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Especial Unifor 40 anos - Depoimentos, com Fátima Veras

228_reitoraFátima Veras
Reitora da Unifor

Entrei na Unifor em 1978, quando voltei da residência médica em infectologia que tinha feito no Rio de Janeiro, na Fiocruz. O secretário de saúde da época, Carlos Seag, chamou a mim e a Ana Rosa, uma colega que fez residência comigo, porque a Unifor ia inaugurar um serviço de atenção primária à saúde – era o Nami (Núcleo de Atenção Médica Integrada) – e estava precisando de uma pessoa com conhecimento em políticas de saúde. Na época, a infectologia era parte de doenças prevenidas por vacina e tinha tudo a ver com saúde pública e políticas de saúde. O Dr. Carlos Batista era o diretor do Centro de Ciências da Saúde (CCS). Comecei então na Unifor coordenando o Nami, que estava iniciando suas atividades. Até então, o Nami só tinha feito levantamento de saúde da favela do Dendê, uma comunidade de umas 500 casas, com 2 mil habitantes [hoje a comunidade tem cerca de 20 mil pessoas]. A gente conhecia todo mundo, fazia visita domiciliar, ia atrás das gestantes faltosas, dos meninos que não iam se vacinar...

Logo em seguida, dois ou três anos depois, comecei  a lecionar. Ainda não existia a disciplina de Epidemiologia e propus introduzi-la na área da saúde. Nessa época, as instalações eram muito rudimentares, o campus era muito árido, com uma estética muito sem vida. Quando dava meio-dia, por exemplo, você não via mais ninguém. O campus fechava e só voltava às 13h30. Existia um grande preconceito ainda da comunidade em relação à universidade privada. Não dava status ensinar na Unifor. Vivi bem esta fase.

No final de 1980 para início da década de 1990 é que começa a política da universidade de qualificar seu corpo docente e começa também o embelezamento do campus. Isso começa com os direcionamentos do chanceler Airton Queiroz. Ele então fez um movimento no qual todo professor podia fazer especialização, com a Universidade bancando tudo. Grande parte do corpo docente nessa época melhorou a qualificação. Até então, não se conseguia professor doutor porque não existia nicho para ele atuar e pesquisar. Também nessa época começa a modernização da Universidade na parte de infraestrutura, com mais laboratórios, mais equipamentos, mais sofisticação. À medida que o professor se qualifica, entra a pesquisa.

Entrei na direção do CCS em 1993. Introduzimos novas matrizes curriculares que se aproximassem mais da realidade e trouxessem empregabilidade imediata. Introduzimos Epidemiologia em todos os cursos da área da saúde – acho até que essa é minha contribuição maior para a Universidade. Hoje a Epidemiologia como disciplina está saindo da grade curricular porque atualmente ela perpassa as disciplinas do primeiro ao último ano.

Estávamos procurando melhorar cada vez mais a qualificação do nosso professor, o que oferecíamos ao aluno... E como poderíamos melhorar ainda mais a graduação? Com a pesquisa. Uma universidade que não produz conhecimento e só reproduz conhecimento dos outros não se pode denominar universidade. Os programas stricto sensu – os mestrados – começam em 1995, e com muitas dificuldades.

Acho que a qualidade de ensino e o reconhecimento da Unifor realmente vieram com a pesquisa e os programas de pós-graduação. Claro que a partir de uma graduação também solidificada. Hoje não ficamos a dever às grandes universidades. Temos programas completos de mestrado e doutorado em cada área do conhecimento. Temos condições de ter mais, e a gente sabe que pode avançar. A pesquisa também deu um upgrade na graduação. Como? Nossos alunos estão como bolsistas nos programas de pós-graduação e nossos professores da pós, que também fazem parte da graduação, levam seu conhecimento para a sala de aula, montam grupos de pesquisas, com bolsas ou voluntários. Isso alavanca a Universidade.

Do CCS, fui para a Vice-Reitoria de Graduação, onde fui vice-reitora por seis meses. E de lá assumi como reitora em 2009.

Digo que são quarenta anos muito bem vividos. A Universidade viveu cada etapa muito bem. Não é aquela criança querendo ser adulto nem o adulto querendo ser criança. Hoje ela é uma jovem senhora que está em forma e vestindo a roupa adequada para o tempo dela. No que se refere à infraestrutura, hoje o campus é belíssimo. As artes também sempre foram muito valorizadas nesta Instituição.

Nós temos a garantia da evolução da infraestrutura e da tecnologia que temos procurado acompanhar, tudo devidamente contemplado. Hoje nossos colaboradores – quer técnicos ou docentes – são muito mais qualificados do que há duas décadas. E claro que também nossos clientes são muito mais exigentes, é uma geração muito mais antenada. Eu só desejo para a Unifor um futuro de muito sucesso.

Acho que meu grande amor pela Universidade veio da liberdade que eu tive ao desenvolver meu trabalho. Sempre fiz porque acreditava, porque era um desafio fazer o melhor e acertar. Qual é o segredo do sucesso de uma instituição como esta? É ter gente capacitada, com vontade de acertar, e isso tem muito na Universidade. E outra coisa é um bom regente. O chanceler Airton Queiroz é o regente desta orquestra. À maneira dele, ele incentiva, cria oportunidades e tem sempre visões e ações empreendedoras.

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 228

 

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