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Produção com sustentabilidade: tendências

por Francisco Elicivaldo Lima*

No entorno do conceito de sustentabilidade ainda há muitos discursos, teses e opiniões, mas é fato que em qualquer debate acerca de desenvolvimento não há como desconsiderar o tema. Assim, unir matérias como “sustentabilidade” e “eficiência energética” não é tarefa das mais simples, contudo aqui se começa pela exposição do conceito difundido no documento Nosso Futuro Comum, mais conhecido como Relatório Brundtland das Nações Unidas que cita: “o desenvolvimento sustentável é desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. Em síntese, prevalece a ideia de que Sustentabilidade incide sobre a preservação dos recursos naturais contra a exploração, em nome da produtividade e da competitividade.

Nos mais diversos segmentos da indústria, questões sobre impactos ambientais e eficiência energética têm, de modo significativo, ganho destaque na lista de prioridades de empresas que buscam  otimizar o uso das fontes de energia – utilizando-a de maneira racional –, eliminar o desperdício e, naturalmente, reduzir custos. Este comportamento se explica, em grande parte, pelos notórios  impactos negativos causados à sociedade, em todo o mundo, pelos tradicionais sistemas  produtivos, o que fez aumentar a pressão social e ambiental por mudanças, em especial, na  concepção e desenvolvimento de produtos e processos de produção que estejam alinhados a estes novos anseios. No Brasil, os indicadores de perda e desperdício de eletricidade são expressivamente altos, chegando, segundo o Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), a 40 milhões de kW por ano – esse número equivale ao consumo médio de aproximadamente 35 mil pessoas na Região Nordeste, por ano. Esta expressiva perda é atribuída a dois grupos: o dos consumidores – indústrias, residências e comércio –responsáveis pelo desperdício de 22 milhões de kW, e ao das concessionárias de energia, que sofrem o desperdício de 18 milhões de kW provocado por perdas de origem técnicas e problemas na distribuição. Conceitos como “mercado verde”, “produção mais limpa”, “ecoinovação” todos, enfim, buscando o equilíbrio entre o social, o ambiental e o econômico, têm norteado mudanças não só no padrão de comportamento dos consumidores, mas, também, na forma como os líderes de organizações definem suas estratégias empresariais nos mais diferentes segmentos da indústria e da economia. Como consequência das preocupações globais com as questões ambientais, estratégias que visam reduzir a demanda de energia nos processos de fabricação, empregados nos mais diversos setores, estão se tornando necessárias em resposta à crescente emissão de carbono e ao aumento esperado dos preços da eletricidade ao longo do tempo. Tais estratégias são aplicadas, por exemplo, aos processos de fabricação mecânica por usinagem, onde se tem buscado a redução ou eliminação de fluido de corte, otimização dos parâmetros de usinagem com vista à diminuição do consumo de energia e, também, a possibilidade de se obter máquinas-ferramentas em módulos, o que exige menor demanda de energia para seu acionamento. Assim, qualquer que seja a área de atuação de uma indústria, ela poderá buscar alternativas de modo a conseguir uma maior redução do impacto ambiental gerado por seu processo produtivo.

SERVIÇO
Francisco Elicivaldo Lima é professor titular da Universidade de Fortaleza (Unifor), doutor em Processo de Fabricação Mecânica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e está ingressando no pós-doutorado em Sustentabilidade na Produção, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos.


Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 237

 
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