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Fomentando estudos e relações internacionais

O Núcleo de Estudos Internacionais (NEI) da Unifor completou três anos no último mês de maio. Ele congrega variadas pesquisas com temas internacionais e fomenta estudos voltados a ajudar a política externa brasileira.

 

219_neiUma universidade pode contribuir para avanços nas relações internacionais do país? Sim. É com essa motivação maior que foi criado o Núcleo de Estudos Internacionais (NEI) da Universidade de Fortaleza, que no mês passado completou três anos de fundação.

 

“Não se faz política externa sem a participação da academia. A presença de cearenses no Itamaraty sempre foi muito grande. O Ceará é um estado com grande vocação internacional – é o estado que mais contribuiu com a expansão do território nacional, teve líderes como Plácido de Castro, Silvino Gurgel do Amaral, Clóvis Beviláqua. E a ideia do núcleo foi aproveitar esse talento, capitalizar essa vocação intelectual para a reflexão sobre relações internacionais. A Unifor tem tudo para contribuir e dar seguimento a essa vocação. O Núcleo é a sofisticação de uma tendência natural do Ceará de fazer política internacional. Vai haver uma explosão de talentos na área do direito internacional e de relações internacionais”, afirma o embaixador Jerônimo Moscardo.

 

Ex-presidente da Fundação Alexandre Gusmão do Ministério das Relações Exteriores (Funag/MRE), Moscardo foi um dos instigadores do surgimento do Núcleo na Unifor. O Núcleo está vinculado à Vice-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, coordenado pelo professor Walber Muniz.

 

“Eu vejo o NEI preencher uma deficiência no Nordeste quanto ao estudo e ao desenvolvimento de relações internacionais, tirando do eixo Rio/São Paulo/Brasília os pensamentos e conhecimentos sobre elas. Os estudos produzidos aqui vão interessar à região Nordeste e ao Brasil. O NEI vem para despertar o interesse nos alunos de serem agentes de pesquisa sobre problemas internacionais, voltados para as políticas externas do país. E a Universidade os ajuda com um ambiente propício para desenvolver esses estudos. Outro ponto importante é a presença da Unifor como instituição parceira da Funag. Isso dá destaque à instituição e consequentemente consegue ampliar os estudos na área internacional, cujo foco de atenção passa pelo próprio governo”, afirma Walber.

 

HISTÓRIA

 

Segundo o professor, o surgimento do Núcleo ocorreu quando o embaixador Moscardo, então presidente da Funag, participou em 2007 de um evento na Unifor. Ele deu a sugestão da criação do Núcleo, e dois anos depois, em 2009, a Universidade estabelece e funda oficialmente o NEI. “A Funag só tinha associações até então com universidades públicas e nunca uma universidade cearense ou nordestina tinha tido um representante na Funag”, comenta Walber sobre o feito.

 

ATIVIDADES

 

O NEI desenvolve e organiza eventos internos, para apurar sua produção acadêmica, e externos, como o Fórum Brasil África, realizado em maio último. Pesquisadores participam de congressos e eventos científicos, e os alunos se tornam em sua maioria bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os temas das pesquisas são os mais variados e incluem defesa do mar, terrorismo virtual, adoção internacional, regularização de estrangeiros no país, internacionalização de empresas.

 

O NEI é aberto a todos os professores e alunos de qualquer área acadêmica da Universidade. Por enquanto, projetos vinculados ao Centro de Ciências Jurídicas predominam, mas pesquisadores de cursos como Comércio Exterior, Administração e Psicologia também já participam das atividades e pesquisas vinculadas ao núcleo. “A Universidade tem uma política de pagar horas de pesquisa e há ainda incentivos externos: equipes do NEI representam a Unifor em reuniões no Ministério das Relações Exteriores em Brasília, custeadas pelo governo federal. É preciso ampliar a presença de outros centros nas pesquisas junto ao NEI. Qualquer professor da Universidade cujo foco de pesquisa seja um assunto de ordem internacional pode participar do NEI. Se o professor quer pesquisar no plano internacional, o caminho é aqui”, convida o professor Walber.

