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Histórias de quem renasceu pela solidariedade

Em sua 13ª edição, a campanha Doe de Coração contribui, a cada ano, para sensibilizar a população sobre a importância da doação de órgãos.


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Em 2013, Tassilla Melo começou a sentir cansaço em pequenos esforços, como subir escada, tomar banho, caminhar. No início de 2014, foi diagnosticada com uma doença rara, a linfangioleiomiomatose ou LAM. Com o tempo, a doença impede os pulmões de prover oxigênio para o corpo e Tassilla passou, então, a ser dependente de um tubo de oxigênio. Ela parou de trabalhar, dirigir e realizar outras atividades comuns do cotidiano. Só um transplante poderia curá-la. Este ano, Tassilla ganhou vida nova. Em março, ela passou por uma cirurgia e recebeu um novo pulmão.

 

Desde 2003, a Fundação Edson Queiroz realiza a campanha Doe de Coração, com o objetivo de lançar luz para questão da doação de órgãos e tecidos, reduzindo a barreira do preconceito e estimulando um gesto de amor e solidariedade. Em sua 13ª edição, o movimento já sensibilizou milhares de pessoas e foi reconhecido nacionalmente pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) que concedeu, em 2008, o prêmio Amigo do Transplante à Fundação Edson Queiroz. Realizada tradicionalmente do mês de setembro, a campanha busca sensibilizar a sociedade através de anúncios em veículos de comunicação, distribuição de cartilhas, cartazes e camisas. A mobilização é realizada em hospitais, escolas, clínicas, no Sistema Verdes Mares de Comunicação, na Unifor e em entidades diversas, traduzindo a preocupação da Fundação Edson Queiroz para um ato de esperança e alteridade.

 

Para a coordenadora da Central de Transplantes do Ceará, a médica Eliana Barbosa, iniciativas como a Doe de Coração são fundamentais para desmistificar o processo de doação, conscientizando a população e, consequentemente, diminuindo o tempo de espera dos pacientes. “O movimento é, sem dúvida, uma grande estratégia de comunicação que consegue impactar positivamente na predisposição da sociedade cearense em se declarar doador de órgãos e tecidos para fins de transplantes. Desde o ano de 2003, quando foi iniciada a campanha, temos obtidos bons resultados em número de doadores efetivos e consequentemente um aumento no número de transplantes realizados, elevando o nosso Estado a destaque nacional na doação de órgãos. Destaque também para os centros de transplantes das unidades de saúde do Ceará, que pela qualidade dos serviços prestados são referências para outros Estados das regiões Norte e Nordeste”.

 

“Engajamento é a palavra que melhor define a campanha Doe de Coração. Embora o marketing social da Fundação Edson Queiroz adentre em todas as esferas da sociedade com informação e meios necessários, são as pessoas que efetivamente fazem da campanha o sucesso que é. São mais de 10 anos sensibilizando o público cearense com inserções na mídia impressa e eletrônica, falando diretamente sobre um assunto delicado e que exige atenção de todos os setores. Abraçando a causa, a Fundação Edson Queiroz chancela com sua marca forte esta campanha que conta com o apoio do Sistema Verdes Mares na divulgação, levando aos espectadores, leitores e ouvintes informação necessária sobre como se tornar um doador. A escolha de setembro não ocorre por acaso. Neste mês comemora-se o Dia da Responsabilidade Social, âmbito que a Fundação trabalha primorosamente”, afirma Erotilde Honório, diretora de Comunicação e Marketing da Unifor.

 

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O retorno é expressivo. Em 2003, quando teveinício o movimento, apenas 420 transplantes foram realizados em todo o estado do Ceará. Em 2014, o número mais que triplicou, chegando a 1.339 transplantes efetivados, 919 a mais em comparação com o ano de 2003. São contabilizadas cirurgias de transplante de córneas, esclera, rins, coração, fígado, medula óssea, válvulas cardíacas, pâncreas e pulmão. Este ano, até meados de agosto, 819 transplantes haviam sido realizados no estado. O número posiciona o Ceará em 4º lugar no país no número de doações efetivas por milhão de população (pmp), de acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes, publicação de dados consolidados pela ABTO, com 19 cirurgias pmp. Ainda de acordo com a publicação, neste primeiro semestre de 2014, o Ceará ficou em 2º lugar geral em doação efetiva de fígado, 3º em pulmão e 5º em coração. 

 

Os números também apontam a necessidade contínua de campanhas do cunho da Doe de Coração, de estímulo e conscientização, especialmente no restante do Brasil, onde o número de doações sofreu um decréscimo, ainda de acordo com o relatório da ABTO. Até junho, 1159 pessoas ainda permaneciam na fila de espera por um órgão no Ceará. No Brasil, a taxa de doadores efetivos foi de 13,4 pmp, 21% abaixo da esperada. Em todo território nacional, 44% das famílias ainda se recusam a doar órgãos de um parente com morte encefálica, principalmente pela falta de esclarecimentos.

