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Um movimento pela vida

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A campanha Doe de Coração chega à sua 12ª edição sensibilizando a população sobre a importância da doação de órgãos e contribuindo, a cada ano, para o crescimento do número de transplantes realizados no Ceará. Desde 2003, quando o movimento teve início, esse número mais que triplicou.

 

Darlene Rodrigues, mãe de Jaqueline de Oliveira, 6 anos, descobriu, logo após o nascimento da filha, em 2007, que os rins da menina não funcionavam a contento. Em 2002, durante um check-up de rotina, José Wilter, 64, teve detectada uma cirrose hepática. Também em 2002, Velúsia Medeiros, 55, foi diagnosticada com leucemia mieloide crônica. Helena Faustino, 46, tinha problemas de pressão quando soube que seus rins haviam atrofiado. Já Francisco Mourão, 56, conviveu, por mais de duas décadas, com problemas cardíacos. Em comum, essas pessoas passaram pela dor da doença, mas conseguiram uma nova oportunidade de vida, através da doação de órgãos.

 

Lançar luz para questão da doação de órgãos e tecidos, reduzindo a barreira do preconceito e estimulando um gesto de amor e solidariedade. Com este objetivo, a Fundação Edson Queiroz realiza, este ano, a 12ª edição do Movimento Doe de Coração. Referência nacional, a campanha já sensibilizou milhares de pessoas desde 2003 e foi reconhecida nacionalmente pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) que concedeu, em 2008, o prêmio Amigo do Transplante à Fundação Edson Queiroz. Realizada tradicionalmente no mês de setembro, a campanha busca sensibilizar a sociedade através de anúncios em veículos de comunicação, distribuição de cartilhas, cartazes e camisas. A mobilização é realizada em hospitais, escolas, clínicas, no Sistema Verdes Mares de Comunicação, na Unifor e em entidades diversas, traduzindo a preocupação da Fundação Edson Queiroz para um ato de esperança e alteridade.

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“A cada ano a Universidade de Fortaleza se dedica, durante todo o mês de setembro, a renovar essa corrente de esperança pela vida. Divulgamos à população, através de várias mídias, informações sobre como se tornar um doador, além de realizarmos seminários e palestras. Vale ressaltar que promovemos discussões nas redes pública e privada de saúde sobre a importância do diagnóstico de morte encefálica, meio para o aumento do número de doação-transplantes”, afirma Erotilde Honório, diretora de Comunicação e Marketing da Unifor.

 

O retorno é significativo. Em 2003, quando o movimento teve início, foram realizados 420 transplantes em todo o estado do Ceará. Dez anos depois, em 2013, o número mais que triplicou, chegando a 1.365 transplantes efetivados, 945 a mais em comparação com o ano de 2003. São contabilizadas cirurgias de transplante de córneas, esclera, rins, coração, fígado, medula óssea, válvulas cardíacas, pâncreas e pulmão. Até meados de agosto deste ano, foram realizados, em todo o Ceará, 922 transplantes, posicionando o estado em 3º lugar no país no número de doações efetivas por milhão de população (pmp). De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes, publicação de dados consolidados pela ABTO, no primeiro semestre de 2014 o Ceará foi um dos únicos três estados do Brasil cuja taxa de doadores efetivos foi superior a 20 pmp, com 26,3 cirurgias pmp. Os demais estados foram São Paulo e Santa Catarina. Ainda de acordo com a publicação, neste primeiro semestre de 2014, o Ceará ficou em 2º lugar geral em doação efetiva de fígado (23,7 pmp) e 3o em doação de pulmão (1,2 pmp).

 

Apesar de animadores, o números também apontam para a necessidade contínua de mobilizações de estímulo e conscientização, como a Doe de Coração. Faltando uma semana para o fim do mês de agosto, 1037 pessoas encontravam-se na fila de espera por um órgão no estado. Em todo o Brasil, 47% das famílias ainda se recusam a doar órgãos de um parente com morte encefálica, principalmente pela falta de esclarecimentos.