 

“Com a discussão de temas internacionais, a gente fomenta ideias que extrapolam exclusivamente o interesse nacional, colocando a discussão em uma perspectiva multipartes. O NEI é importante porque se destina a questões internacionais. Para a Unifor, é importantíssimo ter esse Núcleo porque é aqui que a Universidade vai estar se relacionando com o mundo”.

Professora Lilia Sales, vice-reitora de pós-graduação e pesquisa da Unifor.

 

“A Universidade de Fortaleza é a instituição do estado do Ceará que tem dado a maior contribuição em formar profissionais no setor de relações internacionais e vai crescer substancialmente nos próximos anos”.

Eduardo Bezerra, presidente do Centro Internacional de Negócios do Ceará (CIN).

 

SAIBA MAIS

• O NEI atua no estudo e desenvolvimento de pesquisas a partir de quatro núcleos de altos estudos: África, Europa, Américas, Ásia e Oriente Médio.

• O NEI fomenta a produção de artigos científicos, análise de notícias e de cenários, palestras, seminários, conferências, cursos de extensão e de especialização e sessões de estudos.

• O NEI tem atuação conjunta com a Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), do Ministério das Relações Exteriores. A parceria possibilita acesso à biblioteca especializada doada pela Funag, seminários de altos estudos e intercâmbios de pesquisadores com instituições internacionais.

• A Fundação Alexandre de Gusmão (Funag) é vinculada ao Ministério das Relações Exteriores e tem como objetivo básico promover estudos e pesquisas sobre problemas atinentes às relações internacionais, política externa brasileira e temas de relações internacionais, visando à formação de opinião pública a respeito dos grandes temas da agenda internacional.

 

Núcleo de Estudos Internacionais. Alunos e professores interessados em participar do Núcleo de Estudos Internacionais (NEI) podem enviar e-mail para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou ir pessoalmente à sede do Núcleo, que fica na sala 47 do bloco Z.

 

Pesquisas participantes do NEI

 

A seguir você encontra exemplos de pesquisas em desenvolvimento no Núcleo de Estudos Internacionais (NEI) explicados pelos seus respectivos coordenadores.

 

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“Um dos assuntos que têm me chamado a atenção cuida do reconhecimento de título acadêmico de pós-graduação concluída em universidades de outros países, principalmente no Mercosul. Em princípio, vi a luta, angústia e insatisfação de diversos professores de nossa Universidade quando cursavam cursos de mestrado ou doutorado em universidades da Argentina e Paraguai e não tinham a certeza da validação de seus diplomas. Em 2009, descobri que era um assunto de interesse nacional a partir de pesquisas com as alunas Maria Célia de Lima Moreira e Leonarda Castro Feitosa. A pesquisa identificou mais de 200 casos do gênero no Brasil e fez com que a temática fosse aprofundada e continuada por estes três últimos anos. Em 2011, tornei a pesquisa mais ampla e transformei em minha tese de doutorado desenvolvida na Universidade de São Paulo. No NEI conto com três pesquisadores trabalhando a temática ‘Reconhecimento de título acadêmico em universidades de Mercosul’. A ideia é pugnar pela validação dos diplomas preservando a qualidade do ensino superior”.

 

Professor Antônio Walber Muniz, coordenador do Núcleo de Estudos Internacionais da Unifor e do projeto de pesquisa “Reconhecimento de título acadêmico em universidades de Mercosul”.

