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O amor e suas possibilidades

com Claudia Ohana, Helena Ranaldi e Regiane Alves


un245_22As atrizes Cláudia Ohana, Helena Ranaldi e Regiane Alves diferem em muitos aspectos: trajetórias artísticas – a primeira começou pelo cinema, a segunda pelo teatro e a terceira através de comerciais para a televisão – personalidades, escolhas e momentos de vida – uma acaba de ser avó, outra tem um filho adolescente e a última se tornou mãe pela primeira vez ainda esse ano. Porém, ao subirem no palco com Amor Perverso, adaptação do texto da autora chilena Inés Margarita Stranger, que esteve em cartaz no mês de novembro no projeto Teatro Celina Queiroz Grandes Espetáculos, elas entram em total sintonia. Na peça, dirigida por Luiz G. C. Valcazaras, elas encarnam os diferentes estados assumidos pela mesma mulher ao se deparar com a realidade dura da perda. Mesmo tão diversas, as atrizes concordam: sofrendo ou não, é preciso viver o amor e todas as suas possibilidades. Em entrevista ao Unifor Notícias, as três falam sobre esse sentimento tão grande, suas diversas faces e os desafios de uma carreira cheia de escolhas.


Unifor Notícias: Vocês são atrizes consagradas, têm admiração do público e da crítica. Mas como foi o início dessa jornada até o sucesso?


Helena: Bom, eu sou de São Paulo. Eu comecei essa carreira trabalhando com o diretor Antunes Filho durante dois anos. Mas acabei fazendo minha estreia profissional dentro da televisão na rede Manchete. Depois fui para a TV Globo, me mudei para o Rio de Janeiro, e aí comecei a fazer teatro, algumas peças. Hoje faço televisão, teatro e, no cinema, fiz apenas um filme.


Cláudia: Nasci no mundo do cinema, minha mãe era montadora de cinema. Aos 12 anos eu já fazia fotografia, já participava. Mas comecei profissionalmente mesmo aos 15 anos. Fiz bastante cinema, depois parti para a televisão e só depois que eu fui fazer peças. Estreei no teatro depois da novela Vamp, em 92, com The Rocky Horror Show, um musical. Desde pequena eu canto. Pensei que fosse ser cantora, na verdade. Tocava violão, porque minha mãe me ensinou, e achava que essa ia ser a minha profissão, mas a vida foi me levando
para ser atriz.


Regiane: Acho que tudo começou no colégio. Eu era a menina que participava de concurso de poesia, de dança, peça, aeróbica. Minha escola incentivava muito. Comecei muito cedo fazendo comercial, com 13 anos. Então passei a fazer comerciais com texto e parti para o teatro, na época junto com a faculdade. Até que em 96 eu fiz a oficina de atores da Globo e em 98 estreei no SBT, na novela Fascinação, do diretor Walcyr Carrasco. De lá fui para a Band e depois cheguei a TV Globo. Sempre fazendo televisão e teatro juntos, só depois entrou o cinema.


Unifor Notícias: A peça Amor Perverso expõe os conflitos de uma mulher, através de três representações, enquanto vive e tenta superar o luto de um amor perdido. Ela tem medo de vivê-lo novamente por não querer sofrer. Qual a parte mais fácil quando a gente fala de amor?


Regiane: Acho que é viver o amor. Acho que você tem que viver o amor para saber tudo, o lado bom e o lado ruim. É inevitável, acho que quando a gente nasce a gente tem que passar por esses momentos e isso nos torna pessoas melhores.


Unifor Notícias: Helena, suas personagens na televisão são bem marcadas pela temática do amor e do sofrimento, como a professora Raquel, em Mulheres Apaixonadas. Como se dá a construção desse tipo de papel?


Helena: Não é bem uma questão de preparação, acho que a gente trabalha muito com a vivência que a gente tem. Eu já sofri muito por amor. Não só por amor, mas por outras questões na minha vida. Então eu conheço o que é o sofrimento. Se eu não conhecesse, acho que seria mais difícil trazer isso para uma personagem. O que eu faço é buscar a minha memória afetiva do sofrimento e jogar nas cenas.


Unifor Notícias: É a primeira vez que vocês estão juntas em cena. Como foi esse processo?


