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Internacionalização do ensino: conhecimento que ultrapassa fronteiras

Projetos e parcerias internacionais implantados pelo governo e por instituições de ensino têm impulsionado o Brasil a embarcar e adotar um modelo de ensino global. A Unifor vem investindo intensamente, adotando práticas que visam à efetivação da internacionalização de seu ensino.

un238-IMG_6531A universidade, por si só, é um mundo de possibilidades. Um mundo que se expande a cada dia, ultrapassando campi, limites, divisas e fronteiras, atravessando continentes. Afinal, o conhecimento é global e a ciência não possui nacionalidade. A ciência é bem - e para o bem - de todos. Não é à toa que, hoje, a internacionalização do ensino deixou de ser uma possibilidade desejável, passando a ser um compromisso de investimento e contribuição ao ensino e à pesquisa que, se ainda não é, deve ser estabelecido com urgência por todas as instituições de ensino.

O relatório da Associação dos Educadores Internacionais (Nafsa), elaborado por John Hudzik e intitulado “Internacionalização Abrangente: do Conceito à Ação” (www.nafsa.org/cizn), serve como alerta para esse conceito que ainda soa como desafio na educação superior brasileira: a internacionalização do ensino. Qual é o melhor caminho para chegar lá? E como transpor barreiras inerentes a esse processo? “É essencial que a internacionalização seja abraçada pela liderança institucional, governança, professores, estudantes e todos os serviços acadêmicos e unidades de apoio”, recomenda o relatório da Nafsa.

O Brasil tem dado passos largos nessa direção. O programa Ciência sem Fronteiras - que prevê a concessão de 101 mil bolsas até 2015 para brasileiros - e o investimento de instituições particulares em projetos e parcerias internacionais servem de exemplo. Mas o País ainda está longe do que seria o ideal. “Não faz mais sentido localizar a educação e confiná-la aos confins territoriais de um estado. Por isso se passou a pensar na ideia da mobilidade. Nisso a União Europeia saiu muito à frente”, observa a professora de Direito Internacional da Unifor, Rosa Júlia Plá Coelho.

Com tese de doutorado intitulada “As Instituições da União Europeia e Mercosul”, Rosa Júlia explica que o conceito de internacionalização do ensino, no Brasil, começou a ser aplicado em território nacional com o intercâmbio de estudantes entre estados. “A partir desse primeiro movimento, começamos a ver a mobilidade de estudantes e professores”. Estender essa mobilidade ao plano internacional, porém, ainda esbarra em alguns obstáculos, que vão de uma recalcitrância sobre a ideia do que seja internacional à burocracia para reconhecer diplomas estrangeiros. “É um processo doloroso e demorado”.

Na Europa, há um conjunto de programas e mecanismos que não só facilitam como estimulam o estudante – seja de graduação ou pós – a vivenciar essa troca de experiências. Como exemplo, a professora Rosa Júlia cita o Tratado de Bolonha, que cria o Espaço Europeu de Ensino Superior - uma região envolvendo 29 países em que os currículos são unificados, os créditos multivalidados e os estudantes têm livre mobilidade. “Os estados estão trabalhando com essa ideia de cooperação, de mobilidade, de projetos em comum. Isso permite o engrandecimento pleno da educação europeia. E não apenas da educação superior, há programas específicos para o ensino médio”, acrescenta Rosa Júlia.

Secretário adjunto da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará, Almir Bittencourt acredita que o Brasil já entende e trata a internacionalização do ensino como prioridade, mas alerta para as dificuldades de se obter mobilidade acadêmica, “mesmo entre as universidades do nosso próprio país”. Ele aponta o Ciência sem Fronteiras como “um marco no País e um exemplo da atuação do Brasil nesse cenário da internacionalização”.

