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Veterena com disposição de iniciante

com Regina Duarte

225reginaduarte2A famosa e querida atriz brasileira está comemorando 50 anos de carreira. E que carreira! Até agora participou de trinta e cinco novelas, cinco minisséries e treze programas de televisão; fez também treze filmes e ainda gravou um disco, “Regina Duarte” (com 4 faixas). A eterna namoradinha do Brasil esteve seis anos longe do palco, mas em 2012 voltou à cena com a peça Raimunda, Raimunda de Francisco Pereira da Silva.

Esbanjando bom humor e energia, Regina Duarte concedeu entrevista coletiva poucas horas antes de contracenar e dirigir o espetáculo no Teatro Celina Queiroz, onde estreou no mês de setembro. O Unifor Notícias traz os melhores momentos dessa conversa para você.

Como está sendo dirigir a peça Raimunda, Raimunda?
Regina Duarte: Eu dirigi há muitos anos alguns episódios de seriado na televisão. A direção sempre me assustou porque eu acho que ela envolve uma preocupação com muitos setores da produção. É uma responsabilidade imensa, e você tem que ter um olhar para tudo, isso sempre me afligiu. No caso de Raimunda, Raimunda, aos poucos fui descobrindo que eu tinha assumido uma empreitada. Quanto mais difícil ela ficava, mais eu me apaixonava. Sabe assim quando você fala “agora está cada vez melhor”? E foi assim, uma delícia, achei uma experiência fantástica. Quero muito voltar a dirigir, mas também já me prometi, não sei se vou conseguir cumprir, nunca mais fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Até a véspera da estreia, eu não sabia meu texto. Os meninos estão aqui de prova, eles mesmos se surpreenderam: “gente, ela não esqueceu nada”. No dia da estreia, parece que baixa um santo que ajuda, e eu disse o texto todo. Acho que disse (risos).

Mas por que isso aconteceu?
Regina Duarte: A atriz ficou relegada para último plano. Estava mais preocupada com elenco, luz, figurino, adereços, entradas e saídas – coisas de direção mesmo. Estou fazendo 50 anos de carreira. É como você olha para uma artista e diz “você sabe, vai, fica quieta, não atrapalha”. Na hora você vai lá e faz. Os três ou quatro primeiros dias de espetáculo foram muitos angustiantes para a atriz. Mesmo assim, no dia da estreia, a gente estava fazendo uma cena e eu achei que eles estavam alongando o texto, aí eu virei de costas para a plateia e fiz (gesticula com os braços)... “Vamos, vamos, rápido”. Aí chegaram na coxia e disseram “nossa, nem em cena como atriz você esquece a diretora”.

E como é contracenar com a Regina Duarte?
Regina Duarte: Cinco minutos depois que as pessoas A famosa e querida atriz brasileira está comemorando 50 anos de carreira. E que carreira! Até agora participou de trinta e cinco novelas, cinco minisséries e treze programas de televisão; fez também treze filmes e ainda gravou um disco, “Regina Duarte” (com 4 faixas). A eterna namoradinha do Brasil esteve seis anos longe do palco, mas em 2012 voltou à cena com a peça Raimunda, Raimunda de Francisco Pereira da Silva. Esbanjando bom humor e energia, Regina Duarte concedeu entrevista coletiva poucas horas antes de contracenar e dirigir o espetáculo no Teatro Celina Queiroz, onde estreou no mês de setembro. O Unifor Notícias traz os melhores momentos dessa conversa para você. me conhecem, elas me sacam e veem que não têm que ficar mistificando nada. O mito está no mistério de quando não se conhece o artista. Eu não gostaria, por exemplo, de conhecer nem Chico Buarque, nem Caetano Veloso de perto. Eu prefiro que eles sejam meus mitos. Eu tenho certeza de que, se eu conviver com eles cinco minutos, vai cair o mito. E eu não quero que caia o mito. Eu quero que seja mito para mim, eu gosto disso (risos).

Qual foi o seu maior desafio até hoje?
Regina Duarte: Teve vários. Na verdade, em todos eles, os personagens têm sempre um momento em que você fala “ah, não sei fazer isso”. Agora me ocorreram enquanto você falava três grandes desafios. Um foi o Dibuk, quando eu tinha que fazer uma cena onde incorporava o espírito de um demônio. Era um especial da Globo dirigido pelo Daniel Filho, e eu não tinha a menor ideia de como fazer isso. E ele me dirigiu assim da ponta do dedão do pé até... Respira, arfa, baixa o olho, vira o olho, se joga no chão, rola para lá, rola para cá. Outro foi a troca dos bebês, um momento em que eu agarrava o médico pelo colarinho e dizia “troca, troca”, e ele dizia “não posso”, e eu dizia “troca, troca”. “Deus não quer”, “Deus quer, Deus quer” (risos). “Deus quer porque ela não pode mais ter filhos e você vai trocar”, e aí chantageava. Era uma cena de sete páginas, um folheto. Um outro foi fazer Chiquinha Gonzaga, que é uma mulher admirável, e que eu tive muito medo. Até entrar meu quinto, sexto dia de trabalho, foi muito difícil. Primeiro pela proposta em si, depois porque a Gabriela Duarte, que fez a Chiquinha na primeira fase, fez excepcionalmente bem o papel, o que criou uma responsabilidade enorme para mim. Eu realmente tremi nas bases.

Por falar em Gabriela, estar em cena com a filha é mais fácil? Você a incentivou a seguir a carreira?
Regina Duarte: Não, nunca incentivei. Foi tudo muito natural. Tenho três filhos. Sempre os levei para o teatro, para os estúdios de televisão. Quando não tinha com quem deixá-los, eles iam comigo aonde quer que eu fosse. Eles estiveram comigo aqui em Fortaleza, por exemplo, durante um mês nas férias quando eu estava fazendo um espetáculo. Eu mandava buscar sempre que fosse possível para eles ficarem próximos de mim. E dos três a única que se interessava em ir para perto da cena era a Gabriela. Ela gostava de ler os textos, os roteiros. A Gabi é atriz, ela nasceu atriz. Contracenar com ela é... não dá para separar, estão sempre ali a colega e a filha. O tempo todo a gente fica alternando. Em geral, quando a gente trabalha junto, a gente se hospeda junto e passa cena. Passar cena no estúdio é uma coisa, outra coisa é você morar com esse ator, essa atriz, e já ir mais ou menos com a cena encaminhada de casa. Em algumas cenas, a gente falava “nossa, essa aqui está difícil, vamos dar uma passadinha”. E a gente passava no café da manhã. Adoro trabalhar com ela. É uma forma de tê-la perto de mim porque, depois de certa idade, você sabe, os filhos vão embora. A décima prioridade na vida deles são os pais (risos).

E quais as maiores dificuldades que um ator enfrenta de uma forma geral?
Regina Duarte: Acho que depende muito do grau de paixão que essa pessoa tenha pelo que faz e até que ponto ela poderia viver não atuando. Eu li em algum lugar que o pintor que não conseguisse viver sem pintar não era um pintor. Aquilo tem que ser essencial na sua vida para você ser feliz. Quando isso acontece, você até paga para quem lhe der oportunidade de atuar. Você diz “quanto custa eu entrar nessa peça?” (risos). Eu vou estar onde eu quero estar na vida. Quando estiver em cena, eu não quero estar em nenhum outro lugar do mundo. Então o que é a dificuldade? A dificuldade existe, mas o prazer é tão grande que você luta para superar e vai em frente.



 

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