 

“Principalmente quando há uma queda no número de doações, como acontece atualmente no Brasil, a Doe de Coração é uma luz que reacende a esperança de centenas de pacientes que aguardam no cadastro técnico único do nosso Estado a realização do transplante. Eles se alegram, pois sabem que quando é iniciada há uma recuperação ou aumento no número de doações e as suas chances de vida aumentam. A Doe de Coração promove mudanças de atitudes positivas para o transplante, favorecendo o aumento do número de famílias que dizem ‘sim’ para a doação de órgãos e tecidos”, aponta a Dra. Eliana Barbosa.

 

Para o chanceler Airton Queiroz, setembro é um mês especial. “Idealizada em 2003, a campanha Doe de Coração busca sensibilizar a sociedade de forma massiva quanto à questão da doação de órgãos e tecidos. Em mais de 10 anos, os números obtidos neste movimento são expressivos: o Ceará manteve, no primeiro trimestre de 2014, o primeiro lugar em transplantes de fígado do país, com 26,5 cirurgias pmp, à frente do Distrito Federal (18,7), São Paulo (14,9) e Santa Catarina (13,4). Desde a primeira edição do movimento, o número de transplantes realizados no Ceará mais que triplicou”.

 

“Contrapondo os números positivos obtidos até agora, o ano de 2015 apresenta altos dados quanto à taxa de recusa de doação de órgãos por parentes. Frente a esta situação, a Fundação Edson Queiroz reforça seu compromisso e, mais uma vez, encara o desafio de engajar-se com a sociedade e, principalmente, com aqueles que mais precisam. Portanto, doe! Informe sua família sobre sua vontade em ser doador e ajude-nos a somar vidas”, conclama o chanceler da Unifor.

 

Segundo a reitora da Universidade, Fátima Veras, a Fundação Edson Queiroz continua empenhada na sensibilização da sociedade. “Neste ano estamos ainda mais engajados, devido aos dados que apontam um decréscimo na doação em território nacional. Isso requer cuidado e vigilância absoluta e que a gente trabalhe fortemente com a comunidade para que se possa transformar um momento doloroso em um gesto de esperança”, afirma. “Nesse caso, a doação deve ser feita o mais breve possível e as pessoas devem acreditar que é um serviço que funciona muito bem e que o estado do Ceará possui excelentes médicos e equipes capacitadas para realização de transplantes. Então, cabe a nós ajudar para que esse número de doações volte a crescer e que mais pessoas possam se beneficiar”, complementa.

 

Segundo o Ministério da Saúde, o passo principal para se tornar doador é conversar com a família e deixar bem claro o desejo de doar. Não é necessário nenhum documento escrito. A doação de órgãos pode ocorrer a partir do momento da constatação da morte encefálica. Um único doador tem a chance de salvar ou melhorar a qualidade de vida de pelo menos 25 pessoas. Em alguns casos, a doação em vida também pode ser realizada (parte do fígado, um dos rins e parte da medula óssea). Não existe restrição à doação de órgãos, a não ser para soropositivos e pessoas com doenças infecciosas ativas.

 

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Perguntas frequentes


O que é transplante?

É um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão (coração, pulmão, rim, pâncreas, fígado) ou tecido (medula óssea, ossos, córneas) de uma pessoa doente (receptor) por outro órgão ou tecido normal de um doador, vivo ou morto. O transplante é um tratamento que pode salvar e/ou melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas.

 

Quem pode e quem não pode ser doador?

A doação pressupõe critérios mínimos de seleção. A idade e o diagnóstico que levou à morte clínica, além do tipo sanguíneo são itens estudados do provável doador para saber se há receptor compatível. Não existe restrição absoluta à doação de órgãos a não ser para soropositivos e pessoas com doenças infecciosas ativas. Em geral, fumantes não são doadores de pulmão.

 

Por que existem poucos doadores? Temos medo de doar?

Uma das razões é que temos medo da morte e não queremos nos preocupar com esse tema em vida. É muito mais cômodo não pensarmos sobre isso, seja porque “não acontece comigo ou com a minha família” ou “isso só acontece com os outros e eles que decidam”.

 

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Quero ser doador. O que devo fazer?

Todos nós somos doadores, desde que a nossa família autorize. Portanto, a atitude mais importante é comunicar para a sua família o seu desejo de ser doador.

 

Quando podemos doar?

A doação de órgãos como rim, parte do fígado e da medula óssea pode ser feita em vida. Em geral, nos tornamos doadores em situação de morte encefálica e quando a nossa família autoriza a retirada dos órgãos.

 

O que é morte encefálica?

