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Urbanização e degradação ambiental em Quixadá: a necessidade premente de mais planejamento urbano

por Marcelo Capasso*

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Há cerca de um mês, o Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Fortaleza promoveu, em parceria com a Faculdade Católica Rainha do Sertão (FCRS), o I Colóquio em Planejamento Urbano e Regional no Sertão Central, na cidade de Quixadá. O evento, uma oportunidade de integração dos saberes entre alunos e professores das duas instituições, tratou de temas atuais na gestão do uso do solo na região, com foco no aumento da urbanização como decorrência da maior dinamização de atividades econômicas nesta última década, e seus impactos imediatos. Dessa forma, compondo duas mesas de debate no Colóquio, estiveram representantes das prefeituras de Quixadá e Banabuiú, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), além dos professores Emanuel Cavalcanti (Unifor) - com sua pesquisa sobre municípios que se gerem sem plano diretor - e Henrique Alves Silva (FCRS), apresentando o recém-criado Observatório do Planejamento dos Sertões.

A importância do evento se coloca no momento em que a região passa por uma fase de dinamização econômica, modernizando sua oferta de bens e serviços, claramente vinculada à inserção de equipamentos-chave de desenvolvimento, como as instituições de ensino superior em Quixadá, a partir de então firmada como seu principal polo de desenvolvimento, superando Quixeramobim. Atrelado a isso, se encontra um mercado imobiliário em franca expansão, que não somente vem modificando a substância do estoque construído quixadaense, com a inserção de novas tipologias arquitetônicas - a respeito, o edifício residencial vertical - como grava sua marca no horizonte antes apenas dominado pelos belos monólitos. Assim, consolida-se um processo de urbanização através da produção irresponsável de loteamentos residenciais. Esse fenômeno, conhecido pelo nome de espraiamento urbano, é o resultado da transposição do limite urbano legal sobre a área rural do município; no caso, pelo menos triplicando-a em tamanho, permitindo que sejam feitos novos bairros de maneira pouco conexa entre si e a cidade existente, além de interferir significativamente na visualização do insólito conjunto de rochas, patrimônio tombado em nível federal desde 2002.

Dessa forma, o planejamento urbano se apresenta como importante instrumento para a futura proteção da paisagem dos monólitos das marcas irreparáveis de uma urbanização inconsequente. O Plano Diretor de Quixadá em vigor, aprovado em 2000, ainda não tomou em conta a poligonal de tombamento dos monólitos, uma das condições para que o município se responsabilize por um patrimônio socioambiental de tamanha importância. Daí em diante, caberia ainda editar normas de ocupação do solo urbano e rural, detalhadas segundo a necessidade de conservação daquela paisagem, muito além de apenas fixar o atual gabarito edificado de 9 metros, e sim revendo os limites físicos legalmente instituídos para a expansão urbana, absolutamente questionáveis. O novo paradigma urbano de Quixadá, enquanto centro regional de produção de conhecimento, deve aqui figurar como ensejo para uma mudança de perspectiva histórica da sua gestão urbana, confrontada há muito com esse desafio, cuja solução, mais que urgente, deve incorporar o uso mais sustentável do seu solo.

* Marcelo Mota Capasso é professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor e tem mestrado em Gestão Urbana pela Universidade Técnica de Berlim.

 

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 238

 
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