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Acústica da saúde

com Dinara Paixão

223unifornoticias_18Poluição sonora é um problema social com impactos diretos na saúde. Sua solução, ou minimização, passa pelo conhecimento multidisciplinar e técnico sobre acústica e também pela conscientização individual por um mundo menos barulhento. Para comentar esses e outros fatos relacionados à temática, o jornal Unifor Notícias entrevistou com exclusividade a presidente da Sociedade Brasileira de Acústica, Dinara Xavier da Paixão. Dinara é doutora em Engenharia e especialista em Acústica Arquitetônica e professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), do Rio Grande do Sul. Ela foi uma das palestrantes do I Congresso Nacional Multidisciplinar de Ruído Ambiental Urbano e Ruído Aéreo, que ocorreu de 11 a 14 do mês passado na Universidade de Fortaleza, reunindo estudiosos brasileiros de diversas áreas.

Unifor Notícias: Quais os problemas mais comuns associados ao excesso de ruído?
Dinara: Os problemas mais comuns são aqueles prejuízos causados à saúde física e psicoemocional das pessoas. Além das questões relativas à perda auditiva, existem problemas decorrentes da exposição aos sons de baixa frequência (graves), que, embora pouco percebidos sob o ponto de vista auditivo, trazem sérias consequências à saúde. Observa-se que muitas vezes o incômodo está associado a níveis de pressão sonora que não são extremamente altos, pois há um componente de cunho estritamente pessoal na questão do ruído.

Unifor Notícias: Como combater a poluição sonora em grandes centros urbanos?
Dinara: Acredito que o principal ponto é perceber que cada um de nós é um agente gerador e também vítima dos malefícios do ruído. O primeiro passo é entender que a liberdade de cada um termina onde inicia a liberdade da outra pessoa. Assim, eu não posso obrigar outras pessoas a ouvir a música que eu quero ouvir, não preciso arrastar cadeira, bater porta ou buzinar em qualquer circunstância. Pequenas mudanças de hábito podem significar um excelente começo para uma sociedade bem mais saudável. A partir da conscientização de que resolver o problema precisa ser um compromisso de todos, é necessário contar com uma legislação adequada e bem fiscalizada. Para isso, é imperioso o compromisso dos poderes públicos de colaborar na formação de técnicos e dar-lhes condições de bem exercer suas atividades.

Unifor Notícias: Quais as práticas mais comuns adotadas nos países de primeiro mundo para evitar o excesso de barulho? É possível adotar essas medidas no Brasil?
Dinara: A maioria dos países tem investido em legislação, controle e fiscalização, além de buscar conscientizar as pessoas. Em países europeus, como Portugal, por exemplo, há sérias restrições a operações aeronáuticas – os aeroportos não funcionam à noite – e a edificações, que precisam apresentar projeto acústico com responsável técnico.

Unifor Notícias: A senhora coordena o grupo de pesquisa multidisciplinar Acústica do CNPq. Que atividades a senhora destaca desse grupo?
Dinara: O grupo tem desenvolvido uma série de atividades que combinam pesquisa e atenção aos problemas da comunidade. Trabalhamos em três linhas: acústica em edificações, acústica musical e influência do som na saúde das pessoas. Realizamos, em 2010, a primeira edição do seminário O Ruído e a Comunidade, de caráter multidisciplinar, que teve como tema, naquele ano, o ruído aeronáutico, que serviu de inspiração ao evento realizado em Fortaleza. Nossa grande contribuição acredito ser o desenvolvimento de uma base sólida que permitiu a criação do curso de graduação em Engenharia Acústica na Universidade Federal de Santa Maria.

Unifor Notícias: Como anda a demanda nacional por um profissional dessa carreira?
Dinara: A demanda é muito grande. Nossa primeira turma só estará formada em 2014, mas já temos uma grande procura por parte das indústrias e instituições públicas nacionais e internacionais. Há uma enorme carência pelo engenheiro que estude, desde o início de sua formação básica, o som. São distintas áreas contempladas no curso, além da acústica propriamente dita, que trabalham suas áreas afins: áudio, vibração, música, psicoacústica, entre outras.

Unifor Notícias: Como a acústica interfere e auxilia no processo ensino-aprendizagem?
Dinara: Uma sala de aula deficiente acusticamente não permite uma boa comunicação verbal. O que se fala não é compreendido, atrapalhando o processo ensino-aprendizagem. O excessivo ruído externo causa problemas físicos e psicoemocionais em professores e alunos, aumentando a irritabilidade, a dificuldade de concentração, as dores de cabeça, entre outros problemas. Uma sala de aula adequada e um professor treinado para conhecer as técnicas e como deve utilizá-las podem auxiliar no desenvolvimento das atividades com maior sucesso. Exemplo disso é o professor falar voltado para os alunos, e não enquanto escreve no quadro, a fim de que os alunos recebam o som direto e não apenas o refletido do quadro. Considera-se, portanto, que ainda precisa haver maior aproximação da área educacional com a área técnica da acústica para que tenhamos melhoria na qualidade do espaço físico, auxiliando o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem.

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 223

 

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