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“O segredo da permanência, na arte, está em buscar aquilo que só nós podemos fazer”

235_un13com Humberto Gessinger

Você passou 10 anos sem gravar um CD somente de inéditas. Insular é seu primeiro disco solo. O que isso representa para você, que já possui tanto tempo de estrada e uma carreira bastante consolidada?
No início eu não sabia se as canções acabariam num disco dos Engenheiros do Hawaii ou do Pouca Vogal. Com o tempo saquei que elas pediam ambientes diferentes, várias formações. Gravei com companheiros de duas fases dos Engenheiros do Hawaii, além de outros músicos que admiro muito. Foi só por isso, por não haver uma banda fixa me acompanhando no disco inteiro, que resolvi lançar o Insular como disco solo. Assim, sem querer, acabei descobrindo um ambiente mais natural, em que me sinto mais à vontade.

Como foi a escolha dos músicos convidados para participar do Insular?
Foi mais uma questão de prestar atenção ao que cada canção pedia. Elas vão nos levando pela mão, se formos atentos. Foram escolhas muito mais emocionais do que racionais. Nós gaúchos temos muito a fazer no sentido de aumentar o diálogo entre a música regional e o pop, o rock… O mais importante é que a junção soe natural.

Você também é escritor e está lançando o livro Seis Segundos de Atenção. O Humberto músico e o Humberto escritor se completam?
Sim, são dois galhos da mesma árvore, e eles se realimentam. A palavra é muito importante na minha música, assim como o ritmo é importante no meu texto. Começar a publicar meus escritos ajudou minha música, criou outra ponte, sinto que o fluxo ficou mais suave. É o mesmo cara se expressando na primeiríssima pessoa, autoral até os ossos, por dois meios. Deve haver muita coisa em comum, mas procuro não analisar muito para não perder a naturalidade.

Com tantos anos de carreira, quem você diria que é hoje o público do Humberto Gessinger? Você mantém uma ligação próxima com seus fãs também por meio das redes sociais. Qual a importância dessa proximidade?
É legal saber que a música rompe barreiras de tempo e espaço. Mesmo antes de ter ferramentas digitais à mão, eu já buscava uma conexão mais direta com o que realmente interessa na minha arte/ofício. Sempre achei a qualidade do público mais importante do que a quantidade, e as novas ferramentas só facilitaram o que eu já fazia. Quanto à influência, há que ter cuidado. Eu, como fã e ouvinte, não quero influenciar meus artistas favoritos; quero que eles apostem todas as fichas nas suas convicções internas e corram o risco de fracassar. Isso é o que tento fazer como artista.

É possível definir em algumas palavras qual a “cara” de Insular?
É um disco na primeira pessoa do singular. Feito de escolhas particularíssimas. É um dos discos mais misteriosos que gravei, ele vai se revelando aos poucos, com várias camadas de leitura, ligações entre músicas. Depois de quatro anos com o Pouca Vogal, que era um duo acústico, o Insular também marca minha volta ao baixo e ao som mais pesado. Cada vez mais acredito que o segredo da permanência, na arte, está em buscar aquilo que só nós podemos fazer.

Suas músicas marcaram e ainda marcam gerações. Como é saber que você é inspiração para tanta gente, que suas músicas são trilha para momentos importantes da vida de inúmeras pessoas? Isso também impulsiona você a continuar?
Quando a gente escreve uma música, na escuridão do quarto, parece inimaginável que aquilo faça sentido para outras pessoas. Descobrir, na estrada, que um monte de gente se conecta àquelas emoções dá uma sensação muito boa de que não estamos tão sozinhos...

Perto dos 30 anos de carreira, como você analisa os diversos períodos da sua trajetória? Como é fazer música hoje em relação ao início?
Me sinto muito mais feliz e à vontade hoje em dia do que em qualquer outra fase da minha carreira. Há mais possibilidades de expressão, a informação viaja de forma mais rápida e com mais liberdade. Para quem trabalha com criação, isso é ótimo. Como ouvinte, a gente tem que ser mais esperto hoje, não pode ficar muito passivo. A mídia mainstream tá mais careta. Mas, procurando em outros ambientes, a gente encontra coisas maravilhosas.

Você está numa Universidade, um local de buscas, descobertas, conhecimentos. Foi em uma universidade que você iniciou sua carreira musical com os Engenheiros do Hawaii. Que lembranças tem desse tempo?
Lembro que, no começo, éramos chamados para tocar em festa de sindicato de engenheiros ou em festa de surfista, por causa do cabelo loiro, comprido. E eu estudava arquitetura e não surfava!

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 235

 
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