Banner

Serious games: você ainda jogará um

por Herleson Pontes*

232_artigoEm um passado não muito distante, crianças e adolescentes se reuniam em frente à TV para se divertir em jogos eletrônicos dos mais diversos estilos, como corrida, luta, esportes e aventura. Na época, a finalidade desses jogos era entreter seus usuários, sendo considerados “brinquedos” eletrônicos. Entretanto, hoje observamos o crescimento de simuladores nos quais futuros médicos realizam procedimentos cirúrgicos, dentistas em formação realizando intervenções em pacientes virtuais, engenheiros testando seus conhecimentos através do desenvolvimento de projeto de estruturas, veículos, aeronaves e robôs em ambientes fictícios, educadores físicos que acompanham a evolução de seus alunos durante a execução de exercícios realizados por um avatar, ou mesmo futuros empresários aprendendo a gerir seu negócio através de cenários virtuais que reproduzem o dia a dia de uma empresa.

Esses exemplos seriam classificados como meros sistemas computacionais se não fossem dois grandes diferenciais: a semelhança do funcionamento desses programas ao dos jogos eletrônicos e o aspecto educacional empregado nessas aplicações.

Serious games (jogos sérios) consistem em jogos nos quais o objetivo principal é o aprendizado em determinada área do conhecimento, sendo esse processo reforçado pelo estímulo, competição e diversão oferecidos aos seus usuários na forma de entretenimento. Nesses jogos, os requisitos necessários para a execução de atividades pertinentes à área de atuação do profissional são desenvolvidos, possibilitando a formação de competências como organização, concentração, criatividade e liderança.

Assim como qualquer jogo, um serious game deve possuir características para torná-lo atrativo, como, por exemplo, roteiro cativante, design agradável e jogabilidade intuitiva. Entretanto, por causa do foco educacional desses jogos, existe uma preocupação especial em integrá-los às metodologias pedagógicas e habilidades das áreas de conhecimento envolvidas nesses jogos.

Um exemplo do uso desses jogos é sua crescente utilização como recurso de aprendizado em escolas do ensino fundamental e médio. Nessas instituições de ensino, os serious games são combinados a outros recursos de Tecnologia da Informação (TI), como lousas digitais e tablets, reforçando os fundamentos vistos pelos alunos em sala de aula, especialmente em disciplinas com histórico de dificuldades no processo de aprendizado, como Matemática e Física.

Outra área de aplicação dos serious games é a Educação Física. Diversos jogos, alguns inclusive de uso doméstico, possibilitam ao usuário realizar séries de exercícios assistidos pelo programa. Este, por sua vez, informa o quão próximo do ideal o jogador está do movimento desejado, além de exibir indicadores relativos ao gasto energético e ao tempo despendido.

A área da Saúde é uma das que mais empregam o uso de serious games na formação de seus profissionais. É comum a utilização desses jogos para simular procedimentos rotineiros de um médico, como a realização de cirurgias em pacientes virtuais. Nesses jogos, um dispositivo especial é integrado para prover ao usuário sensações semelhantes ao do manuseio de instrumentos como bisturi e tesoura. Esses dispositivos são conhecidos como hápticos e permitem ao jogador mover o instrumento virtual em um ambiente 3D, além de gerar forças como resposta às ações do usuário no jogo, como a resistência do bisturi ao cortar a pele.

Por fim, diversos estudos comprovam a eficácia dos serious games na aprendizagem de competências pelo futuro profissional. Trata-se de uma área em expansão na qual várias instituições, inclusive a Universidade de Fortaleza, têm desenvolvido pesquisas na tentativa de desenvolver jogos que facilitem a formação das competências inerentes ao bom profissional, diminuindo o hiato entre teoria e prática nas áreas de conhecimento abordadas. É muito provável que você esteja, em breve, diante de um serious game. Então, bom jogo!


* Herleson Pontes é doutorando e mestre em Informática Aplicada pela Unifor e graduado em Sistemas de Informação pela FIC. Professor do curso de Ciência da Computação da Unifor, palestrante, articulista e colaborador em diversas comunidades do Brasil sobre TI.

 

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 232

 
Banner
Banner

Unifor Notícias | Portal Unifor | Fundação Edson Queiroz
Estude na Unifor | Central de Atendimento | Twitter
Fundação Edson Queiroz todos os direitos reservados