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Leite originado a partir de cabras transgênicas é produzido na Unifor

235_un02Os caprinos foram os primeiros transgênicos para a lisozima humana produzidos no país. Seu leite contém a proteína humana lisozima, que servirá para combater a diarreia infantil e a desnutrição.

Em julho de 2012, a Unifor, em parceria com a Universidade da Califórnia, em Davis, nos Estados Unidos, celebrou o nascimento de dois caprinos transgênicos pelo método de microinjeção. A ideia era que os animais produzissem leite rico em lisozima, proteína humana presente em várias secreções como a saliva, a lágrima e o leite materno, atuando como antibiótico natural. O objetivo é utilizar o leite contendo lisozima humana para combater a diarreia, terceira maior causa de mortes entre crianças abaixo de cinco anos no mundo. A boa notícia é que, além de já estar sendo produzido, os testes para avaliar se o leite possui índices satisfatórios de lisozima e é propício para o consumo humano já começaram.

Segundo a professora do curso de Fisioterapia da Unifor Julyana Maia, cerca de 2 mil crianças morrem diariamente de diarreia no mundo. Para a professora, o leite produzido pelas cabras propõe a prevenção ou o uso terapêutico contra a diarreia e a adição suplementar contra a desnutrição porque a lisozima inibe o crescimento de certos tipos de bactérias. “Por limitar esse crescimento de bactérias causadoras de infecções intestinais e diarreia, essa lisozima é considerada, junto com a lactoferrina, um dos principais componentes de imunidade passiva do leite humano que contribuem para a saúde dos bebês que mamam no peito. Logo, crianças que não podem ser amamentadas terão a oportunidade de receber a lisozima pelo leite caprino quando o projeto for ampliado”, afirma.

O professor do curso de Medicina da Unifor e do programa de doutorado da Rede de Biotecnologia do Nordeste (Renorbio) Marcelo Bertolini coordena o projeto junto com a professora Luciana Bertolini. Ele explica que a pesquisa, intitulada “Desenvolvimento de imunocompostos no leite de caprinos transgênicos para prevenção e tratamento da diarreia infantil no semiárido do Brasil”, contempla três etapas.

A primeira foi a produção e o desenvolvimento dos caprinos transgênicos que expressam a lisozima humana. Em janeiro de 2013, a fêmea Lisa foi induzida hormonalmente à lactação e seu leite foi utilizado para testes em ratos desnutridos. “O teste consistia em observar qual seria o impacto do leite da Lisa. Nesse experimento, observamos que a recuperação dos ratos desnutridos que receberam o leite diariamente foi bem melhor do que a dos ratos que receberam leite de cabra normal. Depois de duas semanas, os animais que receberam o leite da Lisa tinham o mesmo peso dos animais que não tinham desnutrição, enquanto o outro grupo, que recebeu leite normal, ainda estava com menor peso. Logo, o trabalho piloto demonstrou que o leite é efetivo no restabelecimento na condição de desnutrição. Isso tem sido bastante animador para continuarmos com novos experimentos”, exalta o professor.

Já em execução, a segunda etapa consiste na realização de experimentos farmacológicos e toxicológicos com o alimento. Outros testes contra agentes microbianos específicos também estão sendo realizados dentro do laboratório. Segundo a profa. Luciana Bertolini, é necessário que os testes sejam realizados extensivamente antes que o leite seja efetivamente consumido por humanos. “Precisamos saber se o leite tem o benefício que a gente quer que tenha, se tem as características de proteção, saber se faz bem. Esses são os testes farmacológicos e toxicológicos. Quando alimentamos diferentes grupos, observamos se os resultados foram benéficos ou se foram para um lado adverso. Até agora só vimos efeitos benéficos”.

A terceira e última etapa do projeto consiste em testes clínicos e tem perspectiva de início para o segundo semestre de 2014 ou início de 2015. Esta etapa é dividida em três fases. A primeira fornecerá o leite a adultos saudáveis para a coleta de informações clínicas sobre efeitos benéficos ou adversos do leite contendo a lisozima humana. Na fase II, ocorrerá a alimentação de crianças saudáveis. Já a fase III partirá para os testes com o público-alvo, ou seja, crianças que sofram de doenças diarreicas ou desnutrição. “Esperamos que em 2015 ou 2016 as crianças já estejam se beneficiando do leite. Cumprimos a primeira etapa, estamos em meio à segunda e, em breve, esperamos iniciar a terceira. Apartir daí, o leite deverá ser distribuído para regiões necessitadas e esperamos que o Ministério da Saúde tenha um papel significativo nisso. Também estamos trabalhando para melhorar a genética das cabras leiteiras da Fundação Edson Queiroz”, conclui o prof. Marcelo.

“Se for bem sucedido, o impacto desse projeto vai ser sentido tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo, onde menos crianças morrerão por conta de infeções bacterianas simples e má nutrição. Essas condições ceifam a vida de milhões de crianças a cada ano e deixam milhões de outras à margem da sociedade, sofrendo as consequências cognitivas e de crescimento advindas da desnutrição. É nossa esperança que o leite desses animais ajude as crianças a levar uma vida mais saudável e produtiva”, expõe a professora associada da Universidade da Califórnia Elizabeth Maga.

De acordo com a profa. Luciana Bertolini, a estrutura encontrada no Laboratório de Biologia Molecular e do Desenvolvimento da Unifor é completa, permitindo o pleno desenvolvimento dos trabalhos no campus. “Trabalhamos desde construções gênicas, embriologia, biologia celular, testes com proteínas e análise do leite, e biotecnologia da reprodução em caprinos. O aluno vivencia o projeto do início ao fim, experiencia a biotecnologia em amplo espectro”.

“Na Unifor contamos com alta tecnologia. Muitos laboratórios em nível nacional não possuem os equipamentos que temos aqui. Para nós, que fazemos parte desse projeto, é notável a inovação, a formação tecnológica e as vantagens que temos ao trabalhar diretamente nele. Em nossa área, o aparato disponível na Unifor é extremamente importante. Com certeza sairei daqui completamente capacitado para trabalhar em muitos locais, em empresas renomadas, inclusive na indústria farmacêutica, com qualquer outro tipo de proteína, não apenas com a lisozima”, acredita Carlos Enrique Calderón, aluno do primeiro ano do doutorado em Biotecnologia do programa Renobio na Unifor.


Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 235

 
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