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Marques de Melo e sua história com a Intercom

com José Marques de Melo

 

222-marques-meloEle é um dos maiores nomes da comunicação brasileira e defensor aguerrido do bom jornalismo. Nascido em Palmeira dos Índios, no estado de Alagoas, José Marques de Melo tem um currículo extenso em premiações, pesquisas e titulações. O jornalista é uma das personalidades mais esperadas para o maior congresso de comunicação da América Latina, o Intercom 2012, que este ano será sediado na Universidade de Fortaleza entre os dias 3 e 7 de setembro. Em entrevista exclusiva ao Unifor Notícias, Marques de Melo defende o congresso como espaço de atualização e avisa: “não basta ter diploma”.

 

por Manoel Cruz Neto

 

Como e quando o senhor começou sua história na Intercom?
Marques de Melo: Minha história começou em 1977 na Intercom [a sociedade científica que promove, desde 1978, o Intercom – congresso brasileiro de ciências da comunicação]. Trata-se de um episódio curioso que remonta a Fortaleza, onde deveria ter se realizado em julho de 1977 o congresso anual da SBPC [Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência], mas que foi proibido pelo governo militar e acabou sendo concretizado no campus da PUC de São Paulo. Ali estava programada uma sessão de comunicações científicas dedicadas a fenômenos comunicacionais, à qual compareci porque queria prestigiar ex-alunos e colegas inscritos. Fui surpreendido por um pedido dos organizadores do evento para presidir aquela sessão, ao fim da qual recebi um apelo para criar uma sociedade civil destinada a reunir os pesquisadores da nossa área. Achei que o momento não era oportuno e prometi fazer antes uma sondagem em nossa comunidade acadêmica para verificar se havia demanda suficiente. Fiz várias consultas e convenci-me de que havia massa crítica para tal iniciativa. Convidei então os colegas interessados para uma assembleia numa das salas de aula da Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, fundando a Intercom em dezembro de 1977. Com a ajuda de vários colegas, organizei o I Intercom, em Santos (SP), congresso que reuniu cerca de 50 participantes. Desde então, o evento cresceu e se consolidou, adquirindo respeitabilidade acadêmica e densidade intelectual. Tenho participado ativamente de todos os congressos realizados nestes 35 anos de vida da Intercom.

 

Pela sua vasta carreira acadêmica, haja vista que o senhor é Doutor Honoris Causa duas vezes e vencedor do Prêmio Wayne Danielson por Relevantes Contribuições às Ciências da Comunicação pela Universidade do Texas, qual a importância deste evento para estudantes, professores e profissionais em geral da área de comunicação?
Marques de Melo: Este megaevento é a grande oportunidade que desfrutam os estudantes para se manter atualizados sobre os avanços do conhecimento em nosso campo de atuação. Ao mesmo tempo, é a oportunidade reservada aos pesquisadores amadurecidos no sentido de submeter suas pesquisas ao julgamento dos pares, procurando legitimar metodologias ou validar resultados. O formato adquirido pelo congresso da Intercom assegura pluralismo cognitivo, atendendo às aspirações de pesquisadores, professores, profissionais e estudantes. Pela sua natureza complexa, tornou-se um dos maiores congressos da área, que vem percorrendo todo o território nacional.

 

Sua carreira jornalística começou em jornais impressos, como Gazeta de Alagoas e Jornal de Alagoas (Maceió), atuando depois no Jornal do Comércio e Última Hora – Nordeste (Recife). Como o senhor avalia o futuro do jornal impresso?
Marques de Melo: O jornalismo impresso enfrenta crise de identidade, buscando coexistir com as modalidades audiovisuais e cibermidiáticas, embora não se possa considerá-lo moribundo, especialmente em países como o Brasil, onde ainda não logrou expandir-se por toda a população. Temos um déficit imenso de leitura de jornais, pois somente uma parcela mínima dos brasileiros lê jornais diariamente. Com a expansão do mercado interno, são promissoras as perspectivas de expansão das tiragens, desde que as empresas tenham capacidade de produzir jornais para as classes emergentes, pois a nossa imprensa é pensada e configurada para atender às aspirações das elites cultas ou abastadas.

 

Qual a importância do diploma do curso de Jornalismo para nós, formadores de opinião?
Marques de Melo: O diploma é fundamental, desde que seja expedido por instituição de ensino superior que preserve a excelência da formação dos futuros profissionais. Em síntese, não basta ter diploma. Este só tem significado se seus portadores ganharem competência para produzir jornalismo de qualidade e prontidão intelectual para superar os obstáculos que se antepõem cotidianamente. Nesse sentido, os cursos de Jornalismo precisam reciclar-se, atualizar-se e avançar em sintonia com as transformações da sociedade.

 

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Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 222

 

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