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Especial Unifor 40 anos - Depoimentos, com Nair Silva de Castro

Nair Silva de Castro (Dona Nair)
Chefe da Assessoria Financeira por 40 anos.
Dona Nair se aposentou no mês passado.

228_donanairA Fundação Edson Queiroz foi criada em 1971 já com o objetivo de futuramente ser a mantenedora da Universidade. Para a implantação da Unifor, você tinha que apresentar um projeto junto ao então Conselho Federal de Educação. Esse projeto foi elaborado pelo Dr. Antero Coelho Neto, primeiro reitor da Unifor. Epitácio Cruz e José Walter Cavalcante colaboraram na idealização desse projeto. Nessa época, não tínhamos computador. Aliás, em 1973, não se sabia nem o que era isso. O projeto foi então todo datilografado e copiado em estêncil, em mimeógrafo, por mim. Quem me chamou para ajudar nesse projeto de datilografia foi o major José Raimundo Gondim, amigo do Dr. Edson, que também tinha sido chamado para compor a equipe de criação da Universidade.

A aprovação do projeto teve seus altos e baixos porque o Conselho Federal de Educação queria primeiro que a Universidade fosse criada como faculdades isoladas, e Dr. Edson não aceitou. Ele dizia que, se não conseguisse criar a instituição como universidade, ele transformaria isto aqui numa fábrica de qualquer coisa, mas que não faria cursos isolados de jeito nenhum.

Aí começaram a entrar as amizades, as pessoas influentes, porque a Universidade representaria muito para o Ceará. Na época, só havia a Universidade Federal do Ceará. Na batalha, entrou Virgílio Távora, que era uma pessoa influente no meio político e muito amigo do Dr. Edson. A Unifor era a menina dos olhos dele. Graças a Deus, ele transmitiu isso para os descendentes. Hoje o amor que o Dr. Airton tem por esta Universidade é impressionante.

Aí veio o vestibular. Eram 1.270 vagas ofertadas. Você via aquela euforia das pessoas que se candidatavam ao vestibular, naquela perspectiva de uma coisa nova. A Unifor estava abrindo um leque de opções. Ela começou com 18 cursos nas áreas de humanas, natureza, tecnologia e saúde.

Existia grande dificuldade de transporte. Só existia uma linha de ônibus para cá. Ela ia até o Hospital Geral, entrava na Unifor, e o fim dela era aqui realmente. Nem todo mundo naquela época tinha facilidade de ter carro. Então vinham quatro, cinco, seis pessoas dentro de um carro. Os alunos ficavam na calçada acenando a mão pedindo carona. E as pessoas eram muito acessíveis, paravam, levavam os alunos. Trazer já era um pouco mais difícil porque para cá não existia nada, não tinha ainda este comércio que é hoje ou essa parte residencial.

Eu já comecei na parte financeira, e é bom distinguir. Meu financeiro é o financeiro dos alunos: o boleto deles, analisar o problema. Em 1975, começou também o crédito educativo, que hoje é o FIES. Nessa época, a gente era responsável pelo almoxarifado. À medida que a Universidade foi crescendo, ficou impossível centralizar tudo num só local. O almoxarifado criou seu próprio departamento e o patrimônio também. Numa progressão geométrica, em 1979, a Unifor tinha chegado aos 10 mil alunos.

Sinceramente, tudo dentro desta Universidade me chamou a atenção, embora a gente tivesse acompanhado gradativamente esse crescimento. Mas a entrada do computador, por exemplo, foi algo que mudou radicalmente tudo. Nós olhávamos para o computador como se ele fosse um monstro prestes a nos engolir. Mas dentro de pouco tempo a gente se familiarizou e a vida de trabalho mudou porque facilitou tremendamente. Muita gente achava até que ia perder o emprego por causa daquela máquina. O computador era um fenômeno na época. E a Unifor começou com o computador já em 1976, só que o computador na época era um monstrengo, as máquinas eram enormes. Na época, o sistema de vestibular era em cartão. O aluno furava a opção que achava estar certa e aquele cartão passava por uma leitura ótica.

A Unifor começou ampliando novos cursos na área do CCS. Ultimamente, ela aumentou na área tecnológica, mas é um negócio bem mais recente. A criação da Odontologia foi um sucesso. Era o tipo do curso que só tinha na Federal. Para a Unifor, era o máximo criar a Odontologia, como hoje a Medicina tem um peso muito grande dentro da Universidade.

Depois outras coisas começaram a aparecer de forma gradativa. O Dr. Airton colocou cultura e arte, que também fazem parte do universo da educação. A visão dele é grande. Esse impacto de hoje em dia com exposições, peças de teatro representam muito tanto para o aluno como para o estado.

Tenho muito mais horas dentro da Unifor do que na minha casa, pode ter certeza. E ter passado 40 anos dentro dela é muito gratificante. Estou há três gerações aqui: já vi alunos se formarem e trazerem seus filhos e netos. Para mim é muito gratificante. A gente cria amor pela Universidade, pelo tipo de trabalho que desenvolve, que vê frutificar. A pessoa que está aqui não está só para estudar, está para se profissionalizar, para crescer na vida, para ser alguém. E dá uma satisfação imensa saber que está contribuindo para isso. Eu vejo hoje alunos que são desembargadores, juízes, presidentes de tribunais, e isso é espetacular. A gente se sente parte disso.




Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 228

 

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