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Música clássica e a arte da liderança

com Maestro Ricardo Calderoni

233_musicoInspirado em grandes mestres, como Heitor Villa-Lobos e Eleazar de Carvalho, o maestro Ricardo Calderoni tomou para si a missão de levar a música brasileira para os quatro cantos do mundo, através da sua arte. Integrante de uma nova geração de maestros latino-americanos, sob sua batuta já estiveram a Astoria Symphony Orchestra, de Nova York, e a Wasa Sinfonietta, da Finlândia. No Brasil, comandou as orquestras Kalinka, Lestro Armonico e Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Compositor e violonista, foi o primeiro da história da música a compor um concerto duplo para violão, clarineta e orquestra. Ele esteve na Unifor para ministrar o curso A Arte da Liderança, que fez parte da série de atividades realizadas para marcar o início dos MBAs oferecidos pelo programa de Educação Corporativa. Em entrevista exclusiva ao Unifor Notícias, ele chama a atenção para o potencial musical brasileiro e defende o acesso à música como direito universal.

Há quem acredite que a música clássica é feita para as elites ou mesmo que a população em geral não aprecia esse estilo. O senhor concorda? Como é possível democratizar o acesso à música erudita?
Eu acho que o que falta é oportunidade para que as pessoas conheçam a música erudita. Geralmente, quem tem a chance de ouvir gosta. A presença da mídia é importante para democratizar o acesso, mas acho que é essencial investir, por exemplo, através das leis de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet, em festivais, concertos livres, e com isso garantir o acesso e aproximar a música clássica das comunidades. É preciso também investir em pessoas que têm talento. É importante destacar que os músicos precisam de condições de trabalho. Com uma boa estrutura, uma orquestra pode ter uma atuação mais concreta junto à população. A Orquestra Sinfônica Humanitas, da qual sou diretor artístico, tem esse foco, essa abertura para o social. Temos projetos que englobam orquestras e pequenos grupos itinerantes para levar a música a mais lugares. Esses grupos viajam e atuam em hospitais, instituições de ensino, diretamente com as comunidades.

O senhor tocou num ponto importante, que é a questão do investimento em novos talentos. Ainda é muito caro formar bons músicos?
Depende da especialização. Existem instrumentos que requerem investimento maior. Porém, o que Deus deu para todo mundo foi a voz, então, para quem quer ser músico, partir daí talvez seja mais fácil, mais acessível. Villa-Lobos fez isso. Num movimento de educação musical nas escolas brasileiras, promoveu os cantos orfeônicos – apresentações onde o maestro conduzia um coro de alunos de escolas de ensino regular – e chegou a colocar 40 mil crianças cantando no estádio São Januário, no Rio de Janeiro, uma coisa belíssima. Acho que algo nesse sentido é totalmente possível de ser feito, mas é preciso investir mais em formação. Pessoas talentosas não faltam no Brasil.

O senhor foi o primeiro músico da história a compor um concerto duplo para violão, clarineta e orquestra. Como foi essa experiência?
Sou violonista por formação, mas o violão, um instrumento bastante popular no Brasil, sempre foi excluído dos espaços de música clássica, era visto como um instrumento de vagabundo. Existe, inclusive, casos de pessoas que foram presas por tocar violão em praça pública. Isso é um preconceito porque o violonista clássico é um exemplo de disciplina. Então, com essa composição que estreou em 2012, em São Paulo, com o Fábio Zanon, o maior violonista do Brasil, a gente conseguiu romper esse paradigma e mostrar que a música popular brasileira e a clássica europeia podem sim ter um encontro bacana.

Como o senhor avalia essa fusão da música popular com a erudita? É um caminho possível para facilitar o acesso?
A música brasileira é muito rica, tem muitos ritmos. Na minha opinião, essa mistura com a música clássica é um território muito fértil. Recentemente, apresentei no Carnegie Hall, em Nova York, obras de minha autoria e tive a oportunidade de ver como nossa música é bem recebida lá fora. Hoje estamos em um momento rico, de mudanças. A música erudita brasileira está tendo a oportunidade de se desenvolver. Nos últimos anos, houve um aumento considerável de festivais, temos muitos talentos. Eu tenho grande inspiração no maestro Eleazar de Carvalho, uma pessoa que fez com que a música clássica brasileira atingisse um outro patamar no mundo. E assim a gente leva esse sonho para frente, levando a música brasileira para outros países, mas também para os jovens daqui, para as próximas gerações.


Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 233

 
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