Banner

A Hora do Brasil em exposição na Biblioteca

com Jum Nakao234_nakao

Neto de japoneses, brasileiro de São Paulo, talento reconhecido mundialmente. O designer e diretor de criação Jum Nakao possui um vasto e fabuloso histórico no universo da moda, moldado logo após a adolescência, quando já sabia: trabalharia com tecnologia. No curso de engenharia eletrônica, no entanto, tudo era voltado para linha de produção, distante da interferência na realidade que almejava conseguir. Foi na moda que percebeu as possibilidades de expandir seu potencial criativo, sem abandonar sua antiga paixão. Com formação em Artes Plásticas e Moda, conquistou prêmios importantes no Brasil e fora dele e expôs em cidades como Paris, Tóquio, Firenze e Milão. Suas coleções, por vezes polêmicas, voltam olhares do mundo todo para o Brasil. Costurando moda, artes, tecnologia e ousadia em um só universo, Jum foi o primeiro estilista a criar uma coleção, em tempo real, durante uma semana de moda. A coleção A Hora do Brasil, resultado do projeto, está em exposição no hall da Biblioteca Unifor até 26 de outubro. Em entrevista exclusiva ao Unifor Notícias, o múltiplo artista fala sobre processos criativos e inspirações.

Unifor Notícias: Conte-nos um pouco sobre o início de sua carreira. Você sempre quis ser estilista?
Jum Nakao: Inicialmente acreditava que a eletrônica e a computação seriam os meus meios para interagir com o observador, expandindo e propiciando novas relações com o entorno. O que de fato ocorre naturalmente hoje em dia, em que a presença e influência das novas tecnologias como a internet, a eletrônica nas artes e a realidade virtual são uma realidade que mudaram as formas como as pessoas se relacionam e expandiram as possibilidades de compreensão do mundo exponencialmente. Busquei novos campos e descobri a moda. O que me atraiu foi a acessibilidade da linguagem, todos se vestem de alguma forma. Uma linguagem – forma de se expressar – simples, dinâmica e democrática, o oposto da complexidade formal da eletrônica, que foi minha primeira formação.

Unifor Notícias: Você é responsável por coleções marcantes, como A Costura do Invisível, cujo desfile foi considerado o melhor da década pelo São Paulo Fashion Week. O que você espera alcançar a partir delas?
Jum Nakao: O site www.jumnakao.com.br contém todo o histórico das coleções realizadas. Em poucas palavras, diria que valeu a pena fazê-las. Sem tê-las feito, não haveria começado. O conjunto do trabalho procurou sempre inspirar o observador, fazê-los acreditar em sonhos, em invisíveis, e a realizá-los, torná-los visíveis.

Unifor Notícias: Você faz muito sucesso no mundo todo. Recebe muita influência ou mantém características da moda brasileira?
Jum Nakao: Vejo o mundo de onde estou. Meu ponto de vista é a partir do Brasil. O Brasil é meu centro do mundo.

Unifor Notícias: Para você, o que é ser chique?
Jum Nakao: Chique é perceber o que está acontecendo a nossa volta com a elegância de se manifestar. É estar consciente de que existem coisas erradas e empreender melhorias. Chique é ter dignidade com a coragem da justiça.

Unifor Notícias: Costuma se ater a tendências?
Jum Nakao: A tendência é sermos esmagados. Aceitar as tendências é concordar com esta sina. Procuro criar uma nova tendência.

Unifor Notícias: Diria que seu estilo é uma mistura de...
Jum Nakao: Sonhos que inspiram e linguagem lúdica para nos fazer sonhar.

Unifor Notícias: Como surgiu a ideia de desenvolver uma coleção em tempo real durante uma semana de moda?
Jum Nakao: O Reality Project é um sonho que se tornou realidade em 2012 durante a 13ª edição do Dragão Fashion. Sempre sonhei em compartilhar o processo, o saber e o fazer de forma irrestrita. Realizamos o Reality Project ao vivo durante uma das mais importantes semanas de moda do Brasil para que a abrangência do projeto fosse a maior possível.

Unifor Notícias: Como você definiu o conceito da coleção e qual foi o maior desafio do Reality Project?
Jum Nakao: A partir da resposta ao edital “A redescoberta do paraíso brasileiro”, convidamos 20 participantes entre estudantes de moda, rendeiras, seleiros, artistas plásticos, joalheiros, designers gráficos, designers de moda, designers têxteis, costureiras, modelistas, entre outros, para compartilhar saberes e experiências. Em nossa primeira reunião elencamos tipologias e saberes locais que embalariam nosso projeto: a rendaria, a xilogravura, a selaria, a rede. As maiores dificuldades foram as de ordem prática. Trazer um sonho para o mundo real implica praticar a diplomacia com o possível. Reordenamos as pedras do caminho para que elas se tornassem pavimento para as etapas seguintes, e não obstáculos para nossa caminhada. Ao final, fomos todos recompensados, rendeiras se descobriram escultoras, seleiros se perceberam como arquitetos, designers desvelaram desejos dos recônditos das matérias, costureiras alinhavaram pontes entre saberes, modelistas moldaram o imaginário e por fim compartilhamos a redescoberta do paraíso brasileiro.

Unifor Notícias: O imaginário popular é muito presente em tudo que representa o Nordeste. Como você o adaptou às suas peças?
Jum Nakao: Valorizando este saber, tornando-o cobiçado. Precisamos exportar uma imagem “milionária”, sem receio ou má interpretação desta palavra, extremamente desejável, luxuosa. Somente assim nos tornaremos um país rico de verdade e digno não de misericórdia e migalhas, mas da riqueza de ser objeto de desejo dos outros e receber por este merecimento. O maior patrimônio é exportar estilo. Para se vender moda, é preciso estilo.


SERVIÇO
A Hora do Brasil
Hall da Biblioteca Unifor
Em cartaz até 26 de outubro
Visitações de segunda a sexta, das 7h às 22h, e sábado, das 7h30 às 16h30
Entrada gratuita


Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 234

 
Banner
Banner

Unifor Notícias | Portal Unifor | Fundação Edson Queiroz
Estude na Unifor | Central de Atendimento | Twitter
Fundação Edson Queiroz todos os direitos reservados