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Jovens escritoras na Unifor

Estudantes despertam para a Literatura e conseguem publicar seus próprios livros fora da mídia digital

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Emanuela Monte Talita Nogueira Marina Duarte Priscila Baima



Como bem descreveu Airton Monte em um prefácio do livro Os Catadores de Sirís, de José Alcides Pinto, “toda arte é fruto de uma realidade ou de um feixe de realidades. Mas toda arte mostra-se única e independente, porque não tem compromisso fiel com a realidade, mas sim com a sua recriação”. Partindo do real, mas acrescentando a ele o imaginário, jovens escritoras da Universidade de Fortaleza têm transformado em obra o seu cotidiano. Em uma viagem intemporal, elas fogem corajosamente do cenário virtual, e partem, de forma avulsa e autônoma, rumo ao sonho de tornarem-se grandes autoras. Fazem um apanhado de seus sentimentos, reúnem nos moldes de um livro, mandam para editoras, imprimem e, em seguida, os difundem por meio da internet.

Segundo a poetisa, escritora, coordenadora da Revista de Humanidades e professora da Unifor, Aíla Sampaio, o despertar para a Literatura é pertinente para quem deseja publicar livros na era digital. “Fico muito feliz em ver que na época em que o mundo virtual domina, ainda temos jovens que, embora conhecedores das novas tecnologias, têm paixão pelos livros e se aperfeiçoam na arte de escrever. Isso me faz voltar a crer que essa juventude ainda pode revolucionar o mundo e fazer com que a arte vença esse processo de desumanização por que estamos passando”, acredita a professora.

Em linguagem acessível, com questionamentos diversos válidos na pós-modernidade, o livro de poesia Como se Fosse Verdade, da estudante recém-formada em Direito pela Unifor, Talita Nogueira, 26, revela sua habilidade singular com o gênero. Sexto lugar no IV Prêmio de Literatura Unifor, em 2012, com o poema Vermelho em Dois Tons, a aluna entrou para o livro de coletâneas, prêmio para os vinte primeiros colocados no concurso, e saiu do anonimato. Apesar de ainda não ter publicado o seu próprio livro de poesias, o material de Talita está pronto para a impressão e contará com o prefácio do professor Batista de Lima, da Unifor. “O livro é uma coletânea de poemas que venho escrevendo desde 2010. Pretendo publicar com o aval do professor. Fiquei muito feliz por ter meu livro elogiado por Batista de Lima, escritor renomado, membro da Academia Cearense de Letras”, conta.

A estudante do primeiro semestre de Publicidade e Propaganda, Emanuela Monte, 25, lançou, em fevereiro de 2014, o seu primeiro livro, 27 Páginas Antes de Dizer seu Nome. A história narra um triângulo amoroso, onde os nomes dos personagens só são revelados a partir da 27ª página. Para M. Monte, assinatura da autora, foi uma surpresa obter uma resposta positiva para publicação. “Depois de organizar e revisar o livro, enviei para diversas editoras do Brasil. A resposta de publicação era algo que eu queria muito, mas não esperava. Tive uma sensação de alívio, de começo”, desabafa a autora.

Ainda permeando o universo de mensagens e cartas, outra jovem compilou as páginas de um diário particular e decidiu escrever um livro sobre o amor. Marina Duarte, 19, também do curso de Publicidade e Propaganda (7º semestre), publicou, por conta própria, o livro Pcicose do Amor, que relata a experiência da jovem com um namorado à distância. O texto, que traz uma linguagem teen e despreocupada, já conquistou diversos fãs na internet.

Marina conta que o curso de Publicidade e Propaganda da Unifor ajudou consideravelmente para o sucesso da publicação. “Através das aulas aprendi a montar o layout do livro, pude desenhar do jeitinho que eu sonhava. Além do mais, com o curso aprendi a gostar de ler, pois todos os meus professores me incentivaram ao hábito da leitura. Isso me motivou a escrever”.

Para o professor Batista de Lima, a proposta das alunas da Unifor é bem interessante. “Essas meninas tem o público certo, atingem a faixa etária delas, porque falam a mesma linguagem. Penso que elas sofrem grande influência das redes sociais. Reconheço o talento e a coragem dessas jovens e aconselho a todos os novos aspirantes a escritor que que leiam os clássicos da literatura. É muito importante conhecer Leminski, Ana Cristina César, Manoel de Barros. Autores locais como José Alcides Pinto, Luciano Maia, Pedro Salgueiro. Depois poderão aventurar-se em Crime e Castigo, Guerra e Paz, O Bom Crioulo. E já que a matéria descortina a reflexão fértil de que nossas alunas despontam com suas entrelinhas na Unifor, é oportuno citar grandes nomes femininos da literatura cearense como Raquel de Queiroz, Ana Miranda e Joyce Cavalcante”, aconselha o professor.

A estudante do 5º semestre de Jornalismo e bolsista do Núcleo Integrado de Comunicação (NIC), Priscila Baima, 23, também tem um material a espera de publicação. É o livro de microcontos Continuo. A ideia surgiu quando a autora pensou em reunir fatos de seu cotidiano e agrupá-los em livro. “Cada página terá um microconto e, no final de cada um, a palavra ‘continua...’. Eu peço que o leitor continue com a reflexão, com o conto, com a leitura. Isso dará ao leitor uma reflexão própria sobre a minha visão de mundo”, explica. Priscila pretende finalizar o projeto gráfico para encaminhar o livro para editoras locais e nacionais. “Ainda são poucos [os jovens escritores no Ceará], mas os que estão conseguindo se destacar são inspirações para os que ainda estão começando, mostrando que é possível entrar no mundo da literatura sendo jovem”, finaliza a futura jornalista.

Segundo Batista de Lima, “falta apenas organização, pois os alunos ainda são tímidos em apresentar para nós, professores, seus textos. Estes talentos estão soltos, devemos criar um grupo de estudos e pensar em estratégias de publicação. Essas garotas, que já têm materiais prontos ou já publicados tornam-se responsáveis por seus leitores e sugiro que realizem fóruns e palestras para discutir literatura na Universidade para incentivar mais alunos a produzir”, conclui.

A palavra escrita não perdeu seu valor. Apesar do ritmo acelerado com que esta geração vem consumindo informação, as gavetinhas, ou notebooks, abrigam textos inteligentes e criativos que podem fazer toda a diferença. Onde estão os sujeitos que narram as histórias que ainda não foram contadas? Queremos história. Das boas. Alguém ainda se arrisca?


Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 237

 
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