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Fundação Edson Queiroz apresenta a mostra Abstrações no Espaço Cultural Unifor

A exposição, que reúne obras da Coleção Fundação Edson Queiroz e Coleção Roberto Marinho traz, pela primeira vez ao Ceará, obras de grandes artistas do abstracionismo

UN241_abstracoes6Há muito tempo a abstração causa agitação no mundo da arte. Tida como uma das grandes aventuras do século XX, os defensores da tradição viram, na chegada da abstração, um exemplo perfeito da confusão de valores estéticos. Por outro lado, apreciadores do estilo estimaram o abandono irreversível da representação, tanto na pintura como na escultura. Com base em vários aspectos e teorias, o abstracionismo não se identifi ca facilmente. Informal ou geométrico, intuitivo ou calculado, expressionista, lírico, tachista ou construtivista, desafi a a generalização estilística e não é em qualquer campo semântico determinado: tem sido capaz de hospedar intenções artísticas e/ou fi losófi cas contraditórias.

Reconhecendo o valor da arte abstrata, a Fundação Edson Queiroz convida o público a apreciar a mostra Abstrações – Coleção Fundação Edson Queiroz e Coleção Roberto Marinho, em cartaz no Espaço Cultural Unifor. Totalmente inédita, a exposição promove um intercâmbio entre os acervos das coleções Fundação Edson Queiroz e Roberto Marinho, colocando em conversa 169 obras de artistas consagrados como Mira Schendel, Antônio Bandeira, Ubi Bava, Cícero Dias, Hércules Barsotti, Iberê Camargo, Abraham Palatnik, Manabu Mabe e Tomie Ohtake.

Com curadoria de Lauro Cavalcanti, diretor do Centro Cultural Paço Imperial, no Rio de Janeiro, a mostra promove um diálogo entre arte abstrata geométrica e arte abstrata informal. A Fundação Edson Queiroz exibe 107 obras especialmente fortes no que se refere à arte abstrata geométrica. Já a Coleção Roberto Marinho apresenta 62 obras focadas à arte abstrata informal. Algumas delas, pela primeira vez, saem do Rio de Janeiro, sendo que 11 nunca antes foram expostas ao público brasileiro: três esculturas de Bruno Giorgi, sete pinturas de Manabu Mabe e um desenho de Frans Krajcberg.

Abstrações segue-se à exposição Trajetórias, exibida em 2013 e curada por Paulo Herkenhoff , que trouxe uma excelente visão do percurso da arte brasileira a partir das peças da Coleção Fundação Edson Queiroz. A nova mostra examina um período mais restrito, porém importantíssimo, na definição dos caminhos da modernidade tardia e pós-modernidade precursora de nosso país.

De acordo com Lauro Cavalcanti, “a exposição mostra dois importantes fl xos que, se misturando com outros, formaram esse fascinante universo de águas profundas que chamamos de arte contemporânea”. O curador conta que já havia feito exposições de coleções de Roberto Marinho e sentiu-se honrado quando a Fundação Edson Queiroz o convidou para a curadoria da mostra Abstrações. “Examinei as duas coleções e achei que era interessante propor esse diálogo entre abstração informal e a geométrica, onde uma mostra fi guras geométricas e a outra, traços livres. A abstração, nos seus caminhos abstratos e geométricos, é matricial na formação da linguagem contemporânea brasileira que bebeu e misturou água das duas fontes. Trata-se de uma exposição importante sobre a arte contemporânea brasileira, além de ser a primeira vez em que a Coleção Roberto Marinho vai para o Nordeste. Esta exposição foi criada especialmente para Fortaleza. É um privilégio fazê-la e espero que o público goste”.

UN241_abstracoes1“A exposição Abstrações é inédita e apresenta ao público a união de duas das coleções mais admiráveis em arte abstrata no país, a Coleção Fundação Edson Queiroz e a Coleção Roberto Marinho, esta pela primeira vez em exibição no Nordeste. Esse intercâmbio entre os acervos permite a apreciação de dois caminhos distintos do abstracionismo, o geométrico e o abstrato, que se encontram na constituição da arte contemporânea brasileira. Estamos certos de que essa exposição será muito bem acolhida pela nossa comunidade acadêmica e público em geral”, aponta o chefe da Divisão de Arte e Cultura da Unifor, prof. Thiago Braga.

