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Espaço Cultural Unifor: 10 anos de reinauguração

Reconhecido espaço de apreciação da arte, o Espaço Cultural Unifor comemora 10 anos de sua reinauguração, recebendo exposições de porte internacional, abrigando obras dos mais renomados artistas e contribuindo para deslocar o polo das artes da concentração Sul/Sudeste.


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Desde o século XIX, as galerias de arte desenvolveram um papel de extrema importância na divulgação e comercialização de artistas recém-descobertos. Aconteceu, por exemplo, com o impressionista Claude Monet e o caricaturista Honoré Daumier, que alcançaram fama mundial depois de expor em galerias francesas. Vistos como locais de elite, no entanto, as galerias foram cedendo lugar para os espaços culturais, considerados mais democráticos. Em um espaço cultural, as obras são vistas por um público vasto, anônimo, estando sujeitas a avaliações e críticas externas nas exposições, que acontecem temporariamente. Espaços culturais são democráticos e oferecem a todos a possibilidade de acesso à arte.

 

Reconhecida por incentivar manifestações artísticas locais e nacionais, a Fundação Edson Queiroz, através do Espaço Cultural Unifor, que acaba de completar 10 anos após ampla reforma, dissemina, renova e democratiza o conhecimento das identidades artísticas, históricas e culturais do país. Segundo o coordenador do curso de Artes Visuais da Unifor, prof. Nílbio Thé, “a difusão é a etapa final dos processos de circulação de bens simbólicos que envolvem formação e produção. Sem a difusão os dois primeiros estágios são em vão. Nesse sentido, o Espaço Cultural consolida o papel reflexivo diferencial da Unifor”, explica.

 

Criado em 1988, o Espaço Cultural Unifor abriga, desde então, a Unifor Plástica, evento que congrega talentos da terra, tendo revelado importantes artistas cearenses. Anos depois, o local passou por uma grande reforma e foi reaberto em 22 de setembro de 2004, recebendo nomes de importância da arte internacional, como Rembrandt, Rubens e Miró, artistas brasileiros consagrados, como Iberê Camargo, Antonio Bandeira e Candido Portinari, além de novos talentos da arte cearense e nordestina.

 

un244_pag14-foto-espacocultural-2A atual estrutura do Espaço Cultural Unifor é compatível a dos grandes salões de arte do mundo para a realização de mostras de arte na condição ideal para visitação. O local é dotado de sistemas de refrigeração e climatização, controle rigoroso dos índices internos de umidade e de iluminação, toaletes com instalações específicas para pessoas com deficiência, sistema de proteção contra incêndios e saídas de emergência de fácil identificação.

 

Ao atrair a atenção de milhares de visitantes através de suas exposições, o Espaço Cultural Unifor dissemina a arte, antes acessível somente a parcelas eruditas da população. O local acolhe a essência da cultura cearense e brasileira, valorizando sua riqueza e diversidade, refletindo a figura do chanceler Airton Queiroz, presidente da Fundação Edson Queiroz, que compreende a arte como ampliadora de conhecimentos e transformadora da realidade.

 

Assim, no Espaço Cultural, a visitação é gratuita e, pelo Projeto Arte-Educação, estudantes de escolas públicas e particulares são guiados por monitores especialmente treinados, reforçando o caráter educativo da visitação. “O Espaço Cultural da Unifor cumpre todas as funções de um espaço cultural e o faz na Unifor, potencializando o papel transformador da Instituição. A primeira exposição que vi foi sobre Raimundo Cela e me marcou de pronto não somente pelas pinturas, que já conhecia, mas sobretudo pela expografia muito bem projetada, mostrando o cuidado com as obras e, mais ainda, o nível de investimento técnico e de pesquisa sobre a vida do artista”, relembra o prof. Nílbio Thé,

 

Para Pedro Corrêa do Lago, editor e curador da exposição Brasiliana Itaú, o Espaço Cultural Unifor “é uma iniciativa sem paralelo no Nordeste do Brasil, pela importância do acervo reunido e das exposições organizadas. Em termos de arte brasileira, desloca o polo das artes da concentração exclusiva no Sudeste”.

