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Vida dedicada à saúde

Referência em saúde pública no Brasil, a ex-professora da Unifor e pesquisadora Maria Zélia Rouquayrol é uma das homenageadas deste ano no Troféu Sereia de Ouro, iniciativa do Grupo Edson Queiroz.

233_profsaudeCom 60 anos dedicados à busca pela melhoria da saúde pública no Brasil, Maria Zélia Rouquayrol (foto) é exemplo de pioneirismo. Doutora livre docente pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mestre em Saúde Pública pela Tulane University of Louisiana, nos Estados Unidos, e formada em Farmácia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a pesquisadora, ex-professora da Unifor, será uma das homenageadas de 2013 no Troféu Sereia de Ouro, iniciativa do Grupo Edson Queiroz. A honraria é o reconhecimento por sua significativa colaboração para a efetivação, no país, dos estudos no campo da Epidemiologia, área voltada para a promoção da saúde de comunidades, por meio de medidas de controle, erradicação e, principalmente, prevenção de doenças. A premiação acontece no dia 27 deste mês.

Incansável pesquisadora, os trabalhos da profa. Maria Zélia foram essenciais para a identificação de fatores de risco que contribuíam para os altos índices de mortalidade infantil registrados em comunidades carentes de Fortaleza e a consequente transformação desta realidade, por meio de soluções simples, porém decisivas, como a melhoria do saneamento básico, a ampliação de atendimentos pré-natais, entre outras estratégias. Doenças que normalmente afligem populações de baixa renda sempre estiveram no foco das pesquisas da professora – entre elas, parasitoses, cólera, leptospirose, infecções respiratórias – tendo como preocupação primordial o aumento da qualidade de vida.

A passagem pela Unifor foi significativa, tanto para Maria Zélia quanto para a Instituição. Nos cinco anos em que atuou como docente dos cursos de Enfermagem e Farmácia, consolidou grupos de ensino e pesquisa em Epidemiologia, contribuindo para disseminar e fomentar o conhecimento na área, além de atividades desenvolvidas no Núcleo de Atenção Médica Integrada (Nami). Foi na Unifor também que ela conseguiu concretizar mais um feito: a publicação de seu livro mais célebre, “Epidemiologia & saúde”. A professora recorda que um dia, pelo campus da Universidade, encontrou o industrial Edson Queiroz, então chanceler. Ao indagá-la sobre suas pesquisas, ele ouviu da professora que estava finalizando um livro sobre Epidemiologia, pois sentia a dificuldade dos alunos em lidar com aqueles livros disponíveis à época. “Eram raríssimos os livros sobre o assunto feitos no Brasil. Quase todos eram americanos, com estudos de caso diferentes da nossa realidade. Além disso, tinham uma linguagem pesada, de difícil compreensão. Decidi, então, escrever um por conta própria, mas depois constatei que a impressão era muito cara”, explica a professora. Tomando conhecimento do obstáculo, Edson Queiroz imediatamente providenciou a publicação. “Quando o livro ficou pronto, foram impressas mil cópias e distribuídas para universidades de todo o Brasil. Edson Queiroz entendeu a importância do livro, deu um voto de confiança, apostou no meu trabalho e deu certo”, reconhece, com um sorriso no rosto.

A modéstia não a deixa falar, mas a verdade é que o livro, escrito pela professora em parceria com Naomar de Almeida Filho, cuja primeira impressão, de 1983, foi feita na Gráfica Unifor, é referência nacional e considerado um dos livros de saúde pública mais adotados pelas universidades brasileiras. Está na sétima edição.

Sobre o Sereia de Ouro, a profa. Maria Zélia agradece a distinção. “Para mim é uma honra receber o troféu, principalmente no ano em que comemoramos 40 anos da fundação da Unifor. Estou muito orgulhosa e grata por tamanho reconhecimento”.

Detentora de inúmeros prêmios e trabalhos publicados, Zélia Rouquayrol é natural de Sertânia, Pernambuco. Estimulada pelos pais, foi para Recife complementar os estudos e, em 1953, iniciou o curso de Farmácia, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ela se lembra da disparidade de gênero da sua turma de graduação. “Me formei em 1955. Acho que só havia duas mulheres. Naquela época, era difícil achar uma pesquisadora mulher, mesmo na área da saúde”, conta. Em 1957, iniciou a carreira de magistério na UFPE e, em 1958, se transferiu para Fortaleza, terra que abraçou como sua. Aqui teve atuação marcante junto à Secretaria Estadual de Saúde, na criação e coordenação do então Departamento de Epidemiologia e na implantação do Plantão Epidemiológico. Colaborou ainda como membro de grupo técnico do Ministério da Ciência e Tecnologia. Na ativa até hoje, é chefe do Setor de Análises Epidemiológicas da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza e coordenadora do Boletim de Saúde.

Mulher de muitas facetas, fã de cinema e Dostoiévski, a pesquisadora que tanto contribuiu para o controle de doenças no estado, como fosse pouco tudo que já fez, decidiu agora aventurar-se pelo universo dos livros infantis. Seu livro “Vovó e os animais arrepiantes” se encontra na segunda edição.

 


Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 233

 
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