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De blogs e redes sociais

com Alexandre Inagaki


217-blogs-redes-sociais-internaEle, mais do que ninguém, sabe vender o seu peixe através de blogs, Facebook, Twitter e outras mídias digitais. Alexandre Inagaki foi um dos primeiros brasileiros a trabalhar com publicidade em redes sociais. É jornalista formado (pela Universidade Casper Líbero) e já foi bancário, mas mudou de rumo em 2006, quando foi convidado por uma agência de marketing online a estruturar um departamento focado exclusivamente em blogs profissionais. Seu blog – Pensar Enlouquece, Pense Nisso – foi ao ar em agosto de 2002 e é um sucesso.

Além de blogueiro profissional, Inagaki trabalha como consultor de comunicação em mídias digitais para grandes empresas, como Bradesco e Instituto Coca-Cola Brasil. Passa diariamente de 8 a 10 horas em frente ao computador e se diz “um privilegiado” porque faz o que gosta. De São Paulo, onde reside, ele concedeu entrevista exclusiva ao Unifor Notícias. Aqui ele desvenda alguns dos mistérios pertencentes ao mundo das redes sociais, principalmente dos blogs. Confira.

 

Unifor Notícias: Qual é a história do blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso?

Inagaki: Eu publico textos na internet desde 1998. Eu sempre gostei de escrever, e a internet chegou como uma luva. Internet nada mais é do que uma grande gaveta na qual você pode liberar seus textos mundo afora. Na época, eu estava fazendo Letras na USP ainda [ele não concluiu o curso] e trabalhando como bancário concursado. Nas horas vagas, eu me dedicava às coisas que eu mais gostava de fazer. Criei uma página pessoal, com o surgimento do html, que eu tinha aprendido com uma revista, e comecei a fazer listas de discussão sobre os assuntos que me interessava, como literatura e poesia. E o Pensar Enlouquece surgiu alguns anos depois até como uma decorrência natural. Você não precisa ser um programador para publicar um blog. O nome veio de um para-choque de caminhão (risos).

 

Unifor Notícias: A sua conta do twitter tem mais de 34 mil seguidores. Esse sucesso foi através do blog?

Inagaki: Quando o blog entrou no ar, eu já tinha uma certa quantidade de leitores que me acompanhavam desde 1998. E nesses anos todos acabei construindo uma carreira profissional nova graças às publicações que fazia. Na medida em que as empresas foram descobrindo o potencial das redes sociais, começou a se desenvolver um mercado profissional focado nelas. Em 2006, fui convidado por uma agência de marketing, a Riot, para estruturar o que seria o primeiro departamento no Brasil focado exclusivamente em blogs profissionais. Era uma empresa que estava começando a desenvolver o marketing online no Brasil. Como o dono sabia que eu tinha essa vibe mais agregadora, ele me chamou para criar estratégias de divulgação de campanhas publicitárias em blogs, desenvolver projetos editoriais para blogs corporativos e também começar um trabalho de relações públicas com esses formadores de opinião. O meu sucesso é em decorrência desse trabalho com a internet há mais de dez anos.

 

Unifor Notícias: O que faz exatamente um consultor em comunicação de mídias digitais?

Inagaki: Eu trabalho dando soluções para empresas que querem se inserir nesse universo novo no qual todos nós somos potenciais formadores de opinião. Por que eu vou seguir o Twitter de uma empresa? Essa empresa precisa ter um conteúdo suficientemente interessante. Então desenvolvo projetos editoriais para blogs corporativos e perfis no Facebook e no Twitter tentando fazer com que o conteúdo seja adequado à social media. Eu também auxilio agências de publicidade que querem entrar em contato com blogueiros, para divulgar novos produtos, por exemplo. A linguagem de blog, assim como a linguagem de Facebook e Twitter, tem que ser mais informal para gerar um RT e passar uma imagem mais humanizada.

 

Unifor Notícias: A linguagem de um blog deve ser sempre informal, independente do assunto tratado por ele?

Inagaki: O blog deve refletir a personalidade de quem o escreve. Um bom blog é aquele que de fato reflete o que se passa na cabeça daquele blogueiro, e não existe uma fórmula pronta. Como jornalista, o que me atrai no blog é que eu não tenho pautas pré-definidas nem deadline e não tenho limites de caracteres. Eu consigo exercer a minha liberdade editorial. Naturalmente, por escrever desvinculado de uma publicação formal, a linguagem acaba ficando mais opinativa e mais informal. E isso aproxima você mais do seu leitor.

 

Unifor Notícias: Dá para viver de escritor do blog?

Inagaki: Já existem mais de 20 blogueiros no Brasil que trabalham só com isso e que têm renda de cinco dígitos pelo menos.

 

Unifor Notícias: Mas nem sempre foi assim, não é mesmo?

Inagaki: Em 2006, eu ia para reuniões onde as empresas não não tinham ideia do que era splash, post, Orkut, e de lá para cá houve um amadurecimento enorme no mercado. Os blogs se tornaram pauta nas mídias tradicionais. Como, por exemplo, o ‘Cala a Boca, Galvão’, que foi pauta mundial e acabou ganhando matéria no The New York Times e capa da Veja. Antes as mídias tradicionais pautavam as mídias sociais. Hoje em dia está cada vez mais frequente esse movimento inverso. O assunto bomba nas redes sociais primeiro para depois chegar nas mídias tradicionais. E esse movimento também passou a ocorrer com o mercado publicitário. Cada vez mais as pessoas se informam pelas redes sociais. E por isso há cada vez mais investimentos publicitários em blogs, Twitter, Facebook, etc. E começaram a surgir cada vez mais blogueiros que acabam por fazer do seu blog o seu principal meio de sobrevivência. Então, hoje em dia, você encontra blogs com centenas de milhares de cliques por dia, como o Jacaré Banguela e o Garotas Estúpidas, que trabalham só com a publicação de seus posts. E o bacana é que você encontra blogs de vários assuntos.

 

Unifor Notícias: Qual sua opinião sobre post pago dentro dos blogs?

Inagaki: Assim como as revistas, os blogs têm matérias de natureza publicitária. Até por determinação do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), qualquer publicidade tem que ser declarada. O blogueiro tem que ter em mente o seguinte fato: quando você aceita fazer um anúncio no seu blog, você tem que se certificar de que se identifica com aquele produto ou que você assina embaixo. O grande legado do blog é a credibilidade, que faz com que seus leitores acompanhem você diariamente. A opinião nunca deve ser vendida.

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 217

 

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