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Dimensões e definições relativas às deficiências

por Ana Elizabeth Gondim Gomes*

 

217-artigo-deficienciaA história da deficiência é descrita desde a época primitiva do ser humano. No Egito antigo, por exemplo, os restos biológicos apontam que pessoas com nanismo não tinham impedimento de desempenhar suas funções de dançarinos e músicos.

 

A deficiência pode ser definida de diversas maneiras dependendo do ponto de vista do ser humano e de suas respectivas experiências. Segundo a Convenção de Guatemala, trata-se de uma limitação física, mental, sensorial ou múltipla que incapacita a pessoa para o exercício de atividades normais da vida e que, em razão dessa incapacitação, a pessoa tenha dificuldades de inserção social.

 

Pensar a deficiência partindo do ponto de vista da definição e terminologia é trazer à tona uma referência importantíssima – a da Organização Mundial da Saúde (OMS), que difunde desde os anos 80 os tópicos impairment, disability e handicap como as três dimensões da condição de deficiência.

 

A tradução dos termos acima citados é a seguinte: impairment é a deficiência, disability a incapacidade e handicap a desvantagem. Dessa forma, será feita uma pequena discussão acerca das três dimensões do conceito das deficiências (física, intelectual, auditiva, visual e múltipla) e uma associação com o desenvolvimento de consciência dos acadêmicos, visando a preparação para o seu desempenho laboral e a importância de equipes interdisciplinares (compostas por profissionais de diversas formações), visto que a população de pessoas com deficiência tem aumentado (14,5% da população brasileira tem deficiência – Censo, 2000) e provavelmente esses futuros profissionais um dia se depararão com um aluno com deficiência e algum tipo de limitação.

 

A primeira dimensão, então, é a da deficiência, que se refere a toda alteração do corpo ou aparência física, de um órgão ou função, de qualquer que seja a causa. Nesse sentido, podemos considerar a deficiência como algo permanente e provisório também, como uma pessoa que sofreu de entorce e colocou um gesso para correção ou uma pessoa que usa óculos corretivos para ampliar sua visão por tempo determinado.

 

Sob tal ponto de vista, essas pessoas também se enquadram na dimensão da deficiência, de acordo com a OMS. No curso de graduação de Educação Física da Unifor, por exemplo, existe a disciplina de Atividade Física Adaptada, que tem como objetivo planejar o processo de ensino-aprendizagem respeitando os princípios e pressupostos pedagógicos, explicando e identificando as deficiências e como facilitar o processo de inclusão nas aulas de educação física.

 

A segunda dimensão é a da incapacidade, a qual é reflexo das consequências de uma deficiência em termos de desempenho de atividade funcional do indivíduo. Nesse sentido, dependendo do grau de comprometimento físico, intelectual e sensorial, a funcionalidade do ser humano pode estar diminuída, se não forem consideradas as adaptações de espaço (acessibilidade e adaptações arquitetônicas), de material e de interesse, por exemplo, da comunidade escolar e do seu entorno profissional e social. Nesse aspecto, julga-se importante que o professor introduza conceitos de barreiras arquitetônicas/geográficas e de acessibilidade, sugira adaptações em seus planos de ensino e de aula e conteúdos a serem desenvolvidos.

 

A terceira e última dimensão é a da desvantagem, que diz respeito ao prejuízo acarretado ao indivíduo devido à sua deficiência e incapacidade. Nesse sentido, as desvantagens traduzem a adaptação e a interação do indivíduo com o meio social. A lei das cotas, por exemplo, dispõe providências relativas à contratação de funcionários com algum tipo de deficiência em uma companhia (até 200 funcionários, 2% deles devem ter deficiência). Partindo dessas providências, observa-se em nossa realidade que foi necessária a disposição dessa lei para que a contratação efetiva ocorresse. Assim, o professor deve dispor aos seus alunos a existência desta lei e mostrar o porquê de se contratar, também, pessoas com deficiência.

 

Como professora de graduação, reitero que é de extrema importância para os profissionais que lidam e convivem com pessoas com deficiência o conhecimento desses conceitos e termos, pois sabe-se que a deficiência, a inclusão, as adaptações arquitetônicas e outros tantos aspectos importantes para a evolução de uma sociedade baseada na igualdade para todos estão em constante dinamismo e em processo de avanço. Assim sendo, torna-se necessária a ética de tais profissionais com o processo de formação de todo e qualquer aluno, visando o respeito mútuo e a progressão da vigência dos direitos de todos e dos deveres também.

 

* Ana Elizabeth Gondim Gomes é doutoranda e mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), especialista em Fisiologia do Exercício pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) e graduada em Educação Física. Elizabeth é professora do curso de Educação Física da Unifor. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 217

 

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