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Projeto brasileiro de placa de circuito impresso é de professor da Unifor

Batizado de Marminino, o projeto de Arduino produzido artesanalmente busca incentivar o desenvolvimento de protótipos em robótica por jovens alunos.


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A robótica é uma das principais áreas de investimento e estudos na atualidade. Afinal, quem não imagina um futuro com robôs, não é mesmo? E para que isso seja possível, é necessária a produção de protótipos programáveis. Foi pensando na utilidade que esses protótipos teriam para a educação que o professor do curso de Ciências da Computação da Universidade de Fortaleza, Daniel Almeida Chagas, desenvolveu uma placa de circuito impresso com componentes e montagem de baixo custo. O “Marminino” é uma produção inteiramente cearense, sendo um projeto de Arduino que torna possível a construção de autômatos em protótipo ou domésticos.

 

Arduino é o termo utilizado para designar plataformas de hardware livres e de placa única, que permitem a implementação de sistemas interativos em protótipos a nível não-industrial. Almeida já havia produzido uma placa de Arduino “caseira”, com processador ATMEGA, o mesmo dos originais. Entretanto, para diminuir ainda mais os custos, ele optou por adaptar um projeto do sueco Johan von Konow, o Nanino, redesenhando a placa e colocando suporte para pilhas, de maneira que seus alunos de informática na escola pública EEEP José de Barcelos, no bairro Messejana, pudessem reproduzir em casa. O resultado é o Marminino, que foi batizado dessa forma em homenagem à cultura cearense e seu linguajar.

 

Daniel Chagas contou que a origem principal da ideia foi a necessidade de possuir material semelhante ao Arduino, mas com o preço de custo mais acessível, para que seus alunos pudessem investir no desenvolvimento de protótipos em robótica. “Na época eu tinha uns 80 alunos de informática, e ao tentar licitar a compra de placas Arduino, só consegui comprar 10, e todo o processo demorou mais de um ano”, esclareceu o professor, destacando que precisava de um material similar para que o processo de experimentação e aprendizado da turma ocorresse.

 

Além de ser similar ao Arduino no quesito compatibilidade, a programação do Marminino é simples, sendo a conexão USB seu componente mais complexo, o que torna necessário o uso de um adaptador para uploads de código. O custo de fabricação é em torno de R$20, e a montagem é simples, por ser semelhante ao Nanino, que possui passo a passo online.

 

Para Chagas, o próximo passo é o desenvolvimento de um robô com custo mínimo e base de sucata. O projeto, batizado de Óumêi, deve ser simples a ponto de permitir a réplica por estudantes de nível médio. O desafio conta com arrecadação em crowdfunding (serviço de investimento online; uma espécie de “doação participativa”) e parceria com o ForHacker, laboratório comunitário especializado em tecnologia. O robô será open hardware, ou seja, pode ser montado e programado em qualquer espaço.

 

Nova Versão

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O Marminino receberá, em breve, uma nova versão, produzida com o apoio da ForHacker, laboratório deideias formado por um grupo de hobbystas, amadores e profissionais ligados aos movimentos Maker e DIY (Do It Yourself, faça você mesmo, em inglês). O espaço foi sugerido por Daniel Chagas em 2014, quando organizou o Arduino Day na Unifor, sendo bem recebido por vários professores da Universidade, dentre eles Liádina de Lima, coordenadora de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Marcelo Sousa, da Engenharia de Computação, e Marcus Venicius, da Ciência da Computação. O grupo se reúne desde janeiro de 2015 no laboratório da Casa de Cultura Digital (CCD), onde encontraram apoio dos professores Eurico de Vasconcelos e Vasco Furtado.

 

Robótica nas escolas


Os ideais por trás da concepção do Marminino e do Óumêi revelam um recente incentivo ao desenvolvimento tecnológico proposto pela Educação no País. “É hoje comum um aluno entrar em um curso que exige programação e nunca ter visto qualquer linguagem anterior. Isso significa que passará pelos mesmos problemas que um aluno mais jovem tem ao tentar programar: matéria muito abstrata, falta de base em lógica. Assim sendo, propostas materiais, como o Marminino e o robô Óumei seriam formas de dar um corpo à linguagem de programação, uma motivação a mais para entender como programar”, explicou o professor Daniel Almeida, exemplificando como os projetos são importantes para a compreensão do conteúdo explorado dentro do ambiente acadêmico.

 

Apesar desse investimento na robótica, o professor Daniel Chagas afirma que a integração entre essa área e os assuntos vistos em sala de aula ainda é pequena em muitos centros educacionais: “Falta mão de obra especializada na didática de programação e robótica, atrelada aos assuntos que o aluno já vê no 2º grau, como funções, matrizes e geometria. Uma educação integrada faria o aluno compreender o sentido da matéria de matemática aplicada à robótica”.

 
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