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Cultura: fator de coesão social

por Adriana Helena Santos Moreira

228_arteeculturaA Universidade de Fortaleza tem desempenhado um papel importante no que tange ao desenvolvimento humano, social, econômico, cultural e sustentável, desenvolvendo atividades de pesquisa, de ensino e de extensão compatíveis com as reais necessidades da população, contribuindo, assim, para a superação de inúmeros problemas sociais da sociedade contemporânea. É neste contexto que emerge o artigo ora apresentado, gerado a partir de dissertação de mestrado, defendida na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – UTAD (Portugal) em julho de 2012, cujo foco foi analisar, de modo verticalizado, as atividades culturais desenvolvidas pela Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Universitária da Unifor, constituindo-se como objeto específico de análise o Espaço Cultural da Instituição.

O estudo partiu do pressuposto de que, para que o desenvolvimento social ocorra de forma mais significativa, notadamente em países em processo de desenvolvimento, como é o caso do Brasil, é necessário um cuidado particular com o capital social e cultural das nações. Isto é, devem-se considerar as possibilidades de o capital social e cultural contribuir para o desenvolvimento social e econômico, compreendendo, como elemento central desta relação, a cultura e o desenvolvimento.

Assinala-se que a cultura deve ser entendida como um fator de coesão social e nela os indivíduos podem se reconhecer mutuamente, cultivar-se, crescer em conjunto e desenvolver a autoestima coletiva. Dessa sorte, a pesquisa empírica em questão investigou de que modo o público, oriundo de comunidades de baixo poder aquisitivo e/ou baixo capital cultural, tem seu interesse despertado para participar das atividades culturais promovidas pela Universidade de Fortaleza, notadamente no Espaço Cultural Unifor.

No percurso histórico da Universidade de Fortaleza, ressalta-se que, anteriormente à inauguração do seu Espaço Cultural (1988), a Unifor já mantinha de forma significativa um diálogo muito próximo com a arte, especialmente as artes visuais, conforme apontam os registros da I Unifor Plástica no ano da instauração da referida universidade em 1973. Ou seja, desde o seu limiar sempre se caracterizou como incentivadora da cultura e das manifestações artísticas locais e nacionais, reafirmando o seu papel no contexto social.

As evidências do estudo apontam que os museus/espaços culturais possuem, em suas áreas expositivas, significativos valores imateriais, não se constituindo apenas como fontes de informação, mas, sobretudo, como lugares e meios de comunicação que estabelecem relações da comunidade com o patrimônio, a memória e a identidade, ocupando um relevante papel por serem considerados locais de visualização da memória cultural e da identidade. E, nesses termos, ressalta-se que um trabalho de arte-educação centrado na mediação de significados que concebe sentidos para as obras/objetos expostos, em uma exposição, pode ser percebido como espaço de construção de valores e apropriação de conhecimentos, gerando sentimentos de prazer e pertencimento.

Diante do exposto, cabe destacar que, desde a sua reinauguração em 2004 até hoje, o Espaço Cultural Unifor promoveu 20 exposições de âmbito nacional e internacional, levando à visitação do local mais de 100 mil pessoas, número constituído por 40% de alunos das escolas públicas e particulares do Ceará.

Nesta perspectiva, infere-se que a acessibilidade cultural promovida pela Universidade de Fortaleza – Unifor, através das ações educativas fomentadas pelo seu Espaço Cultural, promovem de forma positiva a formação do capital cultural e as transformações significativas na percepção de mundo, fundamental para desenvolver a capacidade intelectual e formar cidadãos críticos.

À guisa de conclusão, os resultados do estudo sublinham que as atividades culturais suprarreferidas potencializam a capacidade crítica e a inclusão sociocultural dos sujeitos sociais em questão.

* Adriana Helena Santos Moreira é chefe da Divisão de Arte e Cultura e professora do Centro de Ciências de Comunicação e Gestão. É doutoranda e mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), de Portugal. Possui especialização em Teorias da Comunicação e da Imagem pela UFC e é graduada em Letras pela UECE.

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 228

 

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