 

Para a coordenadora da Central de Transplantes do Ceará, médica Eliana Barbosa, iniciativas como a Doe de Coração são fundamentais para desmistifi car o processo de doação, conscientizando a população e, consequentemente, diminuindo o tempo de espera dos pacientes. “O movimento Doe de Coração desenvolve excelentes estratégias de comunicação que conseguem informar e sensibilizar todos segmentos da sociedade cearense. Promove mudanças de atitudes positivas para o transplante, favorecendo o aumento do número de famílias que dizem ‘sim’ para a doação de órgãos e tecidos”. O presidente da ABTO, Lucio Pacheco, concorda. “Doar representa o maior gesto de amor ao próximo e para que as pessoas sejam favoráveis à doação, é necessário esclarecimentos sobre o processo de doação-transplante, através de campanhas regulares, como a Doe de Coração”.

 

Para o chanceler Airton Queiroz, a campanha contribui, ao longo dos anos, para mobilizar a população em prol da solidariedade. “A Universidade de Fortaleza tem papel fundamental, criando meios para sensibilizar a sociedade. Não poupamos esforços, pois sabemos o resultado do nosso trabalho.

 

“Se compararmos os números de doações de órgãos e tecidos no estado do Ceará com a evolução da campanha, veremos uma relação linear, mostrando que a exposição na mídia, nos meios de comunicação, assim como a discussão gerada a partir da campanha traz um impacto positivo no aumento da doação de órgãos e tecidos”, acredita o diretor do centro de Ciências da Saúde (CCS) da Unifor, prof. Flávio Ibiapina.

 

Para a Reitora da Unifor, Fátima Veras, a campanha Doe de Coração tem um papel importante para a mudança de postura da sociedade em relação à doação de órgãos. “À medida que ela orienta e sensibiliza as famílias para a decisão de doar, ela mostra que um ato de solidariedade pode trazer esperança para outras famílias. Para se ter uma ideia, em relação a julho do ano passado, tivemos 59 doações a mais no mesmo período de 2014. Isso demonstra que a população está mais solidária”, enfatiza.

 

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A campanha busca sensibilizar a sociedade através de anúncios em veículos de comunicação, distribuição de cartilhas, cartazes e camisas



DEPOIMENTOS

 

UN242-16“Descobri que Jaqueline tinha insuficiência renal assim que ela nasceu. Quando fi zeram o exame de ultrassom descobriram que ela tinha problema nos rins. Todos na minha família ficaram surpresos. No nosso histórico há problemas de pressão, mas não há casos de insuficiência renal. Foi um momento muito desesperador. Ela fez um período de hemodiálise no Hospital Albert Sabin e depois passou a fazer a diálise peritoneal em casa. Aos quatro anos ela entrou para a fila e aos cinco foi chamada para o transplante. Eu eu não havia nenhum conhecimento sobre a doença renal e logo descobri que existem várias crianças na mesma situação. No dia que a chamaram para a cirurgia eu fiquei bastante agoniada. No dia seguinte ao contato realizaram o transplante (emocionada). Foi em 23 de janeiro de 2013. A cirurgia durou quatro horas e foi um sucesso. Quando a Jaqueline nasceu nós pensamos que ela não fosse resistir. Minha filha não podia brincar, correr, ir à escola, o cateter e a hemodiálise dificultavam que ela fizesse muita coisa. Agora ela faz tudo, está ‘danada’ até demais (risos). Após o transplante percebi o crescimento dela. Ela agora se alimenta muito bem. A fala dela foi prejudicada devido a doença, mas os médicos garantiram que logo ela começará a falar. Gostaria muito de conhecer a mãe da criança que doou o rim para a Jaqueline. Agradeço demais a solidariedade daquela família. A credito que seja muito importante a divulgação e o incentivo que a Doe de Coração faz para a estimular a doação. Minha Jaqueline foi salva por um gesto de solidariedade e amor, mas muitas crianças e pais ainda estão passando pela agonia da fila”.