 

 

 

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“O projeto se chama ‘Energia nuclear: aspectos jurídicos e segurança internacional’. O objetivo do projeto é a pesquisa sobre as origens da energia nuclear no mundo e seus impactos na política energética e de desenvolvimento, bem como o controle internacional de seu uso. O grande desafio para a utilização da energia nuclear resume-se em sua dupla função: quem domina a tecnologia de produção de energia nuclear domina, igualmente, a tecnologia para produção de armamentos militares de alto poder de destruição. Daí as tentativas da comunidade internacional para exercer controle sobre produção e fiscalização dos países que dispõem desta tecnologia, inclusive o Brasil. A discussão central localiza-se no âmbito do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, sob a guarda da Associação Internacional de Energia Atômica. Trata-se de um projeto de pesquisa que recebeu apoio do CNPq e conta com equipe de cinco membros, sob minha coordenação: professores Antônio Ricardo Abreu e Sérgio Borges Nery, além dos alunos da graduação Mariana Zonari, Roberto Josino d’Alva e Valdener Milfont”.

 

Martonio Mont’Alverne Lima, professor da Pós-Graduação em Direito Constitucional. Ele coordena o projeto “Energia nuclear: aspectos jurídicos e segurança internacional”.

 

 


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“A pesquisa trata sobre a evolução e a composição do bloco mercadológico e geopolítico intercontinental BRIC, um acrônimo criado pelo economista do Banco Goldman Sachs Jim O’Neill em 2001 com as iniciais de Brasil, Rússia, China e Índia. Foram realizadas análises particulares e comparativas sobre política externa, economia, comércio, normas democráticas, taxas de urbanização, níveis de industrialização, grau de liberdade empresarial e relações diplomáticas entre os quatro países componentes. Também procedemos à conceituação ampliada dos termos globalização e modernização do Estado e à aferição de seus resultados fáticos entre estes países emergentes, relacionando a real influência do BRIC no centro das decisões mundiais e o possível papel do bloco na montagem de um novo polo de poder mundial na contemporaneidade”.

 

Laécio Noronha Xavier é professor da graduação e pós-graduação em Direito Internacional e coordena a pesquisa “BRIC e o cenário atual da globalização”.

 

 

 

 

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“O projeto ‘Estruturas e processos políticos na América do Sul’ aponta, fundamentalmente, em duas direções autônomas: constitucionalismo e globalização na América do Sul; o Mercosul e o constitucionalismo comunitário. De um lado, analisa-se de modo integrado o constitucionalismo recente na América do Sul, tendo em vista o processo de globalização e seu impacto em relação ao Estado nacional, buscando estabelecer marcos comparativos com o processo constituinte brasileiro de 1987/1988. De outro, avalia-se o constitucionalismo comunitário decorrente da criação do Mercosul e do esforço integracionista que se segue. Ao fim e ao cabo, quer-se, integrada e comparativamente, a compreensão das relações complexas entre Estado, constituição, soberania, democracia e política. O projeto conta com a participação dos alunos Joana Bezerra e Gabriel Fortes”.

 

José Filomeno Moraes é professor da pós-graduação em Direito Constitucional e coordena o projeto “Estruturas e processos políticos na América do Sul”.

 

 

 

 

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“A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem uma população de mais de 250 milhões de habitantes, e a soma do PIB dos seus países alcança um valor aproximado de 2 trilhões e 200 bilhões de dólares, com destaque para a participação do Brasil. Com base nessas evidências, e considerando a proximidade geográfica e também cultural do estado do Ceará com a África e Portugal, iniciamos a pesquisa intitulada ‘Estudo sobre o potencial de mercado e tendência do comércio entre o estado do Ceará e os países da CPLP’. A pesquisa, financiada pelo Banco do Nordeste, iniciou-se em agosto de 2010 e deve ser concluída em julho de 2012, com o objetivo principal de analisar as condições atuais e as perspectivas futuras para o comércio entre empresas do Ceará e dos países da CPLP. Para a coleta dos dados, foram realizadas visitas técnicas aos países da CPLP (exceto Timor Leste), além de entrevistas com empresários locais”.

 

João Bosco Monte é professor do curso em Comércio Exterior e consultor internacional, e coordena a pesquisa “Estudo sobre o potencial de mercado e tendência do comércio entre o estado do Ceará e os países da CPLP”.

 

 

 

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 219

 

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