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Laboratório pesquisa casais, família e comunidade

Além de produzir conhecimento a partir de visões críticas sobre os temas tratados, o Laboratório e Estudos dos Sistemas Complexos, Casais, Família e Comunidade (Lesplexos) busca contribuir para a transformação da realidade de famílias e comunidades.


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Criado em 1999, o Laboratório de Estudos dos Sistemas Complexos, Casais, Família e Comunidade (Lesplexos), é um grupo de pesquisa vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGP) da Universidade de Fortaleza. Tem seu trabalho focado na reflexão teórica e na proposição de tecnologias sociais de intervenção psicossocial voltadas aos contextos de vulnerabilidade social dos chamados sistemas complexos com os quais trabalham: casais, família e comunidade.

 

Fundado pela professora Júlia Bucher, o Lesplexos é hoje coordenado pela profa. Normanda Morais em conjunto com a profa. Christina Sutter. Segundo a profa. Normanda, o grupo tem como

objetivos, além de produzir conhecimento a partir de visões críticas sobre os temas tratados, formar recursos humanos qualificados para pesquisa e promover o intercâmbio através de parcerias com outros centros do Brasil e também do exterior. “Queremos fazer pesquisas que sejam cientificamente corretas, adequadas e apropriadas, mas que sejam também socialmente engajadas, que ajudem a iluminar certos problemas e questões sociais que façam parte do nosso cotidiano”, explica.

 

No momento, o Lesplexos organiza-se em torno dos seguintes projetos: fatores de risco, proteção e resiliência familiar em casais formados por pessoas do mesmo sexo; bem-estar subjetivo de adolescentes em situação de rua; resiliência em pessoas vivendo com deficiência adquirida; famílias de vítimas de abuso sexual; satisfação conjugal de professores universitários; e resiliência comunitária.

 

Outros projetos desenvolvidos trabalharam temas como avaliação das famílias acerca do atendimento recebido nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS); vivência do lazer em família; experiência de mulheres que engravidaram em decorrência de estupro; conjugalidade de casais inférteis que não lograram êxito na reprodução assistida; reinserção familiar de adolescentes em situação de rua; alienação parental; e vivência de adolescentes criados por avós.

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Os trabalhos desenvolvidos pelo laboratório têm relevância não só acadêmica, mas social. Mestrandos e doutorandos realizam pesquisas de cunho empírico, aplicadas diretamente junto às famílias, para que problemas do cotidiano possam ser avaliados e resolvidos. “A partir da minha formação, pude trazer outras contribuições para o laboratório.

 

A mais específica é o olhar mais comunitário em relação às famílias, assim como a atenção às diferentes situações de vulnerabilidade por elas vividas, desde a questão da pobreza, falta de acesso a direitos básicos, preconceito no caso das famílias homoparentais, situação de rua. Ao mesmo tempo, outro forte balizador do nosso trabalho é a consideração de que, para além das adversidades vividas, sempre consideramos o potencial de superação dessas famílias e seus membros, buscando identificar e fortalecer as características que lhes fazem viver o cotidiano de forma mais positiva”, conta a profa. Normanda Morais.

 

“Além dos projetos sobre famílias formadas por casais do mesmo sexo, resiliência familiar, desenvolvemos, atualmente, um projeto sobre resiliência comunitária, junto a mulheres do Planalto Ayrton Senna. Nos encontros, trocamos informações sobre o que, para elas, é risco, proteção, como podem se fortalecer. Nossos trabalhos são trabalhos de cunho empírico, mais implicados com a transformação do cotidiano e proposição de melhorias para as diferen-tes realidades com as quais trabalhamos”, continua a profa. Normanda.

 

Apesar de ser um programa da Unifor e voltado para seus alunos, o Lesplexos também abre as portas para quem não estuda aqui. Em reuniões que geralmente acontecem nas segundas-feiras na sala N13, são criados grupos de estudos voltados para os assuntos que forem de interesse dos envolvidos.