Universidade de Fortaleza
Instituição parceira do Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal, a Unifor investe em programas de intercâmbio há quase 13 anos, quando implantou, no ano de 2002, uma assessoria exclusiva para desenvolver e coordenar as políticas de intercâmbio internacional para o seu corpo acadêmico. De lá para cá, já intermediou a ida de 1.128 alunos para fora do Brasil e firmou convênio com mais de 90 instituições de ensino superior, distribuídas em 20 países. Este semestre, a Universidade recebe, em seu campus, 86 alunos de várias universidades do mundo, um recorde institucional. Aqui, eles encontram 17 disciplinas oferecidas em idiomas estrangeiros, sendo 16 na língua inglesa e uma na língua francesa, entre outras atividades que estimulam a vinda de estudantes.

“A internacionalização está na agenda de qualquer universidade atualmente. Ela acontece em diferentes esferas e o intercâmbio é mais uma delas. A internacionalização é um campo muito maior, acontece quando professores e alunos participam de eventos e têm artigos publicados em revistas e jornais internacionais, quando a Unifor passa a ser referência de ensino no Brasil. É algo que estamos trilhando. Temos um longo caminho a percorrer, mas estamos no trilho. Cada vez mais temos participação desse processo em suas diferentes esferas. É um caminho de mão única”, acredita a profa. Carolina Quixadá, à frente da assessoria para Assuntos Internacionais da Unifor.

Além do programa de intercâmbio acadêmico internacional e da parceria com o Ciência sem Fronteiras, a Unifor oferece disciplinas de língua inglesa na graduação, possui programas de dupla titulação com universidades francesa e alemã, abriga em seu campus um escritório filiado ao Departamento de Estado Americano – que é aberto ao público -, participa de feiras internacionais e investe na internacionalização das pesquisas, com publicações em revistas de circulação internacional.

“A Unifor teve uma visão prospectiva. Percebeu essa necessidade de inovar, de adotar novos modelos e práticas. Começou buscando parcerias internacionais e já soma mais de 90 instituições conveniadas, sem falar na dupla titulação. Esse modelo era pouco difundido. Fomos pioneiros no Ceará e uma das poucas no Brasil a implantar a dupla titulação. Até então não se trabalhava com esse formato, existiam o mestrado e o doutorado sanduíches, mas a dupla titulação era novo. Nesse contexto, o intercâmbio funciona como um laboratório para que possamos conhecer e se aproximar das instituições e, a partir daí, evoluir para a dupla titulação”, relembra a professora Rosa Júlia, que acompanhou a implantação da dupla titulação na Unifor.

O crescimento da procura pelo intercâmbio – tanto para quem quer sair do Brasil como para quem quer estudar em território brasileiro – é facilmente observado. Esse fator passa pelo momento econômico favorável pelo qual o Brasil atravessa, mas também pelos resultados que os alunos carregam na bagagem após vivenciarem essas experiências. Todo esse trabalho tem como objetivo inserir a Universidade no contexto global. A Unifor vem investindo no fortalecimento do programa de intercâmbio, que inclui a mobilidade dos alunos, professores e também funcionários; na criação de programas de intercâmbio de curta duração; na ampliação dos programas de dupla titulação; e no aumento da oferta de mais disciplinas de idiomas estrangeiros na grade dos cursos da graduação.

“A Unifor tem uma política de buscar ativamente a consolidação de uma plataforma de visibilidade internacional. Há muitos anos perseguimos isso, através de convênios bilaterais e da participação em redes internacionais de cooperação. Além disso, o que justifica a escolha de alunos pela Unifor é que proporcionamos produtos de qualidade, como as disciplinas em outros idiomas. São poucas as universidades no Brasil que ofertam disciplinas em outros idiomas nos cursos regulares. O português não é uma língua fácil, então aquele aluno pode aprender um pouco do idioma enquanto está aqui, mas enquanto isso ele vai cursando suas disciplinas em inglês. Muitos alunos fazem isso, enquanto estão em uma cultura totalmente diversa vão cursando as disciplinas do seu curso em inglês, pois assim não perdem créditos e ganham tempo na sua formação. Esse é um fator muito forte. Temos também o programa de dupla titulação, além da credibilidade em nossa instituição. A educação se sustenta com reputação e credibilidade, não há alternativa. Se você não demonstrar qualidade não adianta”, acredita o vice-reitor de Ensino de Graduação, prof. Henrique Sá.