Helena: Foi um processo interessante porque no palco a gente tem que ter uma cumplicidade grande, isso influencia bastante no trabalho, e acho que a gente conquistou isso. Eu já conhecia a Regiane, nós já havíamos trabalhado juntas. A Cláudia já havia trabalhado também, mas nunca contracenado. A gente se conhecia muito superficialmente. No teatro, conhecemos de fato as pessoas. E descobrimos uma química interessante. Em tudo. Tem cumplicidade, generosidade, alegria, a gente se diverte muito juntas. Então está sendo muito tranquilo, acho que o processo foi muito gostoso por causa disso.


Unifor Notícias: Regiane, quando os ensaios da peça começaram, seu bebê estava com 4 meses. Como foi sair de perto nesse momento? Foi doloroso?


Regiane: Foi bacana porque foi no Rio de Janeiro, foi perto de casa, a gente ensaiava a tarde e eu conseguia botar ele para dormir. Agora nessa viagem é que foi um pouco mais difícil, fiquei me perguntando se deixava, se trazia. Tive que levantar um pouco mais de questões. Mas quando nasce um filho, nascem mil questões em uma mãe e um monte de culpas também. Acho que a palavra agora é saber administrar. A vida de mãe, a vida como atriz. E não só por eu ser atriz, acho que toda mãe precisa disso, achar esse equilíbrio. Faz bem.


Unifor Notícias: Parte da renda obtida através do Projeto Teatro Celina Queiroz Grandes Espetáculos é revertida para espetáculos locais e assim inseri-los no circuito nacional. O que vocês acham desse tipo de incentivo?


Cláudia: É importantíssimo estimular e patrocinar essas iniciativas. Poder estar aqui ajudando é incrível. O Nordeste é dono de uma cultura muito forte, tem que ir mais para o Sul e Sudeste. A gente tem muito a aprender com vocês, precisamos assistir mais o que vocês produzem.


Unifor Notícias: Além de excelentes atrizes, vocês são mulheres muito bonitas. O amor ao trabalho, a dedicação a TV e ao teatro, o que faz com que vocês permaneçam tão jovens?


Regiane: Eu sou muito ativa, gosto de atividades físicas pelo meu bem-estar. Acredito que a necessidade de manter uma boa forma é que tem a ver com o trabalho. É legal a gente ter um corpo com um tônus, um corpo que você possa usar para fazer um musical, para fazer uma personagem que é corcunda, fazer uma personagem que é esguia. Acho que a gente tem que deixar afinado nosso corpo porque é o nosso instrumento de trabalho.


Helena: Acho que a gente trabalha com a nossa imagem, por isso temos sempre que cuidar da nossa pele, do nosso corpo. Mas também nos cuidamos para nos sentir bem, para termos saúde. Para além do trabalho, é isso que importa.


Unifor Notícias: Que mensagem vocês deixariam para quem estuda teatro hoje em dia?


Regiane: Acho que a gente tem que viver. Não deixar de viver as coisas, porque você sempre vai precisar desse repertório para fazer as personagens. E, quando entrar no palco, divirta-se!


Cláudia: É isso! Divirtam-se!


Perfis

Cláudia Ohana
Aos 51 anos, a atriz já contabiliza 32 papéis na televisão e 18 no cinema. Como cantora, também fez participações em obras como Ópera do Malandro e A Novela das 8. Um de seus mais marcantes personagens é a vampira Natasha, de Vamp, de 1992. Ao lado do ex-marido Ruy Guerra, deu à luz a filha Dandara Guerra, que hoje também trabalha como atriz. Em maio de 2005, ganhou seu primeiro neto, Martim.


Helena Ranaldi
Começou a trabalhar em novelas na Rede Manchete, mas se consagrou a partir dos anos 2000 em uma sequência de parcerias com o autor Manoel Carlos, atuando em Presença de Anita, Laços de Família e Mulheres Apaixonadas. A última rendeu um dos personagens mais marcantes de sua carreira: Raquel, uma professora de educação física que sofria agressões e espancamentos do ex-marido. A atriz possui apenas um filho, Pedro, de 16 anos.


Regiane Alves
Trabalhando com comerciais desde os 13 anos, a atriz foi reprovada, em 1996, para um teste do folhetim juvenil Malhação. Somente em 1998, no SBT, conseguiu seu primeiro papel como protagonista na novela Fascinação. Em 2000, foi convidada a participar da minissérie A Muralha, na Globo. Porém, o reconhecimento de seu talento veio a partir da novela Mulheres Apaixonadas, em 2003, onde viveu a personagem Dóris. Em abril de 2014, foi mãe pela primeira vez, dando à luz João Gabriel.

 

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 245

 
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