 

Vice-reitor de Extensão e Comunidade Universitária da Unifor, o prof. Randal Pompeu acredita que os 10 anos de reinauguração do Espaço Cultural Unifor marcam a inserção do estado do Ceará no roteiro das grandes exposições de artes visuais, uma vez que o ambiente passou a atender aos mais exigentes requisitos internacionais de museologia. “Celebramos igualmente as atividades de arte-educação desenvolvidas no Espaço Cultural, por meio da visita guiada conduzida por alunos da Universidade e da utilização de material didático específi co para cada exposição. Para os alunos da Unifor, o Espaço Cultural representa a possibilidade de adquirir uma formação completa, considerando que a apreciação artística potencializa a capacidade crítica e a inclusão sociocultural. Sua importância vai além da comunidade acadêmica, uma vez que, para haver desenvolvimento social, é necessário dar uma atenção especial ao capital cultural, a fim de proporcionar o crescimento do indivíduo mediante o conhecimento conquistado nas visitações”, conclui.

 

Exposições

 

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Rembrandt e a Arte da Gravura (2007)
Mostrando toda a força e a expressividade da gravura nas obras do artista holandês Rembrandt, a exposição trouxe um dos maiores talentos que a humanidade já acolheu. As gravuras do artista, que conheceu glória e prestígio em toda a Europa, puderam ser contempladas em exposição, no campus da Universidade de Fortaleza. O acervo apresentou 90 gravuras e duas placas originais de impressão de metal de autoria do holandês, reunindo autorretratos, cenas bíblicas, religiosas, retrativas do Novo Testamento, alegóricas, mitológicas, além de nus, paisagens, retratos e rostos/bustos, todas vindas do Museu Casa Rembrandt, em Amsterdã.

 

Vik Muniz (2010)

Em um mundo onde há diversas coisas que não damos a menor importância, um homem com a criatividade aguçada ousou recriá-las. Vik Muniz apresentou um trabalho inusitado no Espaço Cultural Unifor, com a mostra de suas obras, ou seja, a recriação de quadros ou fotografi as conhecidas totalmente reinventadas com materiais reciclados. A exposição realizou uma retrospectiva do trabalho do artista e contemplou do início de sua carreira até os dias atuais. Vik Muniz foi uma oportunidade incomparável que a Universidade de Fortaleza ofereceu ao público cearense, que pôde ver de perto a obra do artista que encantou expectadores, críticos e instituições de arte de Nova York e, em seguida, do resto do mundo. “Uma das exposições mais completas do Vik, pois pegou não somente a linha de trabalhos que o consagraram, mas também do começo da carreira dele que mostram claramente sua linha estética se definindo”, comenta o prof. Nilbio Thé.

 

Estudos de Guerra e Paz – Portinari (2012/2013)

O Projeto Portinari e a Universidade de Fortaleza trouxeram à capital cearense a primeira exposição de obras originais de Candido Portinari (1903-1962). A exposição foi composta por cerca de 50 estudos originais – junto a documentos históricos, entre cartas, jornais da época e fotografi as – sobre as obras emblemáticas do pintor brasileiro. Os estudos originais preparatórios para os painéis Guerra e Paz contam, em detalhes, a trajetória de criação das obras monumentais doadas pelo governo brasileiro para a sede das Nações Unidas, em Nova York, em 1956. A exposição contou ainda com emocionante conteúdo audiovisual, o Carroussel Raisonné, um sistema de projeções com inovadora tecnologia ofereceu a visão de conjunto da obra completa do pintor, mais de 5 mil obras, em ordem cronológica, durante nove horas de projeção ininterrupta.

 

Pequeno histórico

Existente desde 1988, o Espaço Cultural Unifor teve como ponto de partida os salões de arte Unifor Plástica, onde, desde 1973, ano de criação da Universidade, artistas cearenses, iniciantes e consagrados, têm a oportunidade de exibir sua produção. A inauguração do Espaço, em 1988, abrigou a 9ª edição da Unifor Plástica, cujas edições anteriores ocorriam no hall da Biblioteca. Ao longo dos anos, viu-se a necessidade de uma grande reforma que refletisse as necessidades de adaptação do espaço a grandes exposições.

 

Após a reinauguração, em 2004, a primeira grande exposição foi Arte Brasileira nas Coleções Públicas e Privadas do Ceará, um panorama da arte entre os séculos XIX e XX, que contava com obras de artistas como Eliseu Visconti, Castagneto, Parreiras, Grimm, Portinari, Tarsila, Guignard, Ismael Nery, Di Cavalcanti, entre outros.