Paralelo aos esforços e investimentos feitos por governos e instituições, a internacionalização do ensino exige também interesse e dedicação dos alunos e professores, a exemplo do domínio de um outro idioma. Coordenadora do Programa Ciências sem Fronteiras na Unifor, a professora Mônica Carvalho vê este como o principal obstáculo a ser superado. “De uma maneira geral, exige-se como requisito fundamental uma boa nota nos testes de proficiência e o principal idioma exigido é o inglês. A Universidade está ciente da necessidade de ampliar os conhecimentos dos universitários nesse sentido e tem implementado ações tanto na graduação quanto na pós-graduação para melhorar o desempenho de nossos candidatos”.

A Unifor se filiou como instituição parceira do Ciência sem Fronteiras desde a sua implantação, “ciente da importância de expandir o seu processo de internacionalização”, conforme destaca a professora Mônica Carvalho. Em 2012, 15 alunos foram fazer graduação sanduíche nos Estados Unidos, Inglaterra e Itália. No decorrer de 2013 até meados de maio deste ano, 53 estão participando do Ciência sem Fronteiras em países como Reino Unido, Canadá, Estados Unidos, Alemanha, Noruega, Austrália, Coreia do Sul, Espanha, Irlanda, Hungria, Itália e França. “Esse acréscimo decorre da intensa divulgação que a instituição vem realizando para conscientizar os seus estudantes da importância do programa, não apenas para a formação individual de cada um, mas para toda a comunidade universitária”.


DEPOIMENTOS

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“Decidi vir para a Unifor em 2013, vinda da Deggendorf Institute of Technology . Escolhi Fortaleza pelo clima, na época estava chovendo muito na Alemanha. Além disso, tive contato com outros alunos brasileiros e quis conhecer essa outra realidade. Na minha universidade estudo International Management e aqui, Comércio Exterior. Faço cinco cadeiras, todas elas em inglês, já que não sabia falar português antes de chegar. Gosto muito da Unifor. É amplo e verde, você tem contato direto com a natureza, bem diferente de onde eu venho. Os professores são ótimos, você pode tirar as dúvidas, todos ajudam bastante”.
Anna Karl, estudante da Deggendorf Institute of Technology, na Alemanha. Estuda Comércio Exterior na Unifor.

Sou de Barcelona, Espanha. Lá estudo Engenharia de Produção, mas aqui estou fazendo cadeiras de Comércio Exterior. Na Espanha vou poder aproveitar as cadeiras que faço aqui. Ao mesmo tempo, faço meu projeto final da graduação, sobre os impactos socioeconômicos da Copa do Mundo no Brasil. Acho os espaços da Universidade muito legais. É um local amplo, aberto e bem tranquilo para estudar. Vim porque minha universidade tem um acordo com a Unifor. Poderia ter ido para outros países da Europa, mas preferi conhecer outro lugar e, sobretudo, outra cultura. Atualmente, gosto muito do Brasil, especialmente das pessoas, sempre prestativas.
Pol Tortras, estudante da Universitat Politecnica de Catalunya, na Espanha. Estuda Comércio Exterior na Unifor.

“Vim para o Brasil para fazer um intercâmbio, pois minha universidade tem um acordo com a Unifor. Este é meu segundo semestre de estudo de Comércio Exterior. Na minha opinião, a Unifor é uma das melhores universidades que já conheci. O espaço aqui é muito relaxante, um ótimo ambiente para estudar. Eu gosto muito do curso e essa experiência vai valer muito à pena quando chegar no meu país, pois vou poder aproveitar todas as cadeiras que fiz. Outro ponto positivo é que pude fazer o primeiro semestre em inglês, porque a Unifor nos dá a possibilidade de seguir o curso em inglês. Só que eu vim para o Brasil com a vontade de aprender português, então neste semestre eu peguei as cadeiras em português para melhorar. Então, agora tenho a oportunidade de fazer os dois, o que é ótimo!”.
Cèdric Marin, estudante da Université de La Rochelle, na França. Estuda Comércio Exterior na Unifor.




