Banner

Jovem e com 20 anos de carreira

com Taís Araújo

 

229_tais_araujoTaís Bianca Gama de Araújo Ramos começou no teatro com apenas 11 anos. Foi revelada ao país aos 17 com a personagem Xica da Silva em novela homônima na extinta TV Manchete. Aos 34 anos, Taís já comemora mais de 20 anos de carreira e atualmente está na minissérie global “O dentista mascarado”. A atriz é formada em Jornalismo, graduação que afirma ter contribuído com sua profissão artística. Em turnê com a peça Sangue na Caixa de Areia, do dramaturgo Jô Bilac, Taís fez apresentação no Teatro Celina Queiroz no início do ano. Simpática e solícita, concedeu entrevista exclusiva ao jornal Unifor Notícias horas antes de iniciar o espetáculo.

 

Você recebeu algum tipo de influência familiar para virar atriz?

Taís: Comecei a fazer teatro antes de fazer televisão, aos 11 anos de idade. Minha primeira novela foi Tocaia Grande (Rede Manchete, 1995). Meus pais me apoiaram porque eu fazia teatro como atividade extraescolar. Minha mãe tinha que ir comigo porque eu era menor de idade. Eles me levavam para que quando eu crescesse não falasse: ‘Olha, eu poderia ter sido uma atriz, mas vocês não me apoiaram’. Mas eles não acreditavam muito na carreira artística, me davam apoio mas não me empurravam, deixavam acontecer. Eles falavam: ‘Vamos ver no que isso vai dar’. Hoje eu vejo que construí uma carreira que tem sido próspera, bacana. Sou muito feliz com meu histórico. É difícil, uma ralação, mas é a construção de uma carreira. Só tenho 34 anos, pretendo viver disso o resto da minha vida. Quero trabalhar até morrer e espero não morrer tão jovem (risos).

 

Por que fazer uma graduação em Jornalismo, e não em Artes Cênicas?

Taís: Na verdade, veio do medo dos meus pais em relação à instabilidade da carreira de atriz (risos). Na época do vestibular, meu pai pediu para eu escolher outra profissão que não tivesse nenhuma ligação com artes cênicas, então optei pelo Jornalismo. E a graduação contribuiu muito na minha carreira, principalmente quando eu fiz o Superbonita (programa do Canal GNT, 2006), que apresentei durante três anos. Ali eu exercitava tudo que tinha aprendido na faculdade, era 100% jornalismo.

 

Quando lemos sobre sua carreira, há várias menções ao fato de você ter sido a primeira protagonista negra a atuar em horário nobre na televisão brasileira. Como você se sente sobre isso?

Taís: Tenho muito orgulho, mas já foi um orgulho maior, na verdade. Hoje em dia acho que isso é tão antigo. Esses títulos são bons para almanaque de televisão. Já foram dados e que fiquem lá. Vamos caminhar, expandir, aumentar o número de atrizes e atores negros trabalhando.

 

O que você prefere: teatro, cinema ou televisão?

Taís: Não tenho preferência, gosto dos três, são universos muito distintos. Fui criada fazendo televisão, passei uma vida fazendo isso. Já são 20 anos de carreira. O teatro para mim é muito desafiador, um lugar onde eu piso em ovos e respeito muito. Acredito que o teatro faz de mim uma atriz melhor e vai garantir que a minha carreira seja mais longa. O que eu tenho procurado fazer há muitos anos é tentar intercalar uma peça e uma novela, mas nem sempre eu consigo. E fiz pouquíssimo cinema até agora, apesar de adorar fazer.

 

Qual foi o papel mais importante da sua carreira?

Taís: Não tenho um único papel marcante, tenho alguns que foram muito importantes para mim, como a Xica da Silva (Rede Manchete, 1996), a Preta de Da Cor do Pecado (Rede Globo, 2004), a Ellen de Cobras & Lagartos (Rede Globo, 2006), a Penha de Cheias de Charme (Rede Globo, 2012), que eu acabei de fazer e foi deliciosa. Então tem algumas personagens que foram muito importantes para mim.

 

O que motivou sua recente mudança no corte do cabelo?

Taís: Apenas resolvi cortar. Não foi para a peça nem para nada, foi para minha vida. Queria cortar meus cabelos há muito tempo. Botei uma peruca curtinha em mim e pensei: ‘Acho que isso vai ficar muito bom’ (risos). Eu tenho um contrato com a L’Oreal, e falei com o Marcelo, meu empresário: ‘Cara, quero cortar meu cabelo muito curto’. Ele deu uma gargalhada e falou: ‘Você está louca?! A L’Oreal vende shampoo!’ E eu falei: ‘E cabelo curto não se lava?! Uma coisa não tem relação com a outra’. Então propus a eles [da L’Oreal] e, surpreendentemente, eles toparam. Foi ótimo. Liberdade, seu nome é cabelo curto. É entrar no banho, sair, balançar o cabelo, ou o que sobrou (risos), e sair.

 

Como é conciliar a carreira com a família?

Taís: É uma loucura, mas dá, não é impossível. Não é nada diferente da maioria das mulheres do país: trabalho, filhos, marido, casa. Acho que eu ainda sou privilegiada por ter uma estrutura: uma babá superlegal, uma mãe que tem disponibilidade, um marido [Lázaro Ramos] que, quando não está trabalhando, é 100% dentro de casa. O que difere é que de vez em quando tenho que me ausentar de casa para vir a outra cidade e lidar com a saudade do meu filho [João Vicente, de 1 ano e 11 meses]. Mas nós aprendemos, não adianta.

 

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 229

 

Unifor Notícias | Portal Unifor | Fundação Edson Queiroz
Estude na Unifor | Central de Atendimento | Twitter
Fundação Edson Queiroz todos os direitos reservados