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Adriana Varejão abre a exposição Pele do Tempo, no Espaço Cultural Airton Queiroz

A exibição, que reúne 32 obras importantes de vários momentos da trajetória da artista, segue em cartaz até o final de novembro, com visitas guiadas e atividades de arte-educação.

 

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Na noite do dia 25 de agosto, a artista plástica Adriana Varejão, uma das artistas plásticas contemporâneas mais repeitadas do país, esteve presente no Espaço Cultural Airton Queiroz para a abertura da sua exposição individual Pele do Tempo. Em cartaz no local até o dia 29 de novembro, a exibição conta com 32 obras da artista e ainda mais quatro de artistas que a influenciaram, em um ambiente denominado “sala de referências”.

 

A exposição é aberta ao público e possui forte influência barroca em seu estilo, com a utilização de signos religiosos, que misturam-se de maneira ousada a elementos orgânicos da carnalidade humana. A pintura passa entre representações de azulejos, pratos, quadros que constituem noção espacial, referências de sincretismo cultural, antropofagia e outros diversos elementos. “Pele do Tempo quer dizer dois elementos que são tão importantes na obra da Adriana: a presença do corpo, do erotismo, da carnalidade da pintura; e a questão da história, ou várias histórias, várias narrativas. Por isso, a palavra pele e a palavra tempo. A obra da Adriana não é difícil, porque ela tem uma coerência imensa, onde acha muito cedo um vocabulário que vai desdobrando; tem essa pluralidade, essa hibridização, essa miscigenação pra falar dos temas das raças, mas que vale para estética ou para estilos, como a Adriana faz, de misturar o Barroco com a herança chinesa”, declarou Luisa Duarte, curadora da exposição.

 

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Para que possa ser compreendida pelo público de maneira mais clara, a exibição divide-se em três espaços: uma sala que une a simetria de azulejos portugueses, com fissuras e camadas de pele que evocam a sensualidade humana; outra que mescla o catequismo religioso e sua estrutura barroca, com os ritos e o “profano” dos grupos indígenas hoje praticamente extintos; e a sala de referências, que expõe as obras-base para a artista plástica e que inclui também peças de vídeo exibidas em um ambiente de projeção. Para a espectadora Camila Belchior, essa organização é um dos diferenciais de Pele do Tempo. “Acho que a separação entre as salas foi muito bem pensada e articulada. Um dos lados é mais minimalista, mais clean, com as ruínas, os pratos, as saunas, e do outro lado vemos um pouco mais o drama, o barroco, a história, a influência chinesa… achei muito bem executado!”, revelou.

 

SOBRE A ARTISTA 

 

Adriana Varejão nasceu no Rio de Janeiro, em 1964. É um dos maiores destaques da arte contemporânea, utilizando-se da pintura, um dos elementos da linguagem clássica, para abrir diversos campos de discurso. Adriana realizou sua primeira exposição individual em 1988, na cidade de Amsterdã. Desde então, expôs obras em Veneza, São Paulo, Nova York, Paris, Tóquio e outras cidades do mundo. Seu trabalho está presente em acervos de grandes museus e centros culturais, tais como Tate Modern (Londres), Guggenheim (Nova York) e Fundação Cartier (Paris). No Brasil, ganhou, em 2008, um pavilhão inteiro com seus trabalhos no Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Minas Gerais.

 

Em Pele do Tempo, a curadoria preocupou-se em estabelecer uma exibição quase de caráter introdutório, apresentando obras de diferentes séries e assuntos explorados pela artista em seus 30 anos de carreira. A obra mais recente data de 2014 e a mais antiga é de 1992.

 

O Evento


Iniciada por volta das 20h, a festa de abertura da exposição contou com a presença da própriaartista, que previamente se dispôs a entrevistas e comentou com os presentes sobre seu trabalho. O hall inferior do Espaço Cultural Airton Queiroz recebeu a camerata da Universidade de Fortaleza para apresentar conhecidas peças da música clássica, enquanto o ambiente foi tomado pela presença de professores, vice-reitores e a reitora da Unifor, Fátima Veras.

 

Também presentes estavam o chanceler Airton Queiroz, D. Yolanda Queiroz, Denise Mattar, Carlos Dale Jr., Antonio Almeida, Marcia Fortes, Paulo Vicelli, Ivo Mesquita, Pedro Corrêa do Lago, Paulo Darzé, Silvio Frota, Rodrigo Frota, Totonho Laprovitera, José Guedes, José Augusto Bezerra e Pádua Lopes. No dia seguinte ao evento, Adriana Varejão realizou uma palestra aos alunos da Universidade, seguida de uma visita guiada por ela à exibição de suas obras.

 

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O chanceler Airton Queiroz e a artista plástica Adriana Varejão.


“A abertura da exposição foi um sucesso, tanto pelo número extraordinário de pessoas presentes quanto pelo retorno positivo que tivemos sobre a iniciativa de apresentar uma mostra inédita de Adriana Varejão, uma das maiores artistas brasileiras contemporâneas. Como é tradição em nossa aberturas, a presença da artista chamou muita gente, mas a obra dela, pela curiosidade e inquietação que provoca, certamente foi o que mais atraiu o público”, pontuou o chefe da Divisão de Arte, Cultura e Eventos da Universidade de Fortaleza, Thiago Braga.

 

Projeto Educativo

 

O Projeto Educativo que acompanha a exposição conta com 12 mediadores disponíveis para o público que desejar uma visita guiada e tem foco em três pontos: explorar a trajetória da artista, as referências que ela utilizou durante a composição de sua obra e em realizar atividades práticas e poéticas, que proporcionem exercícios de leitura de imagem. Um deles, por exemplo, consiste em um jogo de palavras com fichas e sensações, para que o público relacione aquilo que vê nas obras com os sentidos que a mostra desperta. “É importante para nós contextualizar o público dentro da exposição, apresentando a obra da artista e analisando o contexto histórico apontado nas peças, para propor, assim, uma leitura diferenciada”, afirma Cecília Bedê, coordenadora do projeto.

 

DEPOIMENTO


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“Gosto muito do trabalho da Adriana. Ela é uma artista contemporânea que realmente influencia muito outros artistas, e dentro da temática dela, que mistura barroco e toda uma iconografia que envolve azulejos e a miscigenação do povo brasileiro, acho um trabalho sem igual, que vale a pena conferir”.

 

Isaac Furtado, espectador.

 
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