Darlene da Silva Rodrigues
, mãe de Jaqueline Oliveira, 6 anos, transplantada renal.



UN242-14“Sou transplantado do fígado há onze anos e sete meses. Em 2002, descobri uma cirrose hepática quando fui fazer um check-up de rotina. Fiquei muito assustado, apavorado, ainda era uma coisa nova transplante de fígado no Ceará. Passei 7 meses e 7 dias na fila de espera. A gente só descobre realmente o medo quando passa por alguma doença grave. Conversava com amigos que também estavam na fila de espera de transplante para fazermos campanhas incentivando a doação nos hospitais, para tentar amenizar a nossa dor e para que as pessoas tomassem conhecimento e se conscientizassem. Foi a partir daí que surgiu a ideia da Associação Cearense de Pacientes Hepáticos e Transplantados. Fui transplantado no dia 9 de janeiro de 2003. Tive a felicidade de uma família, após a morte de seu ente querido, ter tido a solidariedade e o amor de dizer o ‘sim’ para a doação de órgãos. Sem isso eu não estaria aqui dando este depoimento (emocionado). Depois do transplante passei 33 dias hospitalizado. Lembro-me muito dos colegas que estavam na fila e que não conseguiram fazer o transplante. É triste. Hoje o Ceará está ‘bombando’ em transplantes, mas ainda há muitas mortes de pessoas nas filas e antes mesmo de chegar nelas. Estive à beira de um abismo e não caí por conta do transplante. Depois dele foi uma nova vida, tive a oportunidade de ver meus 3 filhos se formarem, meus 3 netos crescerem. Voltei à sociedade, a encontrar os amigos. É de grande importância a campanha que a Universidade de Fortaleza realiza, é vital o trabalho de fazer com que as pessoas se conscientizem e digam sim para a doação”.

José Wilter, 64 anos, transplantado de fígado e presidente da Associação Cearense dos Pacientes Hepáticos e Transplantados (ACPHT).




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“Fui acometida pelo câncer, leucemia mieloide crônica, diagnosticada em fevereiro de 2002. Passei um ano em tratamento com medicações até chegar o momento do transplante de medula. Foi um ano em espera. Tive a felicidade de encontrar na família um doador cem por cento compatível comigo: meu irmão. Isso facilitou muito, mas o transplante halogênico é muito difícil, de muita complexidade, há muito risco de rejeições. O mais difícil para mim foi ter que ir para São Paulo, fazer o tratamento longe da família. Além de todo o sofrimento da doença em si, quimioterapia, enjoos, queda de cabelo, risco de rejeição, ficar longe dos filhos, do marido, de casa, tornou tudo mais difícil. No primeiro ano após o transplante perdi muito peso, houve o problema da alopécia [queda de cabelo] também. Tive que tomar muitas medicações para evitar rejeição e recomeçar todo o ciclo de vacinas, pois você vira um bebê, tem que recomeçar do zero, pois todas as suas defesas vão embora no ato do transplante. Ver no outro a possibilidade de continuar a sua vida é sensacional. Eu participo da Doe de Coração através do Grupo de Apoio ao Paciente Onco-Hematológico. Participamos com muita satisfação, por ser um tema de suma importância a divulgação”.

Velúsia Medeiros, 55 anos, transplantada de medula, fundadora e gestora do Grupo de Apoio ao Paciente Onco-Hematológico (Gapo).