ABSTRATOS INFORMAIS
Segundo Lauro Cavalcanti, a coleção de abstratos informais reúne conjuntos de trabalhos de artistas que entusiasmavam o proprietário Roberto Marinho a compilar exemplares de várias fases. “Nesta mostra temos uma verdadeira ‘individual’ de Manabu Mabe, com obras emblemáticas. Antonio Bandeira, cearense e gigante da pintura brasileira, é representado por oito telas. O abstracionismo nele, assim como em Maria Helena Vieira da Silva, parte de referências como o rastro de luzes na trama urbana ou o tecer de uma teia de aranha, para depois dissolvê-los num mundo exclusivo da própria pintura. Franz Krajberg cobre com cor e adiciona peças a elementos da natureza, acentuando a beleza de suas formas, assim como denunciando a sua extinção. As pinturas acumulativas e matéricas de Jorge Guinle fi guram entre as últimas aquisições de Roberto Marinho. A obra de Cícero Dias efetua a transição de seu período inicial, fundado em memória e recordações de Pernambuco, para a fase abstrata que desenvolveria na Europa. A estupenda tela de Pierre Soulages é a única obra de um artista estrangeiro que não se radicou no Brasil. Foi incluída por sua excepcionalidade e como representante da parcela de arte internacional da coleção Roberto Marinho.

ABSTRATOS GEOMÉTRICOS
Lauro Cavalcanti afirma que Alfredi Volpi, presente na Coleção Fundação Edson Queiroz, protagonizou uma das mais extraordinárias revoluções individuais da arte brasileira. “A coleção reúne dele um significativo conjunto, no qual a variação de poucos elementos geométricos, sem abandonar de todo a fi guração, provoca movimento e se beneficia da refração de cores. O mestre-artesão fazia questão de afirmar que ‘o importante é ter o desenho, a ideia. A execução depois é fácil’”.

UN241_abstracoes2Para o curador, “a gramática dos concretos, nos quais o projeto era tudo, influenciou positivamente todo o território de artes visuais. Os neoconcretos adicionam ao projeto a fenomenologia, articulando as subjetividades do artista e do espectador numa sutil troca entre a experiência e a consciência que se tem dela. O acervo da Universidade de Fortaleza nos convida a revisitá-los nos trabalhos históricos de seus principais participantes. Os conjuntos de Hércules Barsotti, Fiaminghi e Lothar Charoux são particularmente signifi cativos e permitem acompanharmos os desdobramentos de suas trajetórias nas décadas seguintes. Ubi Bava, um artista importante que não teve ainda o reconhecimento merecido, está representado, assim como os já clássicos Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica e Franz Weissman”.

COLEÇÃO FUNDAÇÃO EDSON QUEIROZ
A Fundação Edson Queiroz possui um acervo de arte brasileira do século 20 como poucas instituições no Brasil fora do eixo Rio-São Paulo. “Nesses termos, a Unifor contribui para o debate nacional da arte brasileira. Na verdade, trata-se de uma constelação de pequenas exposições autônomas ou núcleos organizados sob perspectivas menos comuns”, diz o curador da exposição Trajetórias, Paulo Herkenhoff . O acervo destaca-se pelas obras de artistas do porte de Eliseu Visconti, Lasar Segall, Alfredo Volpi, Antonio Bandeira, entre outros tantos nomes que engrandecem as artes visuais. “Com traços de diferentes estilos e técnicas, as obras possibilitam uma viagem pelo tempo e pela história, remetendo a referências artísticas mundialmente conhecidas”, acrescenta Paulo Herkenhoff . Entre as universidades, o acervo artístico da Unifor só é superado pelo Museu D. João VI, da UFRJ, e pelo extraordinário Museu de Arte Contemporânea da USP, cujo ponto de partida foi o legado do casal Ciccillo Matarazzo e Yolanda Penteado. São duas universidades públicas, fato que eleva a Unifor à posição de detentora da maior e melhor coleção de artes visuais de uma universidade privada do país.

"Se a pintura abstrata deixa de ser uma parte recortada da vida, ela pode criar uma experiência fora do cotidiano que advém do prazer de vê-la. A percepção visual mais instintiva comunica o artista diretamente com seu público. Nessa relação, ressurge o humano em sua mais profunda dimensão."
Lauro Cavalcanti.

Noite de abertura
UN241_abstracoes7Na noite do dia 17 de julho, o presidente da Fundação Edson Queiroz e chanceler da Unifor, Airton Queiroz, em conjunto com José Roberto Marinho, presidente da Fundação Roberto Marinho, abriram oficialmente a exposição Abstrações. Pouco antes, Marinho havia conhecido os acervos de artes visuais da Fundação Edson Queiroz, além da coleção de livros raros da Biblioteca de Arte da Unifor. Em seguida, destacou a importância do acervo para as artes brasileiras. “A Fundação Edson Queiroz é uma das poucas, fora do eixo Rio-São Paulo reconhecidas no Brasil inteiro pela valorização da arte, por sua coleção maravilhosa. Para nós, é uma honra muito grande colocar a coleção Roberto Marinho junto com a coleção Edson Queiroz, retratando um dos momentos mais fantásticos da arte brasileira, um período de grandes artistas, muito bem refletido na exposição Abstrações.

Além dele, estiveram presentes personalidades de destaque nas artes visuais do país, como o presidente do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna (Iavam), Marco Antonio Mastrobuono, o coordenador do acervo da Fundação Roberto Marinho, Joel Coelho, a reitora da Unifor, Fátima Veras, o vice-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Randal Pompeu, além de colecionadores de arte e artistas, como José Tarcísio.