INTERNACIONALIZAÇÃO EM NÚMEROS
2002 é o ano de implantação do setor de intercâmbio na Unifor
1.128 alunos fizeram intercâmbio na Unifor em 13 anos
360 alunos estrangeiros fizeram intercâmbio na Unifor em 7 anos
137 viajaram pelo programa de intercâmbio acadêmico da Unifor somente em 2012, 11 deles com bolsa. No ano de 2013 foram 125 alunos, sendo 84 em 2013.1 e 41 em 2013.2. Em 2014.1 foram 57 alunos.
86 foi o número de alunos estrangeiros recebidos em 2014.2, oriundos de 12 países: Alemanha, Espanha, França, Itália, Bélgica, Estados Unidos, Canadá, Colômbia, Argentina, Chile, Porto Rico e Coreia do Sul
101 mil bolsas de estudo devem ser concedidas até 2015 para estudantes brasileiros da graduação e da pós-graduação por meio do Ciência sem Fronteiras
90 instituições de ensino superior, distribuídas em 25 países, possuem convênio com a Unifor
16 disciplinas são ofertadas em inglês pela Unifor nos cursos da graduação e uma em francês
15 alunos foram selecionados em 2012 para a graduação sanduíche pelo Ciência sem Fronteiras
53 alunos participam, do decorrer de 2013, até meados de maio deste ano, do programa do Governo Federal
25 alunos do curso de Economia e Comércio Exterior da Unifor já concluíram dupla titulação na Deggendorf University of Applied Sciences, na Alemanha, sendo 17 da graduação e 8 do mestrado.
6 alunos do curso de Administração da Unifor concluíram dupla titulação na Novancia Business School, na França.



SAIBA MAIS
Programa de Intercâmbio Acadêmico da Unifor
A Unifor hoje possui convênio com mais de 90 instituições de ensino superior, distribuídas em 20 países. Os convênios de cooperação possibilitam aos alunos, professores e funcionários a realização de um intercâmbio, seja de pesquisa, estudo ou idiomas. Iniciado em 2002.2, com a viagem de 10 alunos Unifor, o programa já soma, hoje, a participação de 1.128. O principal destino escolhido é a Europa.

Programa de dupla titulação estrangeira
A dupla titulação é oferecida para alunos de Ciências Econômicas e Comércio Exterior na Deggendorf University of Applied Sciences, instituição pública alemã, e na Novancia Business School, associada à Câmara de Comércio de Paris. E para estudantes de Administração, na instituição francesa. Com o programa, os alunos cursam disciplinas na instituição estrangeira por um ano e, ao concluir a graduação, obtêm os dois diplomas.

Disciplinas em língua inglesa
A Unifor foi pioneira no país ao incluir nas grades curriculares dos seus cursos de graduação disciplinas em língua inglesa. Atualmente, são ofertadas 16 disciplinas nessa modalidade, a exemplo da cadeira de Logística Internacional e Negociações Internacionais. O acesso a essas disciplinas independe da opção pela dupla titulação e para cursá-las não há custo adicional. Vale ressaltar, ainda, que todos os professores inseridos nesses programas possuem titulação de mestre e doutor, além de experiência acadêmica em países de língua inglesa.

Escritório EducationUSA
Funciona na Unifor desde 2010 o único Escritório EducationUSA do Ceará. Em todo o Brasil, são 25 escritórios, parte de uma rede de 450 presentes em 170 países. Os escritórios contam com orientadores treinados sob a coordenação da Comissão Fulbright, com apoio do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Seção de Educação e Cultura, oferecendo informações sobre instituições educacionais nos Estados Unidos e orientação para pessoas interessadas em encontrar boas oportunidades acadêmicas.

Programa Ciência sem Fronteiras
O Programa Ciência sem Fronteiras é fruto de um esforço mútuo do Governo Federal, por meio dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação, através de suas respectivas agências de fomento CNPq e Capes, com a finalidade de promover a internacionalização do ensino superior brasileiro. Prevê a concessão, até 2015, de 101 mil bolsas de estudo para estudantes da graduação e da pós-graduação realizarem intercâmbio em países estrangeiros, além de atrair pesquisadores do exterior.

 

 

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 238

 
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