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Em atenção à saúde da mulher

Projeto do mestrado em Saúde Coletiva pesquisa sobre o atendimento de pré-natal e planejamento familiar a mulheres de Fortaleza e Crato, e executa atividades de promoção da saúde como oficinas para adolescentes em escolas públicas.

 

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Da esq. para a dir.: Lorena, Geysa, Fernanda,
profa. Raimundinha, Girliane e Eveline.

Como está a assistência pública dada às mulheres adolescentes e adultas nos programas de pré-natal e planejamento familiar nos municípios de Fortaleza e Crato? Deficiente, em sua estrutura e no acolhimento dado pelos profissionais a suas usuárias. É o que está sendo constatado pela pesquisa do mestrado em Saúde Coletiva intitulada “Saúde da mulher e a interface com a integralidade, tecnologia e promoção da saúde”.

 

“A pesquisa mostra uma realidade e tenta discuti-la para aprimorá-la, visando a melhoria na qualidadeda assistência à população de um modo geral. É quando a gente levanta o que está acontecendo e o que é preciso para melhorar. E não é uma questão só dos profissionais. O sistema de um modo geral é insuficiente para atender bem as usuárias e ter um bom desempenho dos profissionais: faltam equipamentos como estetoscópio, pilhas. A qualidade das consultas deixa a desejar, e as gestantes não voltam”, resume/afirma a coordenadora do projeto e do mestrado em Saúde Coletiva, professora Raimundinha Magalhães da Silva.

 

As pesquisas estão sendo realizadas com usuárias dos postos de saúde de Fortaleza e com profissionais que atuam no Programa Saúde da Família no Crato, abrangendo 30% das unidades de saúde de cada cidade. A avaliação do serviço prestado é feita através de entrevistas, grupo focais, documentos cedidos pelas instituições, observações e diários de campo das pesquisadoras.

 

“Na entrevista tentamos transformar a pergunta em ação. A gente pergunta aos profissionais que medidas eles podem fazer para driblar os problemas, estimulando a ação para melhorar o atendimento. Se falta cartão da gestante, por exemplo, ele pode fazer cópia dos cartões”, explica a professora sobre um dos métodos empregados durante a pesquisa. Ao todo, o projeto envolve três professores, três doutorandas, seis mestrandas e cinco graduandas.

 

Geysa Maria Nogueira Farias é uma das participantes. Ela defendeu sua dissertação em dezembro do ano passado sobre o acolhimento recebido por gestantes em 36 centros de saúde de Fortaleza. “As gestantes devem criar uma afinidade com o posto. Se elas não criam, dificilmente voltam para as consultas do pré-natal, que devem ser ao total de seis visitas. Na pesquisa, foi constatado que só 35,8% dos profissionais receberam o treinamento em acolhimento, que é escutar a gestante e incluí-la no serviço de pré-natal. Em 2011, tivemos uma alta taxa de mortalidade das gestantes”, afirma.

 

Com base nas estatísticas, o projeto realizou dois cursos de 40 horas – “A saúde da mulher” e “Condutas interdisciplinares no pré-natal” – para médicos e enfermeiros da Secretaria Executiva Regional VI. “O curso foi para melhorar o conhecimento técnico dos profissionais e teve o apoio da Secretaria Municipal de Fortaleza”, acrescenta Geysa.

 

Da pesquisa maior foi também criado um projeto de extensão, intitulado Liga de Estudos Saúde da Mulher e do Adolescente (LEMA), o qual já realizou 20 oficinas sobre planejamento familiar e promoção da saúde para mais de 500 adolescentes de 12 a 18 anos em três escolas públicas da capital.

 

O projeto tem previsão para terminar em 2013, mas já conta com diversas publicações e ações sobre a temática, incluindo quatro dissertações de mestrado, uma monografia de especialização, 19 artigos em revistas internacionais, um livro e três capítulos de livros em coletânea, além de uma palestra no Castelão para 700 trabalhadores sobre métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis.

 

“O grupo me abre muitas portas. A gente aprende a se comportar, a ter segurança em passar um assunto. É uma aprendizagem inexplicável. Mais importante ainda são os resultados, a intervenção na sociedade. É muito gratificante ver o papel modificador das oficinas nas escolas, ter o reconhecimento dos adolescentes e das gestantes”.
Lorena Falcão Lima, aluna do 6º semestre do curso de Enfermagem e bolsista do CNPq

 

“Entrei no projeto pela liga (LEMA), lendo artigos e auxiliando na coleta e organização de dados do estudo. Com a pesquisa, a gente não fica presa em sala de aula, a gente amplia os horizontes e aprende muito mais”.
Fernanda Lobo, aluna do 4º semestre do curso de Enfermagem

 

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 219

 

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