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24 histórias de vida sobre o Brasil pioneiro

A exposição Pioneiros & Empreendedores retrata a história de vida de 24 grandes empresários brasileiros. A trajetória de pessoas como Júlio Mesquita, Roberto Marinho, Delmiro Gouveia, José Ermírio de Moraes e Edson Queiroz pode ser conferida na mostra que entra em cartaz no Espaço Cultural Unifor no dia 15 de fevereiro.

215_pioneirosEles foram empresários pioneiros que contribuíram para a construção da sociedade brasileira. Gostavam de riscos e colheram os frutos de seus empreendimentos ousados. Fizeram a diferença nos setores em que atuaram ou naqueles que eles próprios iniciaram. São exemplos de vida e suas histórias estavam esquecidas. Estavam.

A mostra Pioneiros & Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil conta justamente a trajetória desses empresários, com as circunstâncias históricas de seus tempos. A exposição é itinerante e teve o Museu Nacional do Rio de Janeiro como primeira sede em 2010. Agora ela entra em cartaz no dia 15 deste mês no Espaço Cultural Unifor para visitação gratuita.

A exposição surgiu em decorrência de uma pesquisa sobre os 24 empreendedores realizada pela Universidade de São Paulo (USP) sob a coordenação do professor Jacques Marcovitch. A pesquisa, que virou livro e foi dividida em três volumes, deu nome à mostra.

Marcovitch é o autor dos livros e também o curador. Para ele, é importante frisar que o apanhado de informações foi feito fora do meio empresarial e com o rigor acadêmico que uma pesquisa exige. Mais ainda: que a mostra é didática.

Ela contempla um roteiro argumentativo e atividades pedagógicas sobre os pioneiros e os períodos históricos aos quais estavam vinculados com direito a livreto de orientação para professor e um caderno-questionário para aluno. “Era preciso lidar com uma juventude que é o principal alvo dessa exposição e ajudar a construir novas mentalidades”, explica Marcovitch (confira entrevista).

Os empreendedores se dedicaram aos mais diversos tipos de negócio. Não raro é observar que eles atuaram em mais de um por vez. Mas geralmente ficaram conhecidos pelo que de mais significativo fizeram em determinada área comercial ou industrial. É o caso, por exemplo, de Nami Jafet, que ficou famoso por ter sido o precursor da indústria têxtil brasileira; Delmiro Gouveia, pela instalação da primeira hidrelétrica do rio São Francisco; Barão de Mauá, por ter criado a primeira estrada de ferro; Attílio Fontana, pelas empresas do grupo Sadia; e Valentim dos Santos Diniz, por ter fundado a rede de supermercados Pão de Açúcar.

As empresas dos pioneiros estão localizadas em toda parte do Brasil, mas se concentram em sua maioria nas regiões Sul e Sudeste do país. O único cearense é o industrial Edson Queiroz.

O empresário foi pioneiro em seu negócio de gás de cozinha no Nordeste, com a empresa Norte Gás Butano, além de bem-sucedido nos diversos polos em que atuou. Edson Queiroz criou, por exemplo, a Loteria Estadual do Ceará e de Pernambuco, as empresas Cascaju, Indaiá e Minalba. Fundou a TV e Rádio Verdes Mares, o jornal Diário do Nordeste e a fábrica de fogões, geladeiras e freezers Esmaltec. E instituiu também a Fundação Edson Queiroz, mantenedora da Universidade de Fortaleza.

Pioneiros & Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil
De 15 de fevereiro a 13 de maio no Espaço Cultural Unifor.
De terça a sexta, das 8h às 18h; sábados e domingos, das 10h às 18h. Entrada gratuita.
www.unifor.br/pioneiroseempreendedores


SAIBA MAIS

215_pioneirosedsonConfira agora dois trechos retirados do livro Pioneiros & Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil (volume 3, Edusp, 2009) que fala sobre o industrial cearense Edson Queiroz.

No final da década de 1960, o acesso à universidade era, em todo o Brasil, um privilégio alcançado por apenas 1% da população alfabetizada. Se dez milhões de alunos concluíam o curso primário, apenas cem mil ultrapassavam a barreira do vestibular. Em Fortaleza, a única possibilidade existente para quem desejasse prosseguir os estudos após o secundário era a Universidade Federal do Ceará, fundada em 1954. Aos outros só restava a alternativa de abandonar os estudos ou migrar para outros estados à procura de vagas. Em suas conversas com sua esposa, Yolanda Queiroz, que também se interessava vivamente pela questão, Edson Queiroz costumava repetir que o Ceará, precisando tanto de seus filhos mais dotados, exportava-os. Não se conformava com a situação, que conhecia de perto, pois estava sempre à procura de executivos qualificados para suas empresas.

Desse inconformismo nasceu, no dia 26 de março de 1971, a Fundação Edson Queiroz, entidade de direito privado sem fins lucrativos, com o objetivo de investir na educação. Logo de saída, declarou sua intenção de criar uma universidade inteiramente nova – a Unifor. Foi escolhido um terreno de 447 200 metros quadrados na avenida Perimetral, local aparentemente isolado e distante, mas que a própria formação da Universidade ajudaria a desenvolver.

A autorização de funcionamento veio através de Decreto Federal, em 4 de janeiro de 1973; no mês seguinte, do mesmo ano, realizou-se o primeiro vestibular. As 1270 vagas abertas em dezessete cursos foram disputadas por 2007 candidatos.


O comércio sempre esteve no centro da existência de Edson Queiroz, desde que se conheceu por gente na pequena cidade de Cascavel, a 60 Km quilômetros de Fortaleza, capital do Ceará. Nasceu em 12 de abril de 1925, numa noite de lua cheia, primeiro filho homem e segundo de seis irmãos. Recebeu o nome de Edson, em homenagem ao inventor norteamericano, muito popular no Brasil daquela época.

Era filho de Cordélia Antunes Queiroz e de Genésio Queiroz, comerciante estabelecido em Cascavel com uma loja do tipo bazar e mercearia. A loja progrediu regularmente durante a década de vinte, mas veio a crise de 1929, agravada por um período de estiagem (Cascavel pertence ao polígono das secas). O horizonte ali parecia limitado. Em 1932, a família mudou-se para Fortaleza, onde abriu nova mercearia no centro da capital. Três anos mais tarde, o negócio cresceu, transformando-se num armazém para o comércio atacadista de arroz, feijão e, sobretudo, açúcar.

Nessa época, Edson tinha apenas dez anos, mas já estava envolvido no comércio, ajudando no armazém paterno em pequenos serviços de limpeza e entrega. E além disso cuidava de seus próprios negócios. Guardava, debaixo de sua cama, uma caixa com miudezas do tipo cadarços de sapatos, agulhas, linhas, alfinetes, grampos ou fivelas e, nas horas vagas, ia oferecê-las discretamente na vizinhança. No começo do ano letivo, enriquecia seu estoque com material escolar. Aos doze anos, começou a fabricar fogos de artifício e, pouco depois, tinta para canetas, segundo uma fórmula aprendida com um estrangeiro hospedado num hotel de Fortaleza. A maior parte de seu tempo, no entanto, era dividida entre a loja de seu pai e os estudos.

Desde os quinze anos, encarregava-se de abrir o armazém às seis da manhã, saía para a escola e, quando acabavam as aulas, voltava para o trabalho, onde permanecia até as 21 horas para o fechamento do caixa. Como ele recordaria mais tarde, numa entrevista para a revista Manchete: “a regra do jogo lá em casa era essa: quem pode se mexer, carrega pedra
” (Cotta, 1972).


Leia a edição completa do Unifor Notícias Nº 215

 

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