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Universidade da acessibilidade

Eles mostram que são igualmente capazes. Fábio é o primeiro mestre em Administração surdo do país. E Hermania, que é cega, conquistou sua segunda graduação.

 

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Conjunção de forças: (da esq. para a dir.) a tradutora de libras Natália Almeida,
o agora mestre em Administração Fábio Benício Nogueira e a
professora Mônica Tassigny.

Fábio Benício Nogueira é o primeiro mestre surdo em Administração de Empresas do Brasil. Sua dissertação foi aprovada com nota 10 e também louvor, em junho, na Universidade de Fortaleza.

 

A pesquisa, intitulada “Políticas institucionais e ações inclusivas nas universidades: análise das condições de acesso para discentes surdos”, diz respeito a políticas públicas de inclusão e acessibilidade nas universidades brasileiras e locais. Em seu estudo, Fábio traz também dados quantitativos sobre a população surda no Ceará e no Brasil, assinalando a inserção dessa comunidade no ensino superior. O estado, por exemplo, lidera o ranking de alunos com surdez, com 30%, quando no Brasil a taxa média é de 23%.

 

Para Fábio, o destaque do seu trabalho vai para o fato de poder ser utilizado como ferramenta para promover igualdade e inclusão social às pessoas surdas. “Acho que tenho a missão de ajudar a mudar a cultura, os pensamentos sobre a deficiência auditiva. No início do mestrado, fiquei superapreensivo com o volume dos textos, mas depois vi que esse era um sentimento comum aos demais alunos. Enfrentei dificuldades e muitas vezes pensei em desistir”, diz.

 

“Fábio aplicou um questionário a alunos surdos que frequentam uma universidade particular e outra pública no estado. Fez revisão bibliográfica e entrevistas com gestores, professores e intérpretes de libras dessas universidades e cruzou os dados: o que estava na lei e o que de fato as pessoas encontram. É um estudo de natureza social e ambiental sobre acessibilidade. Eu me sinto muito honrada de fazer parte da Unifor. Os resultados da pesquisa mostram que a Universidade está sendo um exemplo de inclusão e de aceitação às diferenças e diversidades”, afirma a orientadora e professora do programa de pós-graduação em Administração, Mônica Tassigny.

 

Os desafios enfrentados pelo mestre, segundo a professora, foram vários. “A barreira da língua foi grande, existiu, mas para fazer o recorte do objeto da pesquisa não tivemos a menor dificuldade, o que é fundamental. Ele arregaçou as mangas. Foi um trabalho de fôlego. A experiência com o Fábio me fez prestar mais atenção no outro, aprendi novas formas de me comunicar, me aproximei de uma cultura que eu não conhecia”.

 

Casado e pai de duas filhas, o novo mestre é servidor público de uma instituição de ensino federal em Fortaleza. “Não vou me acomodar. Quero fazer o doutorado aqui na Unifor em Administração ou em Políticas Públicas em Porto Alegre. Sou muito grato à professora Mônica e ao PAP”, afirma em referência ao Programa de Apoio Psicopedagógico da Universidade.

 

A tradutora de libras Natália Almeida esteve com Fábio de janeiro a junho deste ano principalmente na fase da produção do texto. Ela é uma das sete intérpretes do PAP que acompanham alunos surdos em sala de aula e em eventos realizados no campus da Universidade. “Dediquei 24 horas semanais ao Fábio. Íamos à biblioteca, por exemplo, e ele me dizia em libras os conceitos e dados que queria citar em seu trabalho, e eu fazia a tradução para a norma culta. Um pouco antes da defesa, o PAP também me cedeu horários extras para que eu me familiarizasse e dominasse os termos da bibliografia para fazer tradução. No dia da defesa, conseguimos uma sintonia. Foi um desafio profissional e um dia muito emocionante”.

 

Deficiência que não limita

 

222-def-hermaniaHermania Domingos de Queiroz é deficiente visual e possui duas graduações, ambas pela Unifor. Formou-se em Pedagogia, em 2004, e em Psicologia, em julho último.

 

Os desafios pelos quais Hermania teve de passar foram muitos, e ela os encarou com naturalidade. “No começo, minha mãe lia os textos que eu precisava estudar. Já no final, ela não pôde mais ler devido a um problema de voz. Então contratei alguém para ler os livros, tipo um ‘leitor particular’. Apesar de todas as dificuldades, eu gostei muito de estar aqui. Foi um período muito bom da minha vida. Sou uma privilegiada porque tenho uma família que tem condições de me dar acesso à universidade”.

 

“Ela é muito batalhadora. Desde a escola até entrar na universidade, nunca foi fácil. Foi muita luta. Ela teve professores na Unifor que realmente deram todo o apoio. E dou os parabéns a eles”, comenta Eliane Domingos de Queiroz, mãe de Hermania.

 

Hermania foi a primeira deficiente visual a se formar pela Unifor. Entre as duas graduações, ela fez especialização em Educação Especial pela Universidade Estadual Vale do Acaraú.

 

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 222

 

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