Morte encefálica é a parada definitiva e irreversível do encéfalo (cérebro e tronco cerebral), provocando em poucos minutos a falência de todo o organismo. É a morte propriamente dita. No diagnóstico de morte encefálica, primeiro são feitos testes neurológicos clínicos, que são repetidos seis horas depois. Após essas avaliações, é realizado um exame complementar (um eletroencefalograma ou uma arteriografia).

 

Uma pessoa em coma também pode ser doadora?

Não. Coma é um estado reversível. Morte encefálica, como o próprio nome sugere, não. Uma pessoa somente se torna potencial doadora após o correto diagnóstico de morte encefálica e a autorização dos familiares para a retirada dos órgãos.

 

 

DEPOIMENTOS


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"Quando escutei a palavra transplante pela primeira vez, meu desespero e angústia foram tamanhos. Tive várias complicações, internações e UTI. Em determinado momento, percebi como era forte sobrevivendo com tanta garra a todas as dificuldades. Havia uma vontade e uma energia que me impulsionavam a recomeçar com base no que a vida me retirava aos poucos e que também me devolvia em forma de aprendizado. Todas as pessoas me perguntavam de onde vinha tanta força e eu respondia que minha única opção era ser forte. No dia 10 de março de 2015, às 14h, meu telefone tocou. Era a equipe informando que teria um possível doador compatível. Recebi uma grande bênção, uma família disse sim. E aqui estou eu, cinco meses depois do transplante, voltando às minhas atividades normais, caminhando, tomando banho e respirando 100% sem ajuda de aparelho. Essa nova vida só me foi possibilitada pela família do doador, que naquele momento de extrema dor e sofrimento, teve a coragem de fazer a doação. Serei eternamente grata. Infelizmente, a doação de órgãos não é um assunto discutido no âmbito familiar, por isso na hora de dizer um sim, muitas famílias não estão preparadas para tomar essa decisão. A Doe de Coração é muito importante para conscientizar a população e, com isso, aumentar o número de doações. Depois da morte, o que deixamos como lembranças é o que fizemos pelos nossos semelhantes”.

Tassilla Melo, 28 anos, transplantada de pulmão.

 

 

 

 

 

 

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“Sou diabético e há seis anos tive uma hemorragia digestiva por varizes de esôfago. Fui acompanhado por um médico gastroenterologista até que surgiu um nódulo em meu fígado decorrente de uma cirrose hepática. Esse nódulo aumentou e se tornou cancerígeno. Fui enviado para o Hospital das Clínicas e entrei para a fila de transplantes. Hoje faz dois anos e cinco meses que fui operado. A doação de órgãos é muito importante, não só por mim, por todas as pessoas que precisam. Quem puder doar, que doe, informe aos familiares. Isso é muito importante”.

 

Carlos Garcia Alencar, 56 anos, transplantado de coração.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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“Ano retrasado, quando o Álvaro acordou inchado, buscamos atendimento médico. Depois dos exames, descobrimos que ele tinha o problema renal crônico da minha família, a síndrome de Alport. Ele foi direto para a UTI, pois os dois rins dele já tinham parado. Só o transplante poderia salvá-lo. Quando recebemos a notícia de que havia um doador, eu comecei a chorar. Meu filho é muito pequeno para passar por tanto sofrimento. Quando a enfermeira ligou dizendo que arranjaram rins pro Álvaro, comecei a chorar, agradecer a Deus e a abraçar ele. Passei mais tempo no hospital do que em casa por conta da doença. Quando saí de casa com o Álvaro, meu filho mais novo só tinha dois meses de nascido. Quando eu voltei, ele já estava com 7 meses. Agora que estou convivendo com meu outro filho, me apegando a ele e ele a mim. Só tenho a agradecer”.

 

Maria Deiciane dos Santos, mãe de Álvaro, 6 anos, transplantado de rim.

 

 

 

 

 

 

 

 

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“Na minha família temos a síndrome de Alport, que é genética. A doença é caracterizada pela perd da função renal e auditiva. De onze irmãos, dois já faleceram em virtude dela. Descobri que era doente aos 17 anos e fiz hemodiálise por 5 anos. Eu morava em Imperatriz, no Maranhão, e com o tempo decidi vir para Fortaleza. Coloquei meu nome na fila de espera para um transplante e comecei exames. Cheguei a passar um mês e meio sem andar e dias sem enxergar devido a anemia forte. Consegui o transplante e minha vida melhorou muito. Já participei de algumas reuniões da Central de Transplantes e todos os anos eu participo da campanha ativamente, nas praças e hospitais. Temos um grupo de teatro e vamos para clínicas conversar com as famílias sobre a importância de doar. As famílias têm que participar mais. O transplante para mim significou liberdade. Poder voltar a estudar, tomar banho de mar, poder ver o sol”.

 

Maria Odete Sousa, 35 anos, transplantada de rim.

 
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