“Eu acho que a ideia mais apropriada dessa exposição é a figura de dois rios caudalosos que somam as águas. E pela dimensão de cada um, o resultado é uma multiplicação, é uma coisa extraordinariamente aumentada. É empolgante o encontro de uma coleção importante do Rio de Janeiro, com uma coleção cearense incrível. Isso comprova que hoje, Fortaleza é um centro dinâmico que quebra uma hegemonia do eixo Rio-São Paulo. Sou um paulistano velho, e assisto ao envelhecimento do sudeste como uma árvore velha. Como brasileiro, acho empolgante ver que no Ceará há um broto novo e vigoroso, isso permite a gente pensar que o Brasil é vivo”, declarou Marco Antônio Mastrobuono.

“Roberto Marinho começa essa coleção na década de 30, onde ele e sua primeira mulher, Dona Estela, apreciam bienais e passam a adquirir obras de artistas como Pancetti, Portinari, Mabe, entre outros. Aos poucos Roberto vai adquirindo mais obras, especificamente Mabe, que são importantes por serem da década de 50 e terem sobrevivido a um acidente de avião em 1979, quando foram solicitados para uma exposição no Japão. Alguns nunca mais foram encontrados. É importante que essas obras estejam no Ceará, porque é um acervo de considerável peso, e é a primeira vez que vem um montante de 62 obras da coleção Roberto Marinho para o Nordeste. Um grande destaque é o quadro Sonho, de Mabe, de 1959. Era um dos preferidos de Roberto Marinho. Ficava perto do quarto dele, em uma escada ao lado do seu quarto”, contou Joel Coelho.

Para o casal de turistas americanos, Eric e Nalet Martinson, que soube da exposição através de um amigo, foi uma oportunidade ímpar de conhecer a arte abstrata realizada no Brasil. “Nós gostamos muito de artes e, sempre que viajamos, tentamos conhecer as obras locais. Essa exposição é muito bonita. Foi muito interessante conhecer mais sobre a arte abstrata brasileira. É incrível poder olhar para uma pintura e se sentir feliz, depois olhar para outra e se sentir confuso, vivenciar as diversas sensações que a arte pode causar”, disse Eric. Para Nalet, “a Universidade está de parabéns, porque cumpre um papel de educar através da arte. Uma exposição desta magnitude, aberta ao público, é muito importante inclusive para que nós, que viemos de fora, possamos entender e conhecer um pouco sobre a arte que é feita no Brasil”.


DEPOIMENTOS

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“Essa exposição é um gesto muito generoso de duas instituições poderosas que se fundem pela arte. Os trabalhos foram muito bem selecionados, e pela primeira vez, se faz uma exposição panorâmica do abstracionismo no Brasil. Em geral elas enfocam um só caminho, mas essa abrange as vertentes principais do abstracionismo e, ao mesmo tempo não divide, aproxima. Não aposta nas diferenças e sim no diálogo. Está muito bonita a exposição e estou muito orgulhoso que estar aqui”.

Luís Áquila,
artista plástico, com obras expostas em Abstrações

“Eu acho importante expor e resgatar o trabalho que está na coleção. Representa muito para mim estar aqui, mostrar os meus quadros, que são abstratos geométricos, com traços impressionistas. Acho maravilhoso que aconteça aqui no Ceará, que está se mostrando desenvolvido nesse aspecto. Ao entrar na exposição já sentimos o impacto. Os trabalhos estão num nível excelente”.

Walber Batinga
,
artista plástico, com obras expostas em Abstrações

 

CARTA
Prezado Dr. Airton,

Gostaria de parabenizá-lo pela belíssima exposição. Salta aos olhos a qualidade da coleção da Fundação Edson Queiroz. Muito bem montada, a seleção exibida é impactante. Aliás, cumpre ressaltar que chama a atenção, não só a importância e beleza das obras mostradas, como também a excelência do centro expositivo da Unifor, comparável aos melhores centros culturais de museus internacionais.

Agradeço, também, a oportunidade de conhecer o campus da Unifor, cujas instalações são avançadíssimas, tanto na parte jurídica, quanto na parte de ambulatórios na área de saúde, propiciando atendimento de alta qualidade para a comunidade local. Instalações, competência e prestação de serviço social muito, mas muito marcantes. Verdadeiro exemplo de cidadania. Foi, realmente, um privilégio.

Grato, uma vez mais.

Pedro Mastrobuono,
sócio fundador e diretor jurídico do Instituto Volpi


SERVIÇO
Abstrações – Coleção Fundação Edson Queiroz e Coleção Roberto Marinho
De 18 de julho de 2014 a 11 de janeiro de 2015
Visitação de terça a sexta, das 9h às 19h; aos sábados, das 10h às 18h; e aos domingos, das 12h às 18h
Espaço Cultural Unifor | Aberto ao público
Mais informações: 3477 3319
Telefone: 3477 3616

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 241

 
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