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Unifor insere alunos de Direito e Psicologia em processos de adoção

O projeto Agora Pais foi lançado no último dia 30 de outubro. Em festa realizada no ginásio poliesportivo, 65 crianças da Casa Abrigo receberam brindes, lanches e doações de brinquedos.

 

un244_pag08-fotoolhoVindo do latim adoptio, a palavra adoção chega em nossa língua com um sentido nobre: “tomar por filho” ou até mesmo “agregar alguém ao seu lar e tomar para si seus cuidados”. No Brasil, no entanto, para que o ato seja consumado é preciso ter disposição e enfrentar processos lentos. Essa realidade é refletida nos números, que acusam a existência de 5.629 menores ainda esperando para viver em família. Desses, cerca de 4,3 mil tem mais de 9 anos – outro grande empecilho, dada a preferência dos futuros pais por crianças com idade reduzida.

 

Ciente dessa realidade, a Universidade de Fortaleza lançou, em outubro, o Projeto Agora Pais. Durante três meses, por quatro horas, estudantes dos cursos de Direito e Psicologia da Instituição estarão de maneira voluntária no Fórum ao lado de juízes, promotores de Justiça, defensores públicos, psicólogos e assistentes sociais, ajudando na aceleração de trâmites que vão desde o cadastramento de candidatos a adoção até o julgamento final das ações.

 

Segundo o professor do curso de Direito da Unifor e idealizador do projeto, Erick Cysne, a motivação vem, sobretudo, da responsabilidade social da Instituição. “A iniciativa surgiu da percepção de uma necessidade. Precisamos agir com rapidez para que várias crianças e adolescentes possam ter a alegria de estar em uma família, com verdadeiros pais”. Há, também, a importância de viabilizar aos alunos atuantes no projeto uma visão humanística dos processos judiciais. “É preciso fazê-los perceber que não se trata de mais uma ação na justiça, mas que estão envolvidas vários menores que há muitos anos aguardam a oportunidade de estar inseridas em um ambiente familiar”, explicou.

 

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O projeto do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) é desenvolvido junto ao curso de Psicologia, ao Programa de Pós-Graduação em Direito, a Divisão de Responsabilidade Social da vice-reitoria de Extensão e o Fórum Clóvis Beviláqua. No último dia 30 de outubro, teve seu primeiro momento de celebração em uma festa realizada no ginásio poliesportivo da Universidade para 65 crianças que residem na Casa Abrigo. Por toda a tarde foram ofertadas brincadeiras, jogos e até demonstrações de artes marciais feitas por docentes da Unifor. As atividades foram coordenadas pela Divisão de Assuntos Desportivos (DAD) e ao final todos receberam lanches, brindes e doações de brinquedos do Curso de Design de Moda. Maria Clara*, de 10 anos, fez questão de participar de todas as atividades. “Gostei muito de vir pra cá e conhecer todos esses tios e tias. Meu dia foi tão legal que deu vontade de ficar aqui para sempre”.

 

O integrante da Federação Internacional de Karatê Shotokan e professor de Direito da Unifor, Fernando Távora, esteve presente ensinando sobre técnicas da luta para os garotos e garotas. “O nosso objetivo hoje é fazer com que eles vejam o verdadeiro sentido da arte marcial. Diferente de outras atividades, o karatê, na sua gênese, jamais permitiu o toque ao adversário. Seu objetivo é exatamente desenvolver o controle e a inteligência emocional. É muito importante projetar isso no nosso cotidiano”, explicou. Atuando na instituição há mais de 20 anos, ele lembra que o foco da Universidade sempre foi o aspecto humano. “Acredito que esse projeto é mais uma consequência da busca constante da Unifor pelo aperfeiçoamento da sociedade”.

 

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Juliana Romero, técnica do laboratório de Design de Moda, auxiliou nas gincanas. De acordO com ela, a mobilização de professores e estudantes do curso foi essencial para que tudo desse certo. “Nós lidamos muito com o lúdico, com a criação. Hoje mesmo estamos brincando com bonequinhos que foram feitos pelos próprios alunos em uma disciplina”, conta. “Estamos gratos em poder participar. Acredito que essas crianças devem vir sempre em primeiro lugar, ser mesmo uma prioridade

 

CONQUISTA DE DIREITOS

A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Direito da Unifor, profa. Gina Vidal, ressalta que o projeto culmina com um momento importante da história do Brasil: os 24 anos da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Até 1990, esses menores eram vistos como pessoas simplesmente assistidas, mas não se levava em consideração a titularidade de direitos. Os pais abandonavam, os policiais prendiam e internavam sem nenhuma garantia. Não havia a ampla defesa, a análise do contraditório – detalhes reservados a qualquer cidadão. Com a implantação do ECA, foi possível ver a transformação desse aspecto”, lembra.

 

No entanto, quando se trata da questão de acolher essas crianças em uma família, a docente acredita que muito ainda precisa ser transformado. “As pessoas têm se questionado quanto a viabilidade da adoção por casais homossexuais, por pessoas solteiras. Falam muito no critério de escolha dos futuros pais. Pouco se foca na criança, no direito desses jovens de terem um lar. Antes de qualquer avaliação, isso é o que precisa ser discutido. Eles são prioridade”, afirma.

 

Para a profa. Gina Vidal, a importância da iniciativa da Unifor reside no conhecimento que os alunos vão adquirir ao lidar diretamente com o Estatuto. “Os estudantes que participarão desse processo vão sair dessa experiência compreendendo a fundo o direito da criança e do adolescente de pertencer a uma família. Conhecer esse estatuto é essencial para o jurista que a universidade quer formar”, explica.

 

DEPOIMENTO

 

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“Fiquei encantada com a ação porque acredito que há um problema muito grave em deixar uma criança em um orfanato por dez anos, doze anos. Ela sai da infância e não tem a perspectiva de um lar. Sem dúvida, a ajuda que esse projeto traz é muito digna”.

 

Kelva Cristina, participante do grupo de teatro Mirante, da Unifor

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 244

 
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