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“Em 1982 eu descobri um problema no coração. Fiz uns exames no Instituto do Coração – Incor e me indicaram uma cirurgia. Só que disseram que eu não precisava fazer naquele momento e só em 2000 coloquei uma prótese metálica, uma válvula no coração. Em 2008 tive novamente um problema e constataram que eu precisava de um transplante. Após 59 dias, me chamaram novamente e eu fiz o transplante. Foi em 2009, no dia 3 de agosto. Depois do transplante nunca mais senti nada de errado. Estou bem, trabalho das 7h às 22h, pratico esportes. Tive que mudar hábitos, tenho uma alimentação mais saudável e preciso tomar medicamentos para evitar a rejeição, imunossupressores, mas além disso vou levando uma vida normal. Em momento algum perdi a esperança de que iria aparecer um coração. Eu sempre fui muito otimista. Me dei até prazos para realizar projetos pessoais após o transplante e consegui realizar. Sempre pensei ‘vou ficar bem, vou ficar bem, vou ficar bem’ e hoje estou bem. Acho muito importante a doação de órgãos, e a Doe de Coração é ótima. Na Espanha, que é o país com maior índice de transplantes no mundo, todos são conscientes que tem que doar os órgãos. Aqui ainda há muita burocracia. A doação tem que ser divulgada massivamente, é uma coisa que tem que ser incutida na cabeça da população”.

Francisco Mourão Farias, 56 anos, transplantado de coração.






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“Eu sabia que tinha pressão alta e não cuidei. Meus dois rins atrofiaram e passei por um processo de total debilitação. Depois de oito anos de hemodiálise consegui entrar para a fila. Fiquei cinco meses na fila do transplante e quando consegui, foi uma emoção muito forte. Fiz o transplante em 2005. Estou com nove anos e quatro meses de transplantada e muito bem. A qualidade de vida melhorou muito. O paciente em hemodiálise fica muito debilitado. Passei oito anos, cinco meses e dois dias sem urinar nem uma gota. Sentia o desejo psicológico, mas não conseguia. Quando fiz o transplante e retirei a sonda foi uma emoção tão forte que eu chorava e ria dentro do banheiro. Saber que meu corpo funciona e que existe o amor ao próximo é emocionante. E foi esse amor que fez com que eu voltasse a viver. A família completou o sim do doador, que com certeza manifestou o desejo de doar. Eu agradeço muito. Me tornei uma pessoa melhor depois da doação. Foi um processo doloroso que me fez enxergar valores que antes eu não via. Hoje eu tento levar a minha história para os pacientes que estão internados. Eu acho importantíssimo a divulgação e a Doe de Coração. É importante mostrar para as pessoas que a vida pode seguir no corpo de outra pessoa. Aquele órgão que aquele corpo não vai precisar mais pode transformar a vida de outras pessoas, assim como transformou a minha”.

Helena Faustino
, 46 anos, transplantada de rim.





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PERGUNTAS FREQUENTES

 

O que é transplante?
É um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão (coração, pulmão, rim, pâncreas, fígado) ou tecido (medula óssea, ossos, córneas) de uma pessoa doente (receptor) por outro órgão ou tecido normal de um doador, vivo ou morto. O transplante é um tratamento que pode salvar e/ou melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas.

 

Quem pode e quem não pode ser doador?
A doação pressupõe critérios mínimos de seleção. Idade, o diagnóstico que levou à morte clínica e tipo sanguíneo são itens estudados do provável doador para saber se há receptor compatível. Não existe restrição absoluta à doação de órgãos a não ser para soropositivos e pessoas com doenças infecciosas ativas. Em geral, fumantes não são doadores de pulmão.

 

Quando podemos doar?
A doação de órgãos como rim, parte do fígado e da medula óssea pode ser feita em vida. Em geral, nos tornamos doadores em situação de morte encefálica e quando a nossa família autoriza a retirada dos órgãos.

 

Como proceder para doar?
Um familiar pode manifestar o desejo de doar os órgãos. A decisão pode ser dada aos médicos, ao hospital ou à Central de Transplante mais próxima.

 

O que acontece depois de autorizada a doação?
Desde que haja receptores compatíveis, a retirada dos órgãos é realizada por várias equipes de cirurgiões, cada qual especializada em um determinado órgão. O corpo é liberado após, no máximo, 48 horas.

 

Quem recebe os órgãos doados?
Testes laboratoriais confirmam a compatibilidade entre doador e receptores. Após os exames, a triagem é feita com base em critérios como tempo de espera e urgência do procedimento.

 

FONTE: Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote) | www.adote.org.br.

 

Doe de Coração. Um gesto de amor pela vida.

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 242

 
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