Banner

“Liderança é iniciativa”

com Oscar Motomura

227_motomuraOscar Motomura é considerado um dos maiores especialistas em estratégia, gestão e liderança do país. Fundador e principal executivo do grupo Amana-Key, construiu sua carreira com a excelência e a organização de um verdadeiro líder. Através de sua empresa de consultoria e educação executiva, foi responsável pelo treinamento de mais de 30.000 executivos e pela mudança no modo de gerir de grandes corporações. De 28 de janeiro a 2 de fevereiro, durante o evento Unifor na Direção do Futuro, Oscar palestrou para gestores e professores da Universidade. Confira a entrevista ao Unifor Notícias.

O senhor começou a trabalhar como office-boy de um banco internacional e dez anos mais tarde já ocupava um cargo de chefia na diretoria. Como explicar esse progresso em tão pouco tempo?
Motomura: (risos) Eu acho que uma das coisas importantes são esses princípios que a gente tem. Os princípios nos guiam e você os aplica nas situações mais diferentes. Um princípio que minha mãe me colocou logo quando eu fui trabalhar foi tratar as pessoas de igual para igual. Ela me disse que qualquer pessoa, mesmo o presidente da empresa, é um ser humano normal. Isso me ajudou muito a lidar com as pessoas, embora tenha me causado problemas, porque fazer isso com uma pessoa de poder nem sempre agrada. Houve alguns momentos na minha carreira que parecia que eu estava caindo, mas nessas horas você vê que quando se tem uma convicção é como se o universo ajudasse, e logo depois tem um retorno. Foi assim que eu comecei a crescer. Outra coisa que me ajudou muito foi o interesse que eu tenho pelas coisas. Quando eu era office-boy e não tinha trabalho, procurava saber como funcionava a máquina A, B e depois de alguns meses eu já conseguia manusear os equipamentos que estavam na área. Procurava também experimentar o que eu aprendia. Houve situações em que o antecessor que eu substituí fazia o trabalho em seis horas, então eu chegava, via que não fazia sentido, mudava e depois de algumas semanas estava fazendo em três horas o mesmo serviço. Essas pequenas coisas começam a chamar a atenção das pessoas. São iniciativas que você vai tomando sem esperar o chefe mandar, como se você fosse o protagonista da coisa. Observar como é que se pode ajudar e fazer diferente, alimentar o interesse de aprender coisas novas e estar sempre a serviço.

O senhor afirmou em entrevistas que o sucesso profissional não depende exclusivamente do currículo ou de experiências profissionais, mas de atitudes que representam a descoberta da essência do trabalho.
Motomura: São algumas coisas que fazem você refletir sobre a essência dos trabalhos. Por exemplo, para que uma universidade existe? Nós estamos aqui para servir a sociedade. No sentido de ajudar a educar as pessoas, não apenas para passar conhecimento; talvez seja mais do que isso, seja formar o caráter, fazer as pessoas serem seres humanos melhores. Esse negócio de conhecimento técnico hoje em dia é fácil de fazer, principalmente numa época em que se pode obter isso na internet. É preciso ter uma noção muito clara de para que a organização serve, para que ela existe, e isso é filosofar. Desde jovem todos nós temos a possibilidade de questionar a essência das coisas, e é esse tipo de questionamento que desenvolve um pensamento crítico. Então a essência é você refletir e através dessa reflexão descobrir formas diferentes de fazer aquilo com muito mais qualidade e excelência.

O senhor diz que ‘um bom líder é aquele tem boas atitudes’. O que é liderança, afinal?
Motomura: Esse é um assunto complexo, mas respondendo de forma muito simples eu diria que liderança é iniciativa, iniciativa, iniciativa. É aquela coisa de você olhar algo que não está dando certo e ir lá e fazer dar certo. Tomar iniciativa, tentar corrigir uma coisa que não está bem, mesmo na sociedade, mesmo que seja uma coisa muito difícil, e sempre procurar ajudar. Liderança é algo que todos têm na sua essência. Temos duas partes: uma é o ego, que funciona como uma armadilha em situações complicadas, e a outra é a liderança, que vem pelo espírito. A liderança está sempre em busca do bem comum. Quando se age dessa forma, as pessoas entendem isso e você acaba fazendo a diferença. E qualquer pessoa pode ser um líder, mas é preciso estar muito consciente de que essa liderança vem do espírito e não do ego.

É necessário uma empresa manter uma política de treinamento aos empregados para que possa se desenvolver?
Motomura: O primeiro ponto a se destacar de um programa como este é a amplitude dos tópicos tratados e em seguida a ligação deles com a vida. Porque não se trata apenas de gestão de mercado, é gestão de qualquer coisa, qualquer área, qualquer organização dentro de um contexto maior de vida. A gestão das organizações depende dessa visão ampla sobre quem é a organização, qual o contexto em que ela se encontra e quais são as variáveis que podem afetar os resultados da organização a curto, médio e longo prazo. É nesse sentido que a gestão abrangente que nós orientamos procura ajudar as pessoas a se colocar na vida, a se centrar melhor. A empresa não está no vácuo, ela é parte de um contexto maior e portanto tudo que a organização faz afeta esse entorno de algum jeito. Ter essa consciência faz as pessoas gerirem de forma mais consciente as implicações dos atos como líderes dentro das organizações.

Vamos falar sobre gestão de vida pessoal e profissional. Como equilibrar os dois lados?
Motomura: Esse é um dilema aparentemente presente na vida de todos, mas posso dizer que em certo sentido se trata de um dilema falso. Porque o profissional é um ser humano, então tudo que afeta o ser humano está afetando a forma que ele lidera. Por exemplo, no momento em que o Presidente da República toma uma decisão em uma situação polêmica, quem está tomando a decisão: a instituição Presidência da República ou a pessoa? É o ser humano quem decide. É aquele valor que a mãe do sujeito lhe ensinou lá atrás que vai influenciá-lo. Algumas pessoas desenvolvem muito o lado técnico, profissional e não desenvolvem o lado pessoal. Isso é um problema pessoal ou profissional? É um problema profissional. O tempo todo nós somos profissionais e somos seres humanos, cidadãos, pais. Agora o clássico é perguntar: como eu divido atenção para a família e para o trabalho? Até isso é uma questão integral. Quando separamos essas vertentes, começam os problemas. Tenho três filhos e como consegui conciliar minha atenção à família e ao trabalho? Não separando. Por exemplo, ia para a Amazônia ou a Nova York a trabalho e levava meus filhos comigo. Por que não? E foi importante para mim. Viajamos para muitos lugares diferentes e isso foi muito importante para a formação deles também. Você deve organizar seu dia assegurando esse equilíbrio. Porque, se você não consegue esse equilíbrio, você não está bem na vida profissional. Sempre fiz questão de assegurar que eu estaria na hora do jantar em casa, principalmente quando meus filhos eram pequenos, para fazer um balanço do dia, estar presente e conversar. Outra coisa importante foi contar história para eles. Contei milhares de histórias e isso me dava uma conexão diária com meus filhos.


Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 227

 

Unifor Notícias | Portal Unifor | Fundação Edson Queiroz
Estude na Unifor | Central de Atendimento | Twitter
Fundação Edson Queiroz todos os direitos reservados