 

Os grupos são abertos para que pessoas de fora que tenham interesse nas temáticas possam se envolver e dar suas contribuições com a pesquisa e desenvolvimento de artigos. “O laboratório agrega a ideia de uma formação que se baseia na participação nos projetos, no desenvolvimento do olhar crítico. Aprender a fazer pesquisa, montar e aplicar questionários e entrevistas, estabelecer contato com os participantes, escrever trabalhos para congressos. O grupo agrega conhecimento teórico e metalológico, desembocando em produção de trabalhos que dão mais credibilidade e qualidade ao curso de Psicologia da Unifor”, complementa a profa. Normanda Morais.

 

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“É muito importante compartilhar tudo o que pesquisamos, poder mostrar para alunos de graduação e pessoas da rede o que aprendemos”, acredita a mestranda Tercilla Campos, que pesquisa sobre resiliência comunitária. “Pesquiso dentro da comunidade, conhecendo a história, investigando os indicadores de resiliência comunitária nessa comunidade e como ela pode ser desenvolvida. Assim podemos sugerir intervenções que promovam a melhoria da comunidade. Saber disso faz com que a gente possa oferecer ao psicólogo ferramentas para trabalhar com esse público”, explica.

 

Sara Guerra, mestranda em Psicologia, participa do grupo desde que entrou na Unifor, em 2007. “Entrei no laboratório quando era coordenado pela profa. Júlia Bucher para estudar família e logo depois veio a professora Normanda e dei continuidade ao projeto. Não é somente um grupo de estudos e pesquisas. Além de ser um ambiente bem familiar, é também de muita humildade em que não há muita hierarquia. Os doutorandos e mestrandos compartilham muito de aprendizado com quem está entrando ainda na graduação, a orientadora é muito prestativa, sempre à disposição e dando ideias, os textos são atualizadíssimos e as temáticas muito abrangentes, indo desde a psicologia clínica ao social”, conta.

 

 

FOCO NA FAMÍLIA

 

No Lesplexos, as pesquisas são bastante diversificadas, tendo como um dos principais focos a família. Uma das pesquisas realizadas, por exemplo, é “Resiliência em famílias constituídas por casais do mesmo sexo: um estudo sobre fatores de risco, fatores de proteção e ajustamento psicossocial”. O trabalho trata de homoparentalidade, uma das muitas possíveis vertentes familiares presentes em todo o mundo e que não pode ser ignorada. O grupo analisa desde preconceitos sofridos até a satisfação conjugal e a resiliência familiar.

 

Coordenada pela profa. Normanda Morais, em parceria com a doutoranda Aline Nogueira de Lira, do Lesplexos, a pesquisa tem como objetivo compreender os processos de resiliência em famílias constituídas por casais do mesmo sexo, a partir da análise de fatores de risco (homofobia internalizada), fatores de proteção (rede de apoio e satisfação conjugal) e ajustamento psicossocial. “Esperamos contribuir para o campo de estudos da área que articula risco-proteção-resiliência em famílias constituídas por casais do mesmo sexo e também para o aumento da visibilidade desses arranjos familiares em nossa sociedade, sobretudo nos diversos equipamentos de saúde, educação e jurídicos, pois ainda são alvos de muita polêmica e preconceito”, aponta a coordenadora.

 

O projeto encontra-se na fase de coleta de dados e está sendo realizado em Fortaleza, Aracaju (SE) e Uberaba (MG). Conta com o financiamento do CNPq/Capes e com a parceria dos pesquisadores Dr. Elder Cerqueira-Santos (Universidade de Sergipe) e Dr. Fabio Scorsolini-Comin (Universidade Federal do Triângulo Mineiro).

 

Outra pesquisa realizada pelo Lesplexos teve como foco a reinserção familiar de adolescentes institucionalizados com histórico de situação de rua. Desenvolvida pela mestranda Sara Guerra, sob orientação da profa. Normanda, buscou-se com-preender o processo de reinserção familiar de cinco adolescentes em situação de rua. Para isso, foram realizadas entrevistas com os adolescentes, além de um representante de suas famílias e um educador da instituição onde cada um havia sido acolhido. As entrevistas foram realizadas em três diferentes momentos, no mês que antecedeu a saída da instituição, um mês e seis meses após a saída da instituição.