 

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“Tive a oportunidade de organizar três grandes exposições após a ampla reforma: Retrospectiva Raimundo Cela (1890-1954), acompanhada do lançamento do catálogo Raisonné do artista; Retrospectiva Antonio Bandeira (1922-1967), com exibição pela primeira vez de um fi lme inédito protagonizado pelo artista e um número bastante expressivo de documentos e fotografi as; e Arte Brasileira nas Coleções Públicas e Privadas do Ceará. Na ocasião, foi criado o primeiro sistema de arte-educação implantado na Unifor e, pela primeira vez, visitas orientadas foram disponibilizadas para as escolas públicas e privadas”, explica o diretor da Pinakotheke São Paulo e Rio de Janeiro e da Galeria Multiarte de Fortaleza, Max Perlingeiro.

 

De acordo com Perlingeiro, grandes exposições internacionais foram apresentadas logo depois: Miró, Rubens e Rembrandt, alçando o Espaço Cultural Unifor a uma condição de reconhecimento internacional. “Hoje o Espaço Cultural Unifor vem se dedicando a apresentar também sua coleção, fruto da inteligência do chanceler Airton Queiroz, que com sua cultura conseguiu construir uma das mais importantes coleções de arte brasileira, com obras exponenciais, um dos acervos mais importantes. A Fundação Edson Queiroz inseriu o estado do Ceará no circuito cultural nacional e vem trazendo a Fortaleza um número expressivo de especialistas, curadores, historiadores e críticos de arte”, enfatiza o curador.

 

A exposição Barão de Mauá – O Empreendedor, de 2008, foi a primeira realizada no Espaço Cultural Unifor localizado no térreo da Reitoria. Esse novo ambiente surgiu da necessidade de apresentar mais exposições ao público, de forma simultânea às exposições realizadas no Espaço Cultural do 2º piso da Reitoria, e assim receber um maior número de visitantes.

 

DEPOIMENTOS

 

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“O Espaço Cultural da Unifor se posiciona como uma importante plataforma de exibição e pesquisa, proporcionando ao pesquisador e ao público em geral ferramentas de aprendizagem, apreciação e construção de repertório. Para mim, a exposição mais marcante foi a organizada por Paulo Herkerhoff, que reuniu o acervo da Unifor, proporcionando ao público do Ceará e do Brasil acesso a uma das mais impactantes coleções de arte do país. Acredito que a principal função desses espaços é justamente publicizar seus acervos e estimular pesquisas em seu entorno, além de uma sofisticada plataforma educacional, que vai articular ações entre acervo e público”.

 

Bitu Cassundé, curador do Museu de Arte do Ceará

 

 

 

 

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“O Espaço Cultural Unifor é fundamental para a formação do olhar na cidade de Fortaleza. As pessoas precisam frequentá-lo como um bem cultural adquirido para todos da cidade, como um movimento de inclusão sociocultural. Tão fundamental quanto visitar o acervo modernista é visitar o acervo que está se atualizando e aponta à arte contemporânea. O Espaço Cultural Unifor é um acontecimento de excelência para formarmos novas sensibilidades individuais, coletivas, sociais e políticas. A cidade tem que abraçar essa extraordinária proposição artística e educativa e aprender a ler a partir do lugar Ceará, Nordeste brasileiro, o Brasil e o mundo na sua ampla e múltipla diversidade de linguagens”.

 

Eduardo Frota, artista visual.

 

 

 

 

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“Poucos espaços culturais em Fortaleza conseguem manter uma programação contínua e de qualidade. O Espaço Cultural Unifor cumpre uma função primordial ao contribuir para fomentar a cultura local. Cada exposição é um recorte em um universo de ideias, um campo aberto em certas direções que nos permite ter acesso a outras formas de ver o mundo. Ao longo dos anos, muitas exposições nacionais, internacionais e locais ofereceram um painel intenso de ideias. As publicações de cada exposição registram uma visão sobre a história das artes visuais em Fortaleza e nos ajudam a dimensionar a importância do trabalho já realizado. Para quem trabalha com arte, esse contato é fundamental”.

 

Jared Domicio, artista plástico.

 

 

 

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 244

 
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