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E por falar em sala de aula

por Charleston Teixeira Palmeira*

 

218-artigoO uso da voz em sala de aula é um recurso didático do professor, assim como o quadro branco, datashow, objetos tridimensionais, jogos, vídeos e recursos digitais. Da mesma maneira que a gesticulação e o vocabulário, a voz é parte integrante do processo de comunicação e um elemento fundamental da relação ensino-aprendizagem e deve ser um foco de cuidado de todo professor.

 

Estudos mostram que a voz preferida pelos professores envolve movimentos articulatórios precisos, modulação expressiva, boa projeção, tom de voz médio, velocidade de fala adequada ao assunto e aumento do volume da voz. Este perfil comunicativo é, muitas vezes, obtido sob esforço vocal, comportamento este considerado inadequado para enfrentar suas atividades em sala de aula, podendo ocasionar desconfortos na voz e patologias nas pregas vocais.

 

A Fonoaudiologia, responsável pela reabilitação e aperfeiçoamento dos padrões de fala e voz, preconiza um conjunto de regras para o bom uso da voz com o objetivo de alertar para os comportamentos nocivos e preservar a saúde, reduzindo a ocorrência de problemas da voz. Um médico deve ser consultado sempre que a voz estiver com problemas.

 

Abaixo estão elencados os aspectos mais relevantes à rotina profissional dos professores:

 

Abuso vocal – É a atividade vocal que ultrapassa o limite do conforto e promove traumatismos nas pregas vocais, que podem provocar o aparecimento de patologias e sintomas indesejáveis na voz como a rouquidão. Destacam-se: falar em volume elevado, falar sem técnica ao microfone, falar em situações de rinite e outras alterações do trato respiratório, falar competindo com os sons do ambiente.

 

Mau uso vocal – É a atividade vocal relacionada ao despreparo do aparelho fonador para falar. Relaciona-se com a má qualidade da produção da comunicação oral. São exemplos: utilizar um tom de voz diferente do natural, falar com tensão no pescoço e ombros, utilizar inadequadamente a respiração, ter má postura corporal e falar com a articulação reduzida.

 

Alimentação – A voz é produzida por ação muscular das pregas vocais, da respiração e da articulação dos sons. Toda a musculatura do corpo deve estar bem nutrida para que suas funções sejam exercidas com força e flexibilidade adequadas. A regra geral é ter uma alimentação balanceada e bem mastigada, evitando excessos principalmente antes do uso profissional da voz. O que pode piorar a voz: uso de chocolate, mel, frutas cítricas, leite e derivados; refluxo gastresofágico; café, chá de ervas, refrigerantes dietéticos e outros produtos que contêm cafeína; bebidas gasosas. Deve-se criar o hábito de beber água principalmente antes, durante e depois de falar, pois hidratam as pregas vocais melhorando sua vibração e flexibilidade.

 

Hábitos vocais – Pigarrear, tossir e raspar a garganta traumatizam as pregas vocais por serem produzidos com muita energia. É preciso investigá-los e tratar suas causas, tais como alergias, refluxo gastresofágico e fumo, substituindo-os por ingestão de água em pequenos goles e vibração da língua.

 

Álcool e fumo – Afeta as vias respiratórias, ressecando, edemaciando e obstruindo-as, com reflexo direto na qualidade da voz, tornando-a rouca e abafada. Tem correlação com os cânceres de pulmão, da cavidade oral e da laringe pela grande irritação que causa nestas estruturas.

 

Mais ainda, é preciso utilizar roupas que permitam a livre movimentação do corpo e facilitar os movimentos do pescoço, dos ombros e da respiração.

 

Mesmo depois de tantas orientações, é importante ressaltar que o corpo humano sofre com o clima, com o envelhecimento e com as tensões do mundo moderno. Por isso, a prevenção de problemas na voz e a melhora da expressividade na comunicação profissional devem ser uma rotina na vida de um professor envolvido com seu ofício.

 

* Charleston Teixeira Palmeira é fonoaudiólogo graduado pela Unifor e especialista em Voz pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia. É professor do curso de Fonoaudiologia da Unifor e diretor-secretário do Conselho Federal de Fonoaudiologia.

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 218

 

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