 

Dentre os principais resultados, pôde-se verificar que o (in)sucesso da reinserção familiar está relacionado às vulnerabilidades dos adolescentes (drogas e comportamentos), às vulnerabilidades dos familiares (drogas, conflitos familiares e dificuldades financeiras), assim como ao papel de suporte oferecido pelas instituições de acolhimento e por pessoas da família, como avós e irmãos. “A pesquisa gerou uma série de resultados, fundamentais para se repensar a reinserção familiar. Sobretudo, evidenciou a importância de se considerar o contexto familiar e comunitário no processo de definição de intervenções visando a reinserção de crianças e adolescentes que se encontram em situação de rua na nossa cidade”, atesta Sara Guerra.

 

 

Pessoas em situação de rua


Não só famílias ganham a atenção especial dos pesquisadores. “O impacto da vida na rua sobre adolescentes em situação de rua de três capitais brasileiras: Um estudo longitudinal sobre risco e proteção” tem como objetivo investigar o impacto no desenvolvimento de adolescentes em situação de rua de três capitais brasileiras: Fortaleza, Salvador e Porto Alegre. Mais especificamente, investiga-se um conjunto de indicadores (eventos estressores, rede de apoio social, percepção sobre a vida na rua, bem-estar subjetivo, etc) e a sua influência sobre o ajustamento psicossocial desses jovens (sintomas físicos, uso de drogas, suicídio e comportamento sexual de risco).

 

Em Fortaleza, participam da coleta quatro bolsistas de iniciação científica e três mestrandas. Foram realizadas três momentos de coleta de dados, ao longo de dois anos e meio (o intervalo mínimo entre uma coleta e outra foi de seis meses). Durante esse período foi possível acompanhar 70 adolescentes, sendo que 111 adolescentes haviam participado do primeiro momento da pesquisa. Em se tratando de uma população de difícil acesso por sua grande circulação, o percentual de adolescentes que concluiu as três etapas (63%) é considerado alto, fato que se consistiu como um grande desafio metodológico às equipes nas três cidades.

 

“Através do estudo, buscamos romper com estereótipos e preconceitos e contribuir para uma visão mais positiva desses jovens, que mesmo enfrentando vulnerabilidades e riscos podem se sentir felizes e satisfeitos com suas vidas”, atesta Rebeca Lima, uma das participantes.

 

O que é Resiliência?

 

Diz respeito a processos que explicam a supera- membro do Lesplexos. ção de crises e adversidades em indivíduos, famílias e comunidades. Para sua compreensão é preciso considerar a interação entre características individuais e contextuais, sendo de grande importância o papel exercido pela rede de apoio (família, amigos, instituições de educação, saúde e assistência social, por exemplo). Ao contrário da visão vigente no senso comum, resiliência não deve ser entendida como sinônimo de invulnerabilidade, resistência absoluta ao stress ou como característica de alguns privilegiados ou como traço de personalidade.

 

 

 

Serviço

Lesplexos

O Laboratório de Estudos dos Sistemas Complexos, Casais, Família e Comunidade (Lesplexos) funciona na sala N13. Podem participar quaisquer pessoas que tiverem interesse nos temas debatidos. As reuniões acontecem nas segundas-feiras. Mais informações através do site www.lesplexos.com ou pelo número 3477-3219.

 

 

 

DEPOIMENTOS

 

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“O laboratório é organizado a partir dos projetos de pesquisa. Outra preocupação muito grande do grupo é a questão da extensão, que é nada mais nada menos que a inserção social. Devolver para a comunidade um pouco dos que nós sabemos e desenvolvemos nas pesquisas”.

 

Normanda Morais, coordenadora do Lesplexos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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“O apoio recebido no Lesplexos é crucial para a realização desses estudos. No laboratório vivencio trocas de experiências e conhecimentos enriquecedores que incrementam minha formação acadêmica e me impulsionam sempre a seguir em frente”.

 

Rebeca Lima, doutoranda em Psicologia e membro das Lesplexos.

 
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