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A internacionalização das empresas é a saída para a crise

por Henrique Marinho *

 

222-artigo1Parece controverso este título do artigo, mas a crise financeira internacional que se instalou nas principais economias do mundo a partir de 2008 e que ainda bate às portas dessas economias em 2012, provocando um retrocesso do comércio internacional e um retorno ao protecionismo, possa ser interpretado com momento de grande oportunidade de comércio e de expansão dos negócios.

 

A internacionalização das empresas tem sido uma tendência com o processo de globalização. Os mercados se expandiram e se transnacionalizaram criando novas necessidades de escala de produção. No entanto, esse é um mercado que exige especialização e muito conhecimento.

 

Para os grandes conglomerados que atuam intensamente no comércio exterior, exportando e importando, o conhecimento sobre os mercados é fundamental, o mesmo acontecendo para os pequenos empresários que também desejam explorar o mercado internacional. Mas o maior problema enfrentado pelas pequenas empresas é o custo de manutenção de um departamento especializado. Para amenizar essas dificuldades, os governos ou mesmo as associações de classe buscam dar assistência e consultoria para que os empresários enfrentem esses problemas. Agregue-se também o papel das universidades na formação de analistas de comércio exterior, papel relevante prestado pela Unifor, inclusive. E esse conhecimento é que pode ser a saída para a crise, buscando novas alternativas e avaliando os cenários prováveis para a economia mundial nos próximos anos. Que países estão se tornando atraentes com a crise? Que mercados são mais carentes de determinados produtos para se poder diversificar as exportações? Que facilidades podem ser encontradas em países que estiveram à margem da economia e agora surgem como economias prósperas? Todas essas perguntas devem ser analisadas.

 

Destaque-se nesse sentido o mercado africano estar se tornando importante para o setor internacional do estado do Ceará. Muitos empresários estão participando de feiras e missões comerciais em países da África como instrumento de promoção comercial, para divulgação do nosso potencial e para aferir junto àquele mercado as necessidades que podem ser supridas por produtos cearenses.

 

A abertura de novos parceiros que o governo do Presidente Lula fez no continente africano e que está tendo continuidade no governo da Presidente Dilma Rousseff tem se mostrado bastante positivo para nossa economia, que “descobriu” mais uma alternativa para suas exportações e para expansão de negócios por meio de investimentos diretos nas principais economias da região.

 

Houve crescimento recente de economias como Angola, Moçambique, Cabo Verde e demais países de língua portuguesa, que hoje são os principais parceiros no continente africano. Há nesses países carência de produtos de construção civil, alimentos, vestuários, calçados, entre outros, que começam a ser abastecidos por exportadores cearenses, beneficiados pelas vantagens da proximidade entre nosso estado e a África. Temos também como parceiro comercial latente a África do Sul, país que, juntamente com Moçambique, está inserido como destino importante para nossas vendas ao exterior.

 

As relações com a maior parte dos países africanos não se restringem ao comércio internacional. Existem diversos acordos técnico-científicos para desenvolvimento da ciência, tornando o Brasil grande fornecedor de conhecimento nas áreas energéticas, petrolíferas e de produção agrícola. Muitas empresas de grande porte atuam atualmente na África, como Petrobras, Vale, Votorantim e outros conglomerados, principalmente da construção civil.

 

As exigências e especificidades internacionais como conhecimento de mercado, cultura, exigências fiscais e aduaneiras impõem a necessidade de as empresas terem analistas de comércio exterior com bastante experiência. Muitas vezes as pequenas e médias empresas não conseguem bancar os custos de um departamento de comércio exterior.

 

Para amenizar essas dificuldades, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior procuram dar todo o apoio aos empresários com acordos multilaterais e bilaterais com diversos organismos internacionais e países, fomentando programas, proporcionando a participação em feiras internacionais e missões a diversos países, informações de mercado e, muitas vezes, linhas de financiamentos bancários e isenções fiscais.

 

Por parte das organizações de classe, as federações das indústrias dos estados, tendo à frente seus centros internacionais de negócios, procuram incentivar a participação nos eventos internacionais, mantendo áreas de consultoria para as empresas. O Sebrae tem sido um importante parceiro, principalmente das pequenas e médias empresas que desejam se internacionalizar.

 

Por parte das universidades, e a Unifor é a pioneira no estado, proporcionar a formação de profissionais do mercado, com o conhecimento específico de analistas de mercado exterior. O curso de Comércio Exterior tem profissionalizado os técnicos que atuam nas áreas de despacho aduaneiro, negociações internacionais, logística e em operações mais complexas da prática internacional. Essa contribuição da Unifor tem sido importantíssima para fornecer mão de obra especializada para governos, empresas e organizações que tratam do comércio internacional.

 

* Henrique Jorge Medeiros Marinho é mestre em Economia pela UFC e em Negócios Internacionais pela Unifor. É economista, consultor e autor de vários livros na área, entre eles: Teorias do Comércio Internacional e Política Comercial; O Estudo das Relações Internacionais: Teorias e Realidade. É professor dos cursos de Economia e Comércio Exterior da Unifor.

 

 

 

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 222

 

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