretor-geral do Nami, o espaço foi reconhecido em 2014 pelo Ministério da Saúde como Centro Especializado em Reabilitação do tipo 2, que trata de pacientes em dois tipos de deficiência. No caso do Nami, auditiva e física. “Temos dois setores que tratam prioritariamente desses pacientes, que é a Fonoaudiologia, com a reabilitação auditiva, e o setor de reabilitação de múltiplas deficiências, que atende pacientes com deficiências física e intelectual. Na Estimulação Precoce tratamos crianças com atraso de desenvolvimento neuropsicomotor, ou seja, crianças com síndromes genéticas, com paralisia cerebral, deficiência intelectual, muitas vezes associada à deficiência física. No Programa de Integração Socioeducacional tratamos crianças com deficiência intelectual, não associada à deficiência física, a maioria com transtorno do espectro autista”, explica.


“Atualmente, o Nami conta com programas de integração, um momento importante para o serviço de reabilitação, onde o paciente tem uma visão mais aprimorada e um trabalho mais interdisciplinar para preparar sua autonomia na vida e nas atividades profissionais. O grande objetivo dessa equipe sempre foi e continua sendo dar autonomia a esse paciente para que ele tenha uma atividade biopsicossocial bem independente”, conta Clênia Sabóia.


De acordo com a fisioterapeuta Evenne Silva, “na área neurológica, a fisioterapia atua no sentido de detectar precocemente sinais de alarme ao desenvolvimento neuropsicomotor dessa criança, intervindo com sessões semanais ou acompanhamentos mensais, conciliando com orientações aos cuidadores para realização de atividades em casa, efetivando assim o tratamento, aumentando a chance de reduzir os impactos causados pelos fatores de risco na primeira infância”.


Segundo a psicóloga Idenilza Barbosa de Lima, o Programa de Inclusão Sócio Educacional (Proisi) recebe crianças com transtornos psicológicos, de três a cinco anos e meio, num trabalho interdisciplinar com Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Psicologia. “O trabalho da Psicologia é fazer reuniões com os pais ou responsáveis. Nos reunimos em grupos focais, alunos estagiários também vêm para fazer tanto a parte de observação dos atendimentos, quanto para fazer as entrevistas com os pais para conhecer a realidade do dia a dia, além do acompanhamento que fazem na escola, para ver como anda a inclusão dessas crianças em seu ambiente de estudo. As crianças chegam com transtornos psicológicos, muitas vezes graves e permanentes, com diagnóstico de autismo, hiperatividade, déficit de atenção. Não trabalhamos em cima de diagnóstico, mas em cima das dificuldades que a criança ou o adulto ou idoso está apresentando. Nós colocamos todos em uma avaliação periódica e desenvolvemos um plano, determinando que tipo de atendimento vão ter”, aponta.


Berenice Maria de Araújo, mãe dos gêmeos Gabriel e Guilherme conta como o tratamento realizado no Nami vem influenciando positivamente a vida dos filhos, autistas. “Faz mais de um ano que meus filhos estão fazendo tratamento. Antes o Gabriel não parava quieto, não dava atenção para as pessoas. Já o Guilherme era muito tímido e violento, não falava nada e não deixava ninguém encostar nele. Desde que fui indicada para o Nami eles já evoluíram bastante. O Gabriel já presta atenção ao que falamos. O Guilherme está bem menos agressivo, está desenvolvendo a fala, porque não falava, já pede as coisas e identifica números e cores. O Nami foi uma salvação para os meus filhos, se não fosse este espaço nem sei como as crianças estariam, porque tratamento para crianças autistas é muito difícil, eu já tinha recorrido a várias pessoas e não tinha conseguido”.


A coordenadora do curso de Fonoaudiologia da Unifor, Rachel Cassiano, afirma que o Nami possui uma relevância histórica no que diz respeito à qualidade dos atendimentos. “É um equipamento de saúde que conta com uma completa estrutura para a oferta dos serviços em Fonoaudiologia Clínica. Desse modo, os alunos do curso possuem um campo de prática privilegiado, onde eles encontram conforto, demanda de pacientes compatível com as necessidades do curso, profissionais qualificados. Além do ensino, o Nami também é campo de extensão, onde os alunos participam de projetos de extensão e estágios extracurriculares, engrandecendo ainda mais a formação do nosso aluno. Eles aprendem desde os conceitos básicos da profissão até o desenvolvimento de habilidades e atitudes que precisam para a sua completa formação profissional. Interagem com os professores, pacientes, funcionários e alunos de outros cursos, favorecendo ainda a interdisciplinaridade”.


DEPOIMENTOS

un247-21O Miguel é um bebezinho que veio para o Nami com dias. Ele tem Síndrome de Down. À medida em que fui fazendo os exames, soube que ele precisava de estimulação precoce. Aqui ele começou a fazer o acompanhamento com fisio, fono, T.O, para que consiga acompanhar as outras crianças. Ele já está sentando com mais equilíbrio, tendo um bom desenvolvimento. O tratamento é de longo prazo e esse apoio do Nami é essencial”.


Loana Lopes Pinheiro, mãe do Miguel.

 

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“O Programa de Inclusão Sócio Educacional trabalha reabilitando crianças que têm autismo e outras síndromes. Focamos mais na linguagem verbal. Algumas crianças não conseguem se comunicar verbalmente e a gente tenta ajudar para que se comuniquem com gestos, usando imagens. Tentamos adaptar para aperfeiçoar até que consigam se comunicar de uma forma verbal, que é o nosso maior objetivo. Tentamos fazer com que atinjam o nível de, pelo menos, expressar palavras pequenas”.


Enaili Cristina Mendonça, fonoaudióloga do Nami.

 

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“Em uma das consultas ao pediatra, observei que ela tinha a mania de ficar em pé com o pezinho torto sempre para o mesmo lado. Sou leiga, então perguntei ao pediatra e ele sugeriu um diagnóstico de hipotonia, que é o afrouxamento dos tendões, que causa estalos e pode fazer a criança cair com facilidade. A pediatra nos encaminhou para fazer fisioterapia e, no posto de saúde me deram três opções, entre elas, o Nami. Comecei a fazer as avaliações com ela e já estamos aqui há sete meses. Acredito que hoje a minha filha tem melhorado muito, com os ligamentos mais arrochados, vejo claramente que a Maria está se desenvolvendo”.


Dalmirinha Teixeira Rocha
, mãe da Maria Valentina.

 

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“Para uma criança ser atendida aqui ela tem que passar pela atenção básica, onde vai ser atendida por um pediatra, psiquiatra ou neurologista. Depois dessa consulta é que o médico vai ter o diagnóstico e encaminhar para o Nami”.


Idenilza Barbosa de Lima
, psicóloga do NAMI.

 

 

 
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