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Coleção Airton Queiroz: uma história de amor pela arte

Na mais nova exposição em cartaz no Espaço Cultural Unifor, o chanceler da Universidade de Fortaleza apresenta ao público cearense parte de um legado reunido ao longo de cinco décadas.

 

Aos 18 anos, o chanceler da Universidade de Fortaleza, Airton Queiroz, adquiriu o seu primeiro quadro. Teve início aí uma paixão que dura até hoje. Ao longo dos anos, elaborou minuciosamente seu próprio acervo. Durante cinco décadas, o chanceler construiu um panorama extraordinário da arte brasileira, que vai do Brasil holandês aos dias atuais. Sua coleção particular é uma das mais importantes e completas do país. Dentro do Espaço Cultural Unifor, local que construiu em 1988 para abrigar exposições de padrão internacional e recebeu nomes como Rembrandt e Rubens, o chanceler traz a público parte de seu incrível legado. A exposição Coleção Airton Queiroz, fica em cartaz até o dia 18 de dezembro.

 

Com curadoria de Fábio Magalhães, José Roberto Teixeira e Max Perlingeiro, sob o olhar atento do chanceler, a exposição reúne 251 obras dos principais nomes das artes plásticas brasileiras, além de artistas internacionais do porte de Monet, Renoir, Miró e Dalí. Em uma oportunidade única, o público cearense e brasileiro poderá apreciar telas, instalações e esculturas pertencentes a uma das maiores coleções da América Latina e que, em sua maioria, nunca foram expostas no Ceará. A exposição divide as obras entre períodos históricos e movimentos artísticos, totalizando cinco eixos: Do Brasil Holandês à República, Modernismo, Abstração, Contemporâneos e Presença Estrangeira. Para Fábio Magalhães, “a Coleção Airton Queiroz é notável por reunir um elenco tão abrangente no tempo, como pela qualidade das obras colecionadas. O acervo vai além da arte brasileira ao incluir obras de arte europeia, de mestres como Renoir e Max Ernst, entre outros. Certamente, é resultado de uma vida inteira dedicada a reunir obras de qualidade, criadas por artistas que se destacaram no seu tempo”.

 

“Difícil encontrar, na história de nosso colecionismo de arte, qualquer outro colecionador que, mais que Airton Queiroz, tenha sido capaz de amorosamente construir, ao longo de cinco décadas, um acervo de obras significativas cobrindo cinco séculos de arte brasileira, de Albert Eckhout a Lygia Clark e de Tunga ao Aleijadinho, ou seja, do longínquo Seiscentos aos dias de hoje”, destaca José Roberto Teixeira Leite.

 

De acordo com Max Perlingeiro, “a exposição é de grande importância, em primeiro lugar, porque o colecionador é cearense. E poderia ser feita em qualquer parte do mundo porque tem uma representatividade da arte brasileira muito grande. E não é uma coleção curada. Não houve um personagem que orientasse o colecionador a adquirir as suas obras. Foi o olhar estético dele. O que é mais emocionante é que ele está sendo generoso ao compartilhar com um público anônimo a sua coleção. Você sabe quando essas obras vão ser vistas novamente? Nunca. Essa oportunidade é única. É extraordinário”, comenta.

 

 

DO BRASIL HOLANDÊS À REPÚBLICA

 

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ALEIJADINHO (1738- 1814)

Santo bispo, 1791-1812

 

Três óleos de Frans Post (1612-1680) compõem a presença do século 17 na coleção. Representa o século 18 uma imagem de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814). O século 19 é um dos destaques desse eixo da exposição. Henri Vinet, Georg Grimm, Antônio Parreiras, Castagneto, Benedito Calixto, Nicolao Facchinetti, Eliseu Visconti, entre outros, e um grupo de três obras do pintor e gravador cearense Raimundo Cela (1890-1954) fecha este capítulo da Coleção Airton Queiroz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MODERNISMO


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LASAR SEGALL (1889-1957)

Mulato II, circa 1924

 

Um dos principais eixos da mostra tem como ponto de partida a obra de Anita Malfatti, na antessala do modernismo. A tela, Mulher de Cabelo Verde “é, sem dúvida, uma das peças mais importantes do acervo”, aponta Fábio Magalhães. Também na exposição, obras que deram início, ainda na década de 80, à coleção de arte moderna de Airton Queiroz: uma tela de Di Cavalcanti e duas aquarelas de Ismael Nery. A estas somaram-se, ao longo dos anos, conjuntos expressivos de obras de Lasar Segall, Cícero Dias e Vicente do Rego Monteiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ABSTRAÇÃO


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SAMSON FLEXOR (1907-1971)

“Modulation verde et grise”, 1954

 

Entre as obras da Coleção, merece destaque o Bicho, de Lygia Clark, que faz parte da série de construções geométricas articuláveis produzidas entre os anos de 1960 e 1964. No conjunto de seis trabalhos do cearense Antônio Bandeira reunidos na Coleção destaca-se o expressivo conjunto abstrato realizado entre 1950 e 1964 pela riqueza das possibilidades de cor e de forma exploradas pela gestualidade lírica e espontânea do pintor poeta. Também presentes Willys de Castro, Abraham Palatnik, Sérvulo Esmeraldo, Manabu Mabe, Tomie Ohtake, Hermelindo Fiaminghi, Hélio Oiticica, Lygia Pape e Alfredo Volpi.

 

 

 

 

 

 

 

 

CONTEMPORÂNEOS


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JOSÉ LEONILSON DE BEZERRA DIAS (1957-1993)

Sem título, 1985

 

Foi do interesse pelo modernismo que surgiu, por parte do colecionador, o apreço pela arte contemporânea, também presente na exposição em obras de artistas como Adriana Varejão e Beatriz Milhazes – que tiveram suas individuais no Espaço Cultural Unifor em 2015 –, além de Leonilson, Leda Catunda e outros.

 

 

 

 

 

 

 

 

PRESENÇA ESTRANGEIRA

 

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CLAUDE MONET (1840-1926)

La maison dans les roses, 1925

 

A mostra traz também a evolução da arte europeia ao longo dos séculos, desde o Renascimento até os movimentos modernistas da primeira metade do século 20. Peter Paul Rubens, Claude Monet, Pierre Auguste Renoir, Marc Chagall, Max Ernst, Joan Miró e Salvador Dalí estão entre os principais nomes da exposição. O olhar de Airton Queiroz voltou-se também para a arte da América Latina, representada pelos uruguaios Joaquín Torres García (1874-1949) e Carmelo Arden-Quin (1913- 2010), além do mexicano Diego Rivera (1886- 1957) e do colombiano Fernando Botero (1932).

 
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