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Universidade de Fortaleza inaugura Biblioteca Unifor Fundação Edson Queiroz - Sala Matarazzo

O espaço, aberto ao público, possui 3.031 volumes considerados raríssimos de livros de arte e de artistas e coloca o Ceará em definitivo na rota de pesquisadores e interessados em artes visuais.

un238-IMG_5776Ao longo dos anos, a Universidade de Fortaleza veio trilhando um sólido caminho de estímulo e apreciação à cultura. Foi assim com a criação do Espaço Cultural Unifor, em 1988. Reinaugurado em 2004, após ampla reforma, o ambiente é hoje consolidado como local de apreciação da arte. Possuindo padrões compatíveis com as melhores galerias do mundo, o Espaço Cultural Unifor já recebeu artistas do porte de Miró, Rembrandt, Rubens e Portinari.

Seguindo o caminho de fomento à apreciação artística, a Fundação Edson Queiroz inaugurou, no último mês de abril, a Biblioteca Unifor Fundação Edson Queiroz - Sala Matarazzo. A coleção, adquirida em agosto do ano passado, corresponde à biblioteca particular de Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo Matarazzo, um dos principais mecenas da história do Brasil e fundador do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) e criador da Bienal Internacional de São Paulo.

A biblioteca reúne uma das mais importantes coleções de livros de arte do país. São 3.031 volumes considerados raríssimos, que se destacam pela beleza gráfica de seu interior. “O valor cultural das obras raras desta coleção é incalculável”, avalia José Augusto Bezerra, presidente da Associação Brasileira de Bibliófilos (ABBi). Datados de 1750 a 1976, os livros de arte e de artistas – pintores, gravadores, desenhistas, impressores e encadernadores - têm tiragem limitada e alguns são assinados pelos próprios autores.

“A biblioteca possui muitos livros que são obras de arte, que estão aqui mais para ser admirados que lidos. Temos álbuns raros aqui, com gravuras originais e assinadas, e é isso que eu acredito ser o grande diferencial. Estamos realizando agora uma curadoria de todos os livros que têm dedicatória, pois alguns possuem dedicatórias do próprio artista”, conta a curadora da coleção, Aída Cordeiro, que trabalhou doze anos no MAC/USP. A curadoria teve como critério de organização, além do destaque para as obras raras, os assuntos, tais como livros de artista; teoria, história e crítica da arte; revistas de arte; livros sobre museus e os álbuns, que são aqueles que vem acompanhados de obras de arte em papel, reproduções em maior escala e ilustrações destacáveis.

Cecília Bedê, assistente de curadoria, contou que muitos dos livros tiveram que passar por um processo de restauração. “Foi um período de três meses de trabalho. Muitos ainda estão passando pelo processo. Podemos considerar esta uma biblioteca de arte, mas há também títulos de outros temas como filosofia, saúde, política, história. Porém, estes livros contém algo de artístico, como uma ilustração ou uma encadernação mais antiga e trabalhada com iluminuras. Há livros de história em que as ilustrações são feitas com pigmento de ouro. Livros com aquarela feita à mão, com gravuras originais. Isto é, todo o acervo está voltado para a arte. Tentamos fazer núcleos por assuntos: moda, arquitetura, biografias, crítica de arte. Há também o núcleo com livros dos três países em que o Matarazzo viveu: Itália, França e Brasil. Há coleções de enciclopédias de gravuras, enciclopédias universais e de arte. Uma coleção importante também são os catálogos do MoMA (Museum of Modern Art), que são catálogos comuns de exposições, mas quando você os reúne, conta a história de um período da arte. Essa biblioteca tem livros desde 1750 até 1976, então é uma biblioteca moderna”.

Raridades
Entre as publicações disponíveis, encontra-se a primeira edição, datada de 1750, da “Opere Varie di Architettura”, de Giovanni-Batista Piranesi, considerado o maior gravador do século 18. A obra traz a série completa de gravuras dos cárceres de Roma. Também presente está a primeira edição, de 1835, da “Malerische Reise in Brasilien”, do ilustrador alemão Moritz Rugendas. O volume é composto por 100 litografias que retratam características físicas, hábitos e costumes da população brasileira. Edições assinadas por modernistas como Marc Chagall e Max Ernst também compõem a coleção. Também merecem destaque “Menino de Engenho”, de José Lins do Rego, com ilustrações originais de Cândido Portinari. O álbum “Miserere”, do artista Georges Rouault, com 58 litografias de grandes dimensões e “As Vidas dos Pintores, Escultores e Arquitetos”, de Giorgio Vasari, pintor e arquiteto italiano conhecido principalmente por suas biografias de artistas italianos.

Para o chefe da Divisão de Arte, Cultura e Eventos da Unifor, prof. Thiago Braga, a importância de anexar a coleção de Ciccillo Matarazzo ao acervo cultural da Universidade está em “possibilitar a pesquisadores e estudantes um espaço rico de experiência com a arte e um campo amplo de novos conhecimentos”.

O professor ressalta a ligação entre a nova biblioteca e o Espaço Cultural Unifor. “É interessante o diálogo com o Espaço Cultural, pois muitos dos artistas presentes nas exposições, em obras de artes visuais, também estão na biblioteca, em livros, catálogos, textos teóricos e até mesmo obras originais, como Di Cavalcanti, Portinari, Bruno Giorgi, Rugendas e Maria Martins. É uma biblioteca que atrai o público de uma maneira diferente da biblioteca comum. Dificilmente alguém entrará sabendo que livro exatamente quer ver. O público visita como se fosse uma exposição”.

A Biblioteca Unifor Fundação Edson Queiroz - Sala Matarazzo coloca o Ceará definitivamente na rota do turismo cultural, especialmente pesquisadores e interessados em aprofundar o conhecimento em artes visuais. O local é aberto ao público, mas as visitas devem ser previamente agendadas, em função dos cuidados necessários com as obras.